Inadimplência de aluguel em Pernambuco atinge maior patamar do ano em maio
Com esse resultado, Pernambuco se mantém significativamente acima da média nacional, que fechou o mês em 3,22%, segundo os dados da Superlógica
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O mercado imobiliário de Pernambuco acendeu um sinal de alerta com o avanço consecutivo do atraso no pagamento de aluguéis. Em maio, a taxa de inadimplência locatícia no Estado subiu pelo terceiro mês seguido e atingiu 4,71%, consolidando o maior índice registrado em 2026. O avanço representa um acréscimo de 0,22 ponto percentual na comparação com abril, quando a taxa estava em 4,49%, e supera o índice de 4,28% computado no mesmo período do ano passado. Os dados são do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), levantamento realizado pela Superlógica a partir de dados anonimizados de mais de 800 mil locatários no País.
Com esse resultado, Pernambuco se mantém significativamente acima da média nacional, que fechou o mês em 3,22%. O estado também impulsiona os números da região Nordeste, que continua na liderança do ranking nacional de inadimplência, registrando uma taxa geral de 5,39% em maio, após marcar 4,98% no mês anterior. De acordo com Manoel Gonçalves, Diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, a sequência de altas reflete uma pressão real sobre o orçamento das famílias, intensificada pelo cenário de juros elevados e pelo impacto da inflação nas despesas fixas.
A dinâmica regional da inadimplência posiciona o Norte logo atrás do Nordeste, com uma taxa de 4,38%. Nas demais regiões, o Sudeste registrou alta para 3,15% e o Centro-Oeste recuou para 2,85%, provocando uma inversão de posições entre as duas áreas pela primeira vez desde novembro do ano passado. Na ponta mais estável do ranking, a região Sul manteve o patamar mais baixo de atrasos do país, oscilando levemente de 2,65% para 2,67%.
No recorte geográfico do Nordeste, os imóveis comerciais permanecem como o principal gargalo para as imobiliárias, registrando um índice de inadimplência de 7,84%, apesar de uma leve retração em comparação aos 7,54% de abril. Logo em seguida aparecem as casas na região, com taxa estável de 5,76%, enquanto os apartamentos registraram uma pressão maior, saltando de 3,32% para 3,85% no período.
Em termos nacionais, o encarecimento do custo de vida e as dificuldades financeiras atingiram praticamente todas as faixas de preço de locação, mas o cenário é mais crítico nos contratos mais populares, de até R$ 1.000. Nessa categoria, a inadimplência residencial saltou de 5,56% para 6,31%, enquanto a comercial subiu para 7,60%. Por outro lado, o segmento de médio padrão, que compreende locações entre R$ 2,000 e R$ 3.000, demonstrou maior resiliência, sustentando os menores índices do mercado nacional. A única faixa que apresentou melhora no fechamento de maio foi a de locações comerciais avaliadas entre R$ 8.000 e R$ 13.000.
Na contramão do esperado para o topo da pirâmide financeira, os contratos de luxo com valores acima de R$ 13.000 também sofreram uma piora acentuada. Os aluguéis residenciais dessa faixa registraram uma escalada expressiva de 1,64 ponto percentual, atingindo 6,16% de inadimplência. Gonçalves explica que, embora o perfil desses locatários geralmente corresponda a rendas familiares robustas, a inadimplência nessa faixa é muito sensível à saúde do ambiente de negócios.
Como grande parte desse público é composta por empresários e comerciantes, o peso da carga tributária, o crédito caro e o ritmo mais lento da economia acabam se refletindo diretamente no cumprimento desses contratos de alto valor, gerando preocupação extra para administradoras e imobiliárias devido ao impacto financeiro concentrado que esses atrasos representam.