Mercado imobiliário do Recife e RMR atinge recorde histórico com R$ 10 bilhões em vendas
Com forte impulso do programa Minha Casa Minha Vida e redução drástica de estoque, setor vive momento de expansão acelerada, segundo dados da Ademi-PE
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Com forte impulso do programa Minha Casa Minha Vida e redução drástica de estoque, setor vive momento de expansão acelerada, segundo dados da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE).
O setor imobiliário da Região Metropolitana do Recife (RMR) encerrou o ano de 2025 com números sem precedentes, consolidando o melhor desempenho de sua história. De acordo com a Ademi-PE, o Valor Geral de Vendas (VGV) comercializado atingiu a marca de R$ 10,1 bilhões, o que representa um salto de 53% em comparação ao ano de 2024.
Para o presidente da Ademi-PE, Rafael Simões, o desempenho reflete uma mudança estrutural na capital. “Tivemos 12 mil unidades lançadas em Recife e Região Metropolitana, um aumento de 20% em relação a 2024. O interessante é observar que, enquanto o Recife cresceu 33% em lançamentos, a região metropolitana caiu 1%”, explica Simões, destacando a força da capital.
Recorde de lançamentos e vendas
Ao longo dos últimos 12 meses, o mercado registrou a venda de 12.061 unidades, um volume nunca antes visto na região. O ritmo de lançamentos acompanhou essa tendência, com 12.032 novas unidades chegando ao mercado, um crescimento de 33% em relação ao ano anterior. Um dado estratégico que chama a atenção é que o VGV de vendas foi quase o dobro do VGV lançado, demonstrando uma altíssima capacidade de absorção do mercado local.
O programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) consolidou-se como o principal motor do setor em 2025, sendo responsável por 65,4% do total de lançamentos na RMR. Na capital pernambucana, o crescimento de unidades lançadas sob este perfil foi de 79% em relação a 2024, totalizando 3.597 unidades. No quarto trimestre, o domínio do segmento foi ainda mais evidente, abocanhando 83% das unidades lançadas, com os bairros de Dois Unidos e Imbiribeira figurando como os principais polos de novos empreendimentos.
Simões atribui esse fenômeno à combinação de incentivos financeiros e leis municipais. “Isso acontece porque temos, de um lado, o programa Morar Bem do Governo do Estado, que subsidia a entrada da família, e, de outro, a legislação urbana do Recife, que começa a trazer efeitos. Nada adianta juros baixos e subsídio se a legislação da cidade não permite. O resultado dessa combinação é uma revolução urbana”, afirma.
Para ele, além dos bairros tradicionais como Boa Viagem e Madalena, estamos vendo agora locais que não estavam no radar nos últimos dez anos aparecem de forma consolidada. Nas demais cidades, outro ponto destacado são as recentes mudanças nas normas de construção, como em Jaboatão dos Guararapes, que passou a permitir empreendimentos com "vaga livre" ou zero vaga de garagem.
“Esses ajustes são fundamentais. Jaboatão já permite que a empresa decida quantas vagas disponibilizar. Isso garante a unidade para quem mais precisa e não pode comprar um carro, baixando o custo e permitindo que a pessoa more onde quer. As cidades estão caminhando para um modelo de habitação realmente mais barato”.
Luxo e litoral em alta
Enquanto o segmento popular ganha escala, o mercado de luxo observa uma valorização acentuada, com o preço do metro quadrado em franca ascensão. No segmento de praias, foram lançadas 2.887 unidades em 2025. Destas, 80% seguem a tendência de stúdios ou apartamentos de um quarto, com valor médio de venda na casa dos R$ 430 mil (aproximadamente R$ 14,5 mil por m²).
Estoque em níveis críticos
A velocidade das vendas gerou um fenômeno de escassez na oferta. O estoque atual de Recife e RMR é de R$ 4,9 bilhões, montante considerado muito baixo para o volume de vendas anual. Na prática, isso significa que o mercado possui apenas seis meses de estoque disponível. Atualmente, a oferta é considerada "jovem", com 87,7% das unidades tendo sido lançadas entre 2023 e 2025.
De acordo com o CEO da Brain Inteligência (Responsável pelo levantamento dos dados) , Fábio Tadeu Araújo, os números revelam um mercado com baixa disponibilidade e um estoque extremamente "jovem", visto que 87,7% das unidades foram lançadas entre 2023 e 2025. Para o executivo, este cenário projeta para 2026 uma necessidade imediata de novos lançamentos, visando suprir uma demanda que se mantém aquecida e demonstra forte resiliência.