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ABRAINC critica Selic a 15% e alerta para impacto no emprego e investimentos

Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias afirma que patamar da taxa de juros drena recursos que poderiam atender Saúde e Educação

Por Lucas Moraes Publicado em 29/01/2026 às 13:47

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A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 15% ao ano gerou forte reação da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC). Em nota oficial, a entidade manifestou preocupação com o que classifica como um patamar "excessivamente elevado", argumentando que a medida trava o crescimento econômico e prejudica diretamente setores estratégicos, como a construção civil.

O peso dos juros no PIB

O posicionamento da ABRAINC destaca um cenário alarmante nas contas públicas. Em 2025, o Brasil destinou cerca de 8,5% do seu PIB apenas para o pagamento de juros da dívida pública. O dado coloca o País na segunda posição mundial em um ranking do FMI que abrange 190 nações.

Para ilustrar a disparidade dos gastos, a associação apresentou uma comparação direta com áreas sociais básicas. No caso da Saúde, o gasto com juros é 4,5 vezes maior que o orçamento da pasta. Já na Educação, o montante destinado à dívida supera em quase 5 vezes os investimentos no setor educacional.

Desaceleração no mercado de trabalho

O impacto da política monetária restritiva já é visível nos indicadores de emprego. Segundo dados do Caged citados pela entidade, a geração de vagas formais registrou queda significativa em Novembro de 2025, com 85,9 mil novas vagas (recuo de 19% frente a novembro de 2024). No acumulado do ano (Jan-Nov), 1,9 milhão de empregos criados (volume 15% inferior ao mesmo período do ano anterior).

O "custo da queda"

A ABRAINC projeta que uma redução de apenas 1 ponto percentual na Selic teria o poder de aliviar as contas públicas em um valor entre R$ 55 bilhões e R$ 60 bilhões anuais. Segundo a nota, esses recursos hoje são "drenados" pelo serviço da dívida em vez de serem reinvestidos na produção e na expansão do mercado de trabalho.

"A redução responsável dos juros é fundamental para destravar investimentos e criar um ambiente favorável ao desenvolvimento do país", afirma a associação, reforçando que a manutenção da taxa em níveis tão altos desestimula o investimento produtivo em setores que dependem de crédito e mão de obra intensiva.

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