Motto by Hilton: hotel internacional no Recife Antigo inaugura nova era de investimentos
Empreendimento marca o fim de um ciclo de estagnação e o início de uma era onde o investimento privado assume o protagonismo da revitalização
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A paisagem histórica do Bairro do Recife agora divide espaço com o padrão internacional da rede Hilton. Em debate no videocast Metro Quadrado, o diretor da Revipar, Danilo Canuto, o arquiteto João Domingos e o advogado e o advogado patrimonial e de negócios imobiliários, Amadeu Mendonça, analisaram como o novo hotel Motto by Hilton está servindo de âncora para uma transformação urbana sem precedentes na capital pernambucana. O episódio, transmitido nesta quinta-feira (26), contou com apresentação do jornalista Lucas Moraes.
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Para os especialistas, o empreendimento marca o fim de um ciclo de estagnação e o início de uma era onde o investimento privado assume o protagonismo da revitalização do Centro. O conceito de "micro hotel" de alto padrão foi escolhido estrategicamente para o bairro. Segundo Danilo Canuto, a proposta Lifestyle da marca Hilton casou perfeitamente com a efervescência do Porto Digital e a demanda por experiências autênticas.
"Essa marca foi desenvolvida justamente para aquele hóspede que quer vivenciar a essência da cidade. É um micro hotel que prima pela localização. Você está no meio do Porto Digital, com 350 empresas instaladas. O turista que vem para o Recife visita o bairro, mas antes não ficava hospedado aqui porque não tinha hotel dentro da ilha", explicou Canuto.
Uma narrativa de Pernambuco
O desafio de construir do zero em uma área tombada exigiu sensibilidade arquitetônica. O projeto de João Domingos buscou integrar o edifício à rua, fugindo do isolamento comum em grandes redes hoteleiras.
"Cada hotel Motto conta a história do lugar onde está. O nosso café no térreo é inspirado no Sertão, com tons de barro e vegetação de cactos. Conforme você sobe e chega ao rooftop, a vista do mar conecta o hóspede com o litoral e a Zona da Mata. Criamos um ambiente aberto ao público para ativar a rua e convidar as pessoas", destacou Domingos.
CONDO-HOTEL
O projeto opera sob o sistema de Condo-hotel, um modelo que exige rigorosa fiscalização. O advogado Amadeu Mendonça ressaltou a importância da clareza jurídica para atrair capitais de outros estados e garantir a harmonia da operação.
"A hotelaria traz um serviço agregado que o aluguel por temporada não tem. No caso do Motto, optamos por 100% hotelaria para evitar conflitos. Você elimina a relação conflituosa entre o turista e o morador fixo, e a gestão fica focada unicamente na performance hoteleira, o que dá muito mais segurança para quem investe", afirmou Mendonça.
A sinergia entre a iniciativa privada e o poder público, através de programas como o Recentro, foi apontada como o diferencial desta nova fase do Recife Antigo. Para os debatedores, os incentivos fiscais foram o gatilho necessário para tirar projetos do papel.
"O futuro chegou para o Recife Antigo. Hoje você tem, do Moinho ao Novo Hotel e ao Motto, o maior volume de investimento privado imobiliário da cidade. Como eu disse ao prefeito: esse foguete aqui não vai dar ré. A cidade naturalmente tem que voltar para o centro, pois não temos mais para onde crescer", vaticinou Danilo Canuto.
João Domingos finalizou com uma provocação sobre o futuro das ruínas que ainda existem no centro, defendendo que a ocupação econômica é a única forma real de salvar o patrimônio.
"Se você não usar, o patrimônio não vale nada. Precisamos usar para preservar. O abandono atrai o risco, a invasão e a degradação. O que queremos ver são os prédios antigos sendo retrofitados e convivendo lado a lado com construções contemporâneas, como acontece nos grandes centros europeus".