Recuperação do Centro: o plano para devolver a vitalidade à Rua da Imperatriz
Ao longo do próximo ano, o estudo deverá apresentar diretrizes que conciliem a preservação do passado com a funcionalidade do futuro para o logradouro
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A Rua da Imperatriz Tereza Cristina, que já foi o epicentro da elegância e do comércio sofisticado no Recife do século XIX, começa a vislumbrar um novo capítulo em sua longa biografia. Em uma articulação que une a academia à estratégia governamental, a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) lançaram, nesta segunda-feira (16), um projeto de estudos vocacionais focado na revitalização do logradouro. O evento de lançamento, realizado no Hotel Central, simboliza um esforço para reverter o cenário de degradação que hoje marca o bairro da Boa Vista e o Centro da capital pernambucana.
A escolha da Rua da Imperatriz como objeto de estudo não é aleatória, mas um resgate de sua importância histórica. Batizada em homenagem à esposa de Dom Pedro II, a via consolidou-se ao longo das décadas como um elo vital entre a Ponte da Boa Vista e a Matriz da Boa Vista, abrigando sobrados imponentes que outrora serviram de moradia para a elite e, posteriormente, como berço de grandes magazines. Hoje, o desafio é identificar como esse patrimônio pode coexistir com as novas dinâmicas econômicas e urbanas. O projeto, formalizado via Termo de Execução Descentralizada (TED) desde o final de 2025, terá duração de 12 meses e pretende servir de modelo para outras cidades sob a jurisdição da Sudene.
NOVOS NEGÓCIOS
De acordo com o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, a autarquia não se limitará ao diagnóstico técnico, mas atuará como indutora de novos negócios por meio de linhas de financiamento específicas para empreendedores que desejem investir na região. Essa visão é compartilhada pelo senador Humberto Costa, que ressaltou a viabilidade de aporte de recursos via emendas parlamentares para sustentar a execução das futuras intervenções. A proposta é que a revitalização não seja apenas estética, mas um motor de desenvolvimento econômico sustentável que dialogue com as necessidades contemporâneas do Recife.
A execução técnica do estudo está sob a responsabilidade de dois importantes núcleos da UFPE: o Laboratório de Urbanismo e Patrimônio Cultural (LUP) e o Grupo de Estudos sobre o Mercado Imobiliário e Fundiário (GEMFI). Sob a coordenação das arquitetas Iana Laudermir Bernardino e Juliana Barreto, a pesquisa se dividirá em eixos que analisam desde a infraestrutura existente e a preservação dos imóveis históricos até a complexa flutuação do mercado imobiliário local. Iana destaca que a abordagem será multitemática, envolvendo especialistas em mobilidade, políticas públicas e espaços urbanos para garantir que o diagnóstico seja tão abrangente quanto a própria história da rua.
UMA NOVA CONSTRUÇÃO COLETIVA
A metodologia do projeto aposta na construção coletiva, integrando vozes de diferentes setores da sociedade civil. O processo inclui diálogos diretos com quem vivencia o cotidiano da área e a análise de iniciativas já existentes, como o Programa Recentro, da prefeitura do Recife. O pontapé inicial dessa escuta ocorreu logo após a cerimônia oficial, com a oficina "Por uma Imperatriz viva e dinâmica". A atividade reuniu figuras como a vereadora Cida Pedrosa, a chefe do Gabinete do Centro Histórico, Ana Paula Vilaça, e Antônio Almeida, representante dos empresários locais, para debater soluções que devolvam a vitalidade a um dos logradouros mais charmosos da cidade.
Ao longo do próximo ano, o estudo deverá apresentar diretrizes que conciliem a preservação do passado com a funcionalidade do futuro. Se no passado a Rua da Imperatriz era o destino de parte da aristocracia, o esforço conjunto entre UFPE e Sudene busca garantir que, no futuro, ela seja um espaço de convivência democrática, comércio pujante e valorização cultural, reocupando seu lugar de direito na identidade do Recife.