Mercado imobiliário no Litoral Sul de Pernambuco é impulsionado por investidores e mudanças na legislação
Episódio do videocast Metro Quadrado, apresentado pelo jornalista Lucas Moraes, reuniu o advogado Amadeu Mendonça e o empresário Anderson Vespasiano
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O mercado imobiliário no Litoral Sul de Pernambuco vive um momento de forte expansão, consolidando-se como um dos principais polos de atração para investimentos no Nordeste. Deixando de ser apenas um destino de veraneio tradicional, praias como Porto de Galinhas e São José da Coroa Grande tornaram-se o foco de um modelo de negócios altamente rentável, ancorado no conceito de shortstay (locações de curta temporada por plataformas digitais). O fenômeno foi debatido no videocast Metro Quadrado, onde o advogado especialista em negócios imobiliários Amadeu Mendonça, da Tizei Mendonça Advogados Associados, e o diretor da Hasa Empreendimentos, Anderson Vespasiano, analisaram as transformações urbanas, o perfil dos novos compradores e a segurança jurídica que ampara esse ecossistema financeiro.
O modelo "compacto e rentável"
A mudança no perfil de consumo transformou os projetos arquitetônicos da região. A aposta principal de construtoras locais, como a Hasa Empreendimentos (citada no debate como ASA), tem sido em unidades compactas otimizadas, voltadas quase que exclusivamente para quem busca retorno financeiro.
O arquiteto Anderson Vespasiano, diretor da incorporadora, detalhou a lógica por trás do desenvolvimento de flats de tamanho milimetricamente calculado para maximizar o ganho do proprietário. Segundo o executivo, o foco total no investidor exige um produto enxuto:
"Se eu projetar um apartamento com 25 ou 26 m², eu vou vender um pouco mais caro e o cara vai alugar pelo mesmo preço do de 21 m². [O negócio] é o menor possível para eu comprar o mais barato possível para botar quatro pessoas."
Vespasiano ressaltou que esse formato dita o ritmo do mercado na região devido ao perfil do público que frequenta essas praias, que busca o imóvel apenas para dormir e passar o resto do dia aproveitando as comodidades do condomínio e as atrações naturais da costa.
Atração de capital estrangeiro e interiorização
O Litoral Sul pernambucano ultrapassou as fronteiras estaduais e nacionais. Conforme dados da incorporadora, cerca de 40% dos compradores de imóveis em Porto de Galinhas são moradores do Recife, outros 40% vêm de diferentes estados brasileiros e 20% são investidores estrangeiros, com destaque para a Argentina, Portugal e Estados Unidos.
Paralelamente, praias localizadas mais ao sul, como São José da Coroa Grande — na divisa com Alagoas —, começam a despontar impulsionadas pela revisão de planos diretores municipais que agora permitem maior verticalização. Nesses novos destinos, o movimento é puxado fortemente por compradores vindos do Agreste do estado, principalmente de Caruaru, em busca de uma segunda residência ou de diversificação de patrimônio.
Segurança Jurídica e Convenções Coletivas
Apesar do otimismo econômico, a expansão das locações por aplicativos acendeu alertas jurídicos em condomínios residenciais pelo país. No entanto, no ambiente litorâneo, o cenário possui especificidades importantes. Amadeu Mendonça, advogado patrimonial e de negócios imobiliários, explicou como as recentes decisões dos tribunais superiores impactam o setor e recomendou cautela no desenho institucional dos novos prédios.
"O que ficou decidido no final das contas foi que cabe a cada condomínio decidir se vai ter ou não permissão de fazer shortstay por plataformas digitais. Havendo silêncio na convenção de condomínio, a presunção é que não pode. Isso para os empreendimentos típicos de primeira residência. Nos casos de Porto de Galinhas, de litorais e tudo mais, que é segunda residência, a gente já consegue ter uma flexibilidade maior".
O advogado reforçou a necessidade de planejamento prévio por parte das construtoras para evitar litígios futuros. "O que a gente recomenda para os incorporadores que estão fazendo novos empreendimentos é que já coloquem essa previsão de ser possível fazer a locação por curta temporada, a locação shortstay, porque o investidor que vai adquirir quer justamente ter essa flexibilidade", concluiu Mendonça.
Perspectivas de futuro
A expectativa de curto e médio prazo para o Litoral Sul continua acelerada. Fatores como a construção do novo aeroporto de Maragogi (Costa dos Corais), na divisa com Pernambuco, devem encurtar distâncias e injetar ainda mais turistas e investidores na região, consolidando a infraestrutura urbana e valorizando o metro quadrado de toda a faixa litorânea do estado.