Taxa de condomínio: custo de morar sobe acima da inflação e já compromete metade do salário mínimo
Condomínios com boletos de até R$ 500 registraram quase 10% de atrasos, enquanto nos empreendimentos de alto padrão, índice fica em 4,53%
Clique aqui e escute a matéria
O orçamento das famílias brasileiras enfrenta uma pressão crescente vinda de um item indispensável: a taxa de condomínio. De acordo com o mais recente Índice Superlógica, o valor médio do boleto condominial encerrou o ano de 2025 com uma alta de 6,8%, superando significativamente a inflação oficial (IPCA), que fechou o período em 4,26%. Na prática, isso significa que o custo do condomínio avançou 59,6% acima da variação geral de preços no País.
Atualmente, o valor médio da taxa no Brasil é de R$ 828,13. O montante impressiona pelo impacto no poder de compra: em 2025, o valor correspondia a 54,6% do salário mínimo da época (R$ 1.518). Mesmo com o reajuste do piso nacional para R$ 1.621 em 2026, o condomínio ainda consome 51,1% dos rendimentos de quem ganha um salário mínimo.
Os vilões do reajuste
Segundo João Baroni, Diretor de Crédito do Grupo Superlógica, a escalada de preços é fruto de uma "tempestade perfeita" de fatores econômicos. Os juros elevados encarecem contratos de prestação de serviços, enquanto a inflação persistente atinge itens de consumo diário das edificações. No entanto, o peso maior vem dos custos operacionais fixos, especialmente a folha de pagamento dos funcionários e os investimentos necessários em tecnologia e segurança privada.
Raio-x da inadimplência e disparidades regionais
Apesar do encarecimento das taxas, o índice de inadimplência mostrou resiliência, fechando 2025 em 6,28% — uma leve queda de 0,02 ponto percentual em relação ao ano anterior. Contudo, o cenário muda drasticamente conforme a região e a faixa de valor da taxa.
O Norte do País lidera o ranking de inadimplência com 7,86%, seguido pelo Nordeste (6,09%) e Sudeste (5,93%). No extremo oposto, a região Sul apresenta a maior regularidade de pagamentos, com apenas 4,74% de atrasos superiores a 90 dias. Curiosamente, as regiões com as taxas de condomínio mais caras são justamente as que enfrentam maior dificuldade de recebimento: o Nordeste registra a maior média nacional (R$ 885,08), seguido de perto pelo Norte (R$ 868,79).
O levantamento também aponta um dado social relevante: a inadimplência é inversamente proporcional ao valor da taxa. Condomínios com boletos de até R$ 500 registraram quase 10% de atrasos no fim de 2025, enquanto nos empreendimentos de alto padrão, com taxas acima de R$ 1.000, o índice cai para 4,53%.
O descasamento entre o aumento dos custos e a capacidade de pagamento dos moradores gera um prejuízo anual estimado em R$ 7 bilhões para os condomínios brasileiros. Para o morador, o risco é extremo, podendo levar à perda do imóvel em leilões judiciais. Para a gestão, a falta de verba inviabiliza manutenções preventivas e obras de melhoria, desvalorizando o patrimônio.
Como alternativa para estabilizar as contas, o mercado tem recorrido a soluções de antecipação de receita, como o modelo "Inadimplência Zero". O sistema garante que o condomínio receba o valor integral das cotas independentemente do pagamento dos moradores, transferindo o risco e a cobrança para plataformas tecnológicas especializadas.