Crescimento imobiliário no Nordeste alavanca crescimento do seguro habitacional na região
O Estado de Pernambuco lidera em valores absolutos, com uma arrecadação de R$ 93,6 milhões, o que representa uma alta de 35,5% em relação a 2024
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O aquecimento do mercado imobiliário na região Nordeste tem gerado um efeito cascata positivo em setores complementares, com destaque para o segmento de seguros. Esse movimento é impulsionado por melhorias nas condições de financiamento e pela atualização dos parâmetros do programa Minha Casa, Minha Vida, que facilitaram o acesso ao crédito mesmo em um cenário de taxas de juros elevadas.
Como consequência direta dessa expansão, a procura pelo seguro habitacional disparou na região. O estado de Pernambuco lidera em valores absolutos, com uma arrecadação de R$ 93,6 milhões, o que representa uma alta de 35,5% em comparação ao mesmo período de 2024. O Ceará registrou o maior crescimento percentual entre os estados analisados, com um salto de 37,6% e arrecadação de R$ 78,3 milhões. Alagoas e Rio Grande do Norte também acompanham a tendência, com altas de 36,3% e 32,9%, respectivamente.
Para Elaine Fraqueta, presidente da Comissão Habitacional da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), os números refletem uma mudança de comportamento do consumidor. Ela pontua que o aumento no volume de apólices evidencia que o seguro passou a ser visto como uma peça fundamental na aquisição da casa própria. Segundo a executiva, o produto atua como um mecanismo de segurança financeira que protege tanto o patrimônio das famílias quanto a saúde do sistema de crédito imobiliário estadual.
PAGAMENTOS
A relevância social do seguro também se manifesta no volume de indenizações pagas, que retornam à sociedade em momentos de crise. Entre janeiro e setembro de 2025, as seguradoras desembolsaram cifras significativas para cobrir sinistros: Pernambuco recebeu R$ 26,2 milhões em indenizações, seguido pelo Ceará com R$ 19 milhões, Alagoas com R$ 16,9 milhões e Rio Grande do Norte com R$ 12,1 milhões. Esses valores reforçam o papel da proteção securitária diante de imprevistos que poderiam comprometer definitivamente a estabilidade financeira dos mutuários.
Edmir Ribeiro, presidente do Sindicato das Seguradoras Norte e Nordeste (Sindsegnne), explica que a cobertura habitacional é estratégica por atuar em duas frentes principais. A primeira protege a estrutura física do imóvel contra danos como incêndios, alagamentos e desmoronamentos. A segunda, e talvez mais crucial, garante a quitação do saldo devedor em casos de morte ou invalidez permanente do comprador. Dessa forma, o seguro evita que dívidas sejam herdadas por familiares em momentos de vulnerabilidade, ao mesmo tempo em que resguarda os bancos contra a inadimplência, mantendo o ciclo do crédito sustentável.