Hotel Motto by Hilton abre as portas e vira marco de um futuro possível para o Recife Antigo
O hotel integra a política de revitalização do Centro e foi contemplado com benefícios fiscais, descortinando oportunidades o setor imobiliário
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A ilha do bairro do Recife agora conta com um empreendimento pertencente a uma das maiores redes de hotelaria do mundo. A Hilton apostou na capital pernambucana para inaugurar o seu primeiro hotel no Brasil sob a bandeira Motto, sinônimo de economia e conforto com uma gama de serviços integrados. A chegada do Motto by Hilton, embora para alguns simbolize apenas mais um investimento, é um sinal claro da vocação da região, que pode ser impulsionada com a boa vontade do poder público e as condições necessárias à atuação da iniciativa privada.
O hotel integra a política de revitalização do Centro da cidade e foi contemplado com benefícios fiscais da Lei do Recentro, iniciativa da Prefeitura do Recife voltada à reocupação e dinamização da área central. Ao todo, são sete andares de apartamentos, térreo com café gourmet e espaço de coworking, além de um rooftop pub com vista panorâmica para o Bairro do Recife. O projeto de arquitetura e interiores é assinado pela Metro Arquitetura e por Juliano Dubeux, com inspiração em ícones da cultura pernambucana, como Janete Costa e Ariano Suassuna.
A Construtora Vertical, responsável pela obra, aproveitou uma área ociosa de 3.462,46 m², e o investimento total foi de aproximadamente R$ 53,2 milhões, gerando cerca de 250 empregos diretos e indiretos. O negócio é resultado direto da parceria entre Revpar Incorporações, MUV Empreendimentos, Hilton e Atlantica Hotels.
O empreendimento segue o modelo de condo-hotel, funcionando como condomínio fechado. São 132 apartamentos, com cerca de 15 m² cada, todos com RGI e IPTU individualizados, avaliados em aproximadamente R$ 400 mil por unidade, numa realidade totalmente integrada aos novos modelos de hospedagem com retorno direto ao investidor e a qualidade de operação hoteleira garantida.
Com o Motto, o Recife volta a ter destaque numa rede com 25 hotéis em operação no Brasil. O grupo Hilton também planeja inaugurar quase 30 novas unidades no País nos próximos anos. Quando leva-se em conta a América Latina e o Caribe, a Hilton opera cerca de 300 hotéis e resorts, além de manter mais de 160 propriedades em diferentes fases de desenvolvimento.
O QUE MUDOU NO RECIFE PARA RECEBER ESSE HOTEL
Para além da boa vontade e disposição ao risco do investimento, a inciativa privada tem visto o Recife buscar alternativas de um arcabouço legal robusto para o segmento imobiliário, incluindo a hotelaria, que sofre ano a ano com a perda de leitos. Fenômeno mundial replicado na capital pernambucana.
O Recife tem enfrentado o fechamento de hotéis tradicionais, especialmente na orla de Boa Viagem, como o Grand Mercure, Arcada, Recife Praia e Internacional, impactando a oferta de leitos. Para reverter a perda de capacidade hoteleira, a prefeitura implementou a Lei do Retrofit, reduzindo o ISS para incentivar a modernização e construção de novos empreendimentos. Houve resultados. Passos ainda iniciais, mas que dão esperança de que há um futuro a ser consolidado na cidade que se acostumou a ser ponto apenas de passagens para turistas.
NOVA CALIBRAGEM DO RECENTRO E LEGISLAÇÃO INTEGRADA
Para a chefe do Gabinete do Centro, Ana Paula Vilaça, a inauguração simboliza a transformação em curso na área central da cidade. “É bonito de ver o nosso Centro mudando de cara, ganhando novos empreendimentos e se adaptando às demandas dos novos tempos. O papel do Gabinete do Centro é atuar como agente facilitador para que empresas e negócios recebam benefícios fiscais e se instalem aqui. Ter o primeiro Motto by Hilton do Brasil no Bairro do Recife reafirma o pioneirismo da cidade e fortalece a experiência de quem vive e visita a capital”, afirmou.
O Centro do Recife é um caso à parte. Agora o Motto by Hilton, assim como antes foi o Novotel Recife Marina, são exemplos das mudanças possíveis quando o poder público entende e faz o dever de casa para atrair investimentos. Há mais no radar dos empresários para ser feito na região. Há mais também a ser feito pela gestão municipal.
O Atende Recentro, mutirão de serviços organizado pelo Gabinete do Centro, com a participação de diversas secretarias municipais e órgãos parceiros como o IPHAN, cartórios, Corpo de Bombeiros e mais, reuniu cerca de 150 investidores e empreendedores nas suas reuniões, mas promoveu a desburocratização de apenas 20 imóveis que passaram a ser contemplados com a Lei do Recentro, com isenções parciais de tributos como IPTU, ISS e ITBI, ao longo de todo o ano de 2025. A situação de cada imóvel à espera de revitalização no Centro é um mundo em si. E justamente as soluções precisam ser ampliadas.
O lançamento da PPP Morar no Centro, com expectativa de 1.200 novas unidades habitacionais na região central, além do Distrito Guararapes, que busca mais 800 moradias, são outras vertentes que buscam levar e fixar população residente e geram altas expectativas na cidade.
Talvez o mais emblemático passo pelo poder público tenha sido a nova Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, sancionada em setembro de 2025, com o bônus construtivo para atrais investimentos no Centro, inclusive hoteleiros.
A desapropriação por hasta pública é outra medida que entrega à cidade um dispositivo legal específico conferindo segurança jurídica e efetividade na aplicação da desapropriação como instrumento indutor em relação à função social da propriedade urbana. O instrumento complementa os instrumentos urbanísticos de Parcelamento, Edificação ou Utilização Compulsórios (PEUC) e ao IPTU Progressivo no Tempo, compondo um pacote de medidas para combater a ociosidade e o subaproveitamento de imóveis urbanos.
O Recife ainda respira com a ajuda de aparelhos, mas já ensaia a sua reabilitação para deixar a condição de enfermidade vivida pelo setor imobiliário com a burocracia e restrições à modelagem de um novo Centro, com respeito ao patrimônio e oportunidades de desenvolvimento. Os primeiros resultados estão a aparecer e multiplicar essa conta é estritamente necessário a uma cidade com as características do Recife.