Em cinco anos, Recife ampliou em quase 200% lançamentos de imóveis
Capital pernambucana liderou número de lançamentos proporcionais no Nordeste e figurou em terceiro lugar no que diz respeito às vendas na região

O Recife foi a capital nordestina com maior crescimento proporcional de lançamento de imóveis ao longo dos últimos cinco anos. De 2020 a 2024, a capital pernambucana teve um salto de 198.66% no número de lançamentos, saindo de 1.954 unidades (em 2020) para 5836 unidades (em 2024). As vendas evoluíram 52,33% no mesmo período. Os estados do Nordeste apresentaram um crescimento de 88,07% no número de apartamentos lançados entre os anos de 2020 e 2024.
Os dados fazem parte do estudo ‘Mercado Imobiliário da Região Nordeste’, produzido pela Cbic em parceria com a Brain Inteligência Estratégica com dados de 73 dos principais municípios dos nove estados da região, incluindo as capitais.
No recorte entre 2023 e 2024, o Recife evoluiu 7,9% no número de lançamentos (de 5.410 para 5.836), com crescimento expressivo de 41,3% nas vendas, que saíram de 3.703 para 5.248, no período.
Regionalmente, Fortaleza (CE), foi a campeã do Nordeste em crescimento proporcional de vendas de apartamentos nos últimos cinco anos. Em 2024, foram comercializados 8.998 imóveis residenciais na cidade, número 85% superior às 4.865 unidades vendidas em 2020.
Segunda colocada neste comparativo, Maceió (AL) saiu de 2.908 unidades negociadas por ano, em 2020, para 5.248, em 2024 – crescimento de 80,46% – enquanto as vendas aumentarem 56% Salvador (BA) no mesmo período.
Segundo o presidente da Cbic, Renato Correia, Fortaleza apresentou um crescimento contínuo, com um salto expressivo em 2022 e 2024. “Isso pode estar associado ao aumento da oferta de imóveis para a classe média e nos padrões luxo e alto luxo, uma clara estratégia das empresas locais para atender a uma demanda local, assim como à atração de investidores e ao mercado aquecido impulsionado pelo turismo”, avaliou.
Já em relação aos lançamentos, liderado pelo Recife, Maceió vem em segundo lugar, saindo de 2.170 imóveis lançados para 5.167 (+138%) na mesma comparação. Fortaleza ainda foi a terceira capital nordestina em crescimento proporcional de lançamento de imóveis, com 108% de aumento, passando de 4.293 apartamentos novos colocados no mercado em 2020 para 8.946 unidades em 2024. Aracaju cresceu 102% e João Pessoa, 100%, nesse quesito.
NORDESTE ACIMA DA MÉDIA NACIONAL
Os estados do Nordeste apresentaram um crescimento de 88,07% no número de apartamentos lançados entre 2020 e 2024, enquanto no Brasil inteiro a alta foi de 50,81% no mesmo período. As vendas de unidades habitacionais também subiram na região ao longo desses cinco anos: foram 56,31% a mais, ante o aumento nacional de 39,98%.
Segundo o presidente da Cbic, esse crescimento proporcional da região se deve a uma combinação de fatores estratégicos e estruturais. “Após um longo período de incertezas, a forte presença do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) impulsionou os lançamentos e garantiu um fluxo importante de vendas, enquanto as incorporadoras adaptaram seus produtos à demanda regional. Além disso, o custo mais acessível dos terrenos permitiu preços mais competitivos, favorecendo a expansão do setor, entre outros fatores”, adianta.
A construção civil e o mercado imobiliário sempre crescem acima da média da economia nacional em momentos de expansão econômica, lembra Correia, e no Nordeste esse avanço foi ainda mais intenso, impulsionado pela valorização imobiliária em diversas cidades.
“O resultado é um mercado dinâmico, com maior oferta, vendas em alta e forte geração de empregos, consolidando a região como um dos principais polos de desenvolvimento do setor no Brasil”, explica o presidente da Cbic.
POTENCIAL ECONÔMICO
De acordo com o CEO da Brain Inteligência Estratégica, Fábio Tadeu Araújo, o crescimento no número de lançamentos e vendas também se manifestou no Valor Geral de Lançamentos (VGL), que é a soma do valor das unidades lançadas em um determinado período no mercado imobiliário, e no Valor Geral de Vendas (VGV), total estimado de receita que um empreendimento imobiliário pode gerar. “O VGL de 2024 foi 217,84% maior que o de 2020% no Nordeste e de 153% no Brasil. Já o VGV regional cresceu 114,18% nesse mesmo intervalo e o nacional, 126%”, diz.
MCMV
Para Araújo, a participação do Minha Casa, Minha Vida no Nordeste nos últimos dois anos garantiu uma base sólida de vendas no segmento econômico. Outro fator determinante apontado pelo especialista é o custo de produção mais acessível no Nordeste – com um tíquete médio inferior ao restante do país e terrenos mais baratos, foi possível criar uma oferta maior de imóveis. “Cidades como Aracaju, João Pessoa e Maceió se destacaram ainda pela forte valorização do metro quadrado, consolidando o Nordeste como um dos mercados imobiliários mais dinâmicos do Brasil nos últimos cinco anos”, pontua.
Outro dado trazido pelo estudo é que a participação do MCMV foi ainda mais expressiva na região. Os números de vendas do programa avançaram 118,88% no Nordeste nesses cinco anos e 14,95% no Brasil, e os lançamentos cresceram 49,22% na região e 43,03% no País.
"Nos últimos 24 meses a construção civil gerou mais de 46 mil novos empregos com carteira assinada na Região Nordeste. Cerca de 60% desse total foi no segmento de construção de edifícios”, ressalta a economista-chefe da Cbic, Ieda Vasconcelos.