Gestão condominial: profissionalização e novos desafios marcam o cenário para 2026
A expectativa é que eleições de novos síndicos intensifiquem-se ente dezembro e março, período em que a maioria das convenções realiza o pleito
Clique aqui e escute a matéria
O mercado imobiliário brasileiro atravessa um período de transformações profundas que refletem diretamente na administração dos condomínios, onde vive atualmente mais de um terço da população do país. Com cerca de 520 mil empreendimentos movimentando aproximadamente R$ 190 bilhões anualmente, a complexidade dessa gestão tem impulsionado a busca por síndicos profissionais. A expectativa é que esse movimento se intensifique entre dezembro e março, período em que a maioria das convenções condominiais estabelece a realização de assembleias para a eleição de novos gestores que assumirão o compromisso de administrar o cotidiano coletivo pelos próximos anos.
DESAFIOS CONDOMINIAIS
O papel do síndico, amparado pelo Código Civil Brasileiro, extrapola o controle de pagamentos e a rotina administrativa. O advogado e síndico profissional Ewerton Gayo, com 15 anos de atuação no setor, observa que a demanda por especialistas dobrou no último ano, atingindo uma carteira de mais de 60 condomínios apenas em Pernambuco. Segundo o especialista, as exigências atuais demandam conhecimentos multidisciplinares em finanças, direito e manutenção técnica, além de uma comunicação transparente apoiada em ferramentas digitais que permitam aos moradores o acompanhamento de receitas e despesas em tempo real.
Além da eficiência financeira, a mediação de conflitos e a segurança jurídica tornaram-se pilares essenciais para a convivência harmoniosa e a valorização do patrimônio. Novas responsabilidades jurídicas surgem com decisões recentes dos tribunais, como a do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), que autoriza condomínios a restringirem ou proibirem locações por plataformas digitais, como o Airbnb, desde que tal norma conste na convenção. Esta autonomia permite que a gestão controle melhor o fluxo de pessoas e o desgaste das áreas comuns, atuando como guardiã da segurança e das decisões coletivas.
Outro desafio tecnológico e regulatório que recai sobre os síndicos é a adaptação dos prédios para veículos elétricos. Novas normas técnicas elaboradas pelos Corpos de Bombeiros, com validade em todo o território nacional, proíbem o uso de tomadas comuns para recarga e exigem equipamentos específicos com disjuntores exclusivos e botões de emergência. Em empreendimentos novos, o rigor é ainda maior, incluindo a obrigatoriedade de sistemas de exaustão e detectores de fumaça. Cabe ao síndico o papel estratégico de liderar essas modernizações, garantindo que o condomínio cumpra as normas de segurança e se mantenha valorizado no mercado imobiliário.