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Condomínio em Pernambuco sobe 71% acima da inflação e compromete renda das famílias

Esse fenômeno não é exclusivo de Pernambuco, embora o Estado apresente números mais acentuados que a média nacional. País vivenciou aumento

Por Lucas Moraes Publicado em 13/03/2026 às 15:52

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O custo da moradia em Pernambuco tornou-se um dos principais vilões do orçamento doméstico no último ano. Segundo dados do Índice Superlógica, a taxa de condomínio no Estado encerrou 2025 com um aumento expressivo de 7,20%, valor que supera drasticamente o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que registrou 4,26% no mesmo período. Na prática, o avanço do custo condominial em solo pernambucano foi 71,4% superior à inflação oficial.

Esse fenômeno não é exclusivo de Pernambuco, embora o Estado apresente números mais acentuados que a média nacional. No Brasil, o aumento médio das taxas foi de 6,8%, o que representa uma alta de 59,6% acima da inflação. Atualmente, o valor médio pago pelos pernambucanos para manter seus imóveis é de R$ 910,00. O peso desse montante é significativo: o valor consome 56,14% do salário mínimo vigente em 2026, de R$ 1.621.

Fatores de pressão e o cenário regional

Especialistas explicam que a escalada de preços é resultado de uma combinação de fatores econômicos e operacionais. João Baroni, Diretor de Crédito do Grupo Superlógica, aponta que os juros elevados encarecem contratos de serviços, enquanto a inflação persistente impacta itens de consumo diário dos edifícios. Além disso, os custos fixos com folha de pagamento e os investimentos crescentes em tecnologia e segurança privada têm pressionado as planilhas orçamentárias dos síndicos.

No panorama regional, o Nordeste lidera o ranking das taxas de condomínio mais caras do país, com uma média de R$ 885,08, seguido de perto pelas regiões Norte e Sudeste. Em contrapartida, o Sul do Brasil apresenta os valores mais baixos, com média de R$ 661,26. A discrepância também se reflete no impacto sobre o salário mínimo: enquanto no Nordeste e Norte a taxa compromete 54% do piso salarial, no Sul esse comprometimento cai para 41%.

Inadimplência e os riscos para o morador

Apesar da pressão financeira, o índice de inadimplência em Pernambuco demonstrou resiliência, fechando 2025 em 5,76%, índice inferior à média nacional de 6,28%. O relatório destaca uma tendência inversa entre o valor da taxa e o atraso nos pagamentos: condomínios com taxas de até R$ 500,00 registram os maiores níveis de devedores, chegando a quase 10%, enquanto nos empreendimentos de luxo, com taxas superiores a R$ 1.000,00, a inadimplência cai para 4,53%.

A falta de pagamento gera um ciclo prejudicial para toda a comunidade condominial. Para o condomínio, a ausência de recursos inviabiliza manutenções preventivas e obras de melhoria. Para o morador, as consequências podem ser severas, uma vez que a dívida condominial é uma das poucas que permite a penhora e o leilão do próprio imóvel para a quitação do débito. Como alternativa para estabilizar o fluxo de caixa, o mercado tem adotado soluções de garantia de receita, que asseguram o repasse integral das cotas ao condomínio independentemente do atraso individual dos moradores.

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