"HIS Fake" em São Paulo: Police Neto vê "taxa de sucesso" em lei e mais problemas no futuro
Apesar das recentes mudanças legislativas para coibir essa prática, Police Neto alerta que o mercado ainda sentirá os efeitos dessas distorções
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Em análise sobre as controvérsias do mercado imobiliário em São Paulo, o subsecretário de habitação, José Police Neto, abordou o fenômeno conhecido como "HIS fake" — unidades de Habitação de Interesse Social (HIS) adquiridas por pessoas de média e alta renda como investimento. Para o especialista, o surgimento dessa polêmica é, paradoxalmente, um indicativo de que a regulação urbana atingiu seus objetivos de qualidade.
"Eu falo que isso é um pouco a taxa de sucesso... não é natural o rico querer comprar aquilo que foi feito para pobre", afirmou Police Neto durante o videocast Metro Quadrado, nessa quinta-feira (4). Segundo ele, a procura de investidores por essas unidades ocorre porque a legislação conseguiu produzir habitação para famílias de baixa renda em localizações privilegiadas da capital paulista. "É improvável que algum rico queira comprar aquilo que foi feito com uma família de três salários. Por que tá comprando? Porque vê uma capacidade de valorização imobiliária", explicou.
O desafio do ciclo imobiliário
Apesar das recentes mudanças legislativas para coibir essa prática, Police Neto alerta que o mercado ainda sentirá os efeitos dessas distorções por um período prolongado devido à natureza dos empreendimentos imobiliários.
"E a gente vai sofrer um pouquinho mais. Eu preciso contar para vocês isso. Então, a cidade de São Paulo vai sofrer um pouquinho mais. Por quê? Como o ciclo é de 3 anos, né, da compra do terreno até um pouco mais, tal, 3, 4 anos para incorporar, o que acontece, tem muito que já foi licenciado e incorporado dessa fórmula".
De acordo com o subsecretário, mesmo com a alteração na lei, as entregas de imóveis que foram comercializados de forma irregular — muitas vezes através de vendas à vista para burlar o controle de renda — continuarão a ocorrer.
Fiscalização como solução
Para o coordenador do Insper, o erro não está na norma que incentiva a construção social, mas na falha de controle sobre quem adquire o imóvel fora dos sistemas bancários tradicionais, como os da Caixa Econômica Federal, que realizam uma verificação rigorosa da renda das famílias.
"A legislação deu certo. Você tem que melhorar a fiscalização", defendeu, reiterando que o modelo de produzir habitação popular em "bons endereços" deve ser preservado e replicado, desde que acompanhado de mecanismos que impeçam o desvio de finalidade.