Moura Dubeux arremata antiga sede dos Correios em Salvador por R$ 97 milhões
O potencial de desenvolvimento do terreno é estimado em cerca de 140 mil metros quadrados de área privativa, desconsiderando as áreas comuns
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A incorporadora Moura Dubeux deu mais um passo em seu plano de expansão na Bahia ao arrematar o icônico complexo imobiliário que abrigava a antiga sede dos Correios, localizado na Avenida Paulo VI, no bairro da Pituba, em Salvador. O negócio foi fechado pelo valor de aproximadamente R$ 97 milhões e representa o desfecho de uma longa novela no mercado imobiliário soteropolitano.
O imóvel, que possui uma área total de aproximadamente 35 mil metros quadrados e ocupa uma quadra inteira em uma das regiões mais valorizadas da capital baiana, estava tentando ser vendido pela estatal há quase oito anos. Desativado desde novembro de 2018, o complexo corporativo — que inclui um edifício de 20 pavimentos, prédio anexo, auditório e amplos pátios — passou por mais de 20 tentativas frustradas de leilão ao longo dos últimos anos.
O preço final pago pela Moura Dubeux reflete uma expressiva desvalorização comercial aceita pelos Correios para conseguir destravar a venda do ativo. Logo após o fechamento da sede, em 2018, a estatal chegou a pedir R$ 248 milhões pelo espaço. No edital mais recente, o lance inicial previsto para o certame abriu em R$ 130,3 milhões, mas o formato de rodadas progressivas permitiu que a incorporadora assegurasse o lote na terceira e última etapa do leilão pelo valor mínimo com desconto, cerca de R$ 32,5 milhões abaixo da proposta inicial do edital e muito distante das cifras originais do passado.
De acordo com o comunicado enviado ao mercado e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Moura Dubeux planeja transformar o local em um megaempreendimento com vocação predominantemente residencial. O potencial de desenvolvimento do terreno é estimado em cerca de 140 mil metros quadrados de área privativa, desconsiderando as áreas comuns.
A aquisição consolida uma tendência de atuação da empresa em Salvador, focada na revitalização e transformação urbana de grandes ativos desativados, a exemplo do que já fez em terrenos antes ocupados por hotéis tradicionais da cidade, como o Salvador Praia, o Othon e o Pestana. Em nota, a direção da companhia reforçou que a transação demonstra sua disciplina na alocação de capital e consolida a importância de Salvador em seu plano de negócios regional.
Apesar da batida de martelo, o início das obras ainda passará por etapas burocráticas e técnicas. A formalização da compra e o cronograma definitivo do projeto seguem condicionados aos trâmites habituais de registro imobiliário, conclusão de estudos de engenharia, detalhamento do produto e obtenção de licenciamentos e aprovações junto à Prefeitura de Salvador.