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Police Neto: Subcondomínios evitam que São Paulo vire "cidade de gueto"

Modelo que mescla diferentes perfis de renda em empreendimentos distintos construídos numa mesma área tem sido alvo de críticas por "segregação"

Por Lucas Moraes Publicado em 05/06/2026 às 6:00

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A convivência de diferentes perfis socioeconômicos em um mesmo endereço — ou até dentro da mesma incorporação — tornou-se o centro de um intenso debate urbanístico na cidade de São Paulo. Enquanto críticos apontam distorções, especialistas como José Police Neto, subsecretário de habitação de São Paulo e coordenador do Insper, defendem que a ocupação de áreas nobres por diversas faixas de renda é a única forma de evitar a consolidação de "cidades de gueto".



Para Police Neto,  em entrevista ao videocast Metro Quadrado, na quinta-feira (4), o isolamento de famílias de baixa renda em áreas periféricas ou em prédios exclusivos é um erro que as metrópoles precisam corrigir. "Eu não gosto da incorporação que põe só faixa um dentro do mesmo prédio... eu tô fazendo a cidade de gueto. Eu tô legislando para a cidade de gueto, porque naquele 'recortezinho' que eu pintei no mapa é onde vai ficar a população de menor renda", alertou. 

Ele cita como exemplo positivo projetos de luxo em São Paulo, como o assinado pela Pininfarina na Avenida Rebouças, que incluem unidades de Habitação de Mercado Popular (HMP) para famílias com renda de até 10 salários mínimos.

Apesar das críticas sobre a separação de áreas comuns, como quadras de tênis, Police enfatiza o ganho social do local. "Se uma família jamais moraria na Rebouças com menos de 10 salários mínimos e agora tem uma unidade voltada para ela... eu tenho que comemorar o endereço. Então eu tô 'desgentrificando' a cidade", afirmou.

Police seguiu a explicação do modelo de moradias integradas. "Ah, você está cerceando o acesso à quadra de tênis? Não, eu estou conseguindo oferecer para uma uma família que recebe até 10 salários mínimos um endereço que se paga R$ 30 milhões para se morar numa unidade. Então não é que eu esteja cerceando a quadra, eu estou abrindo a oportunidade para uma família que jamais estaria aqui. Se uma família jamais moraria na Rebouças com menos de 10 salários mínimos e agora tem uma unidade voltada para ela, é porque o modelo de incorporação tá dizendo o seguinte: ó, aqui tem um de altíssimo padrão dentro do mesmo lote que pode ter uma entrada que tem o seu condomínio, e tem um outro; sem nenhum conflito, porque essa família de menor renda jamais estaria nesse endereço. Então eu tenho que comemorar o endereço", justificou. 

RETROFIT NA CAPITAL PAULISTA

Police Neto argumentou, ainda que a eficiência urbana passa por tornar a cidade mais compacta, evitando o espraiamento para áreas ambientalmente protegidas. Nesse contexto, a reabilitação de edifícios antigos nos centros históricos — o retrofit — surge como uma alternativa sustentável à demolição total.

"A gente parou de fazer o destrofit, que era demolir tudo e construir tudo. Agora você tem o retrofit", explicou, destacando que essa prática exige flexibilidade nas normas construtivas.

"Eu não posso exigir de um prédio que já tá construído o padrão construtivo desse ano, porque ele foi construído na década de 60, na década de 50... Então tem um processo adaptativo da norma", defendeu o especialista, lembrando que a cidade de São Paulo chega a bancar com investimento público até 25% de uma unidade retrofitada no Centro, para atrair famílias de volta à região.

Ele reforça que o retrofit deve incluir até mesmo imóveis tombados, transformando-os em espaços úteis. "O tombamento não pode ser contra a população de menor renda, ele tem que vir com um pacote de incentivo associado, para dar uso ao imóvel tombado que não tem uso. Esse tipo de imóvel é o que a gente nunca devia ter tombado, porque ele perde o valor (sem uso e manutenção)", pontuou.

 

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