Literária | Notícia

Filosofia contra fake news

Lourival Holanda atualiza a ideia do filósofo francês Michel de Montaigne, para quem a mentira é um mal que desfaz os laços coletivos

Por Fábio Lucas Publicado em 27/06/2026 às 21:16

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Hoje, toda mentira, mesmo de perna curta, prolonga o trajeto nas redes sociais. O compartilhamento de mensagens falsas ganha alcance impressionante com a tecnologia da comunicação em nossos dias, mas a reflexão sobre a nocividade dos rumores mentirosos vem de longe. E precisa voltar a ser feita, para que as pessoas não continuem acreditando – ou pior, descreditando, mas passando adiante – tudo que veem nas telas.
O filósofo Michel de Montaigne já se ocupava da questão no século 16. Como afirma Lourival Holanda em "Um homem livre: Montaigne", publicado pela Astrolábio, as considerações sobre a mentira e seus efeitos, feitas pelo filósofo há séculos, podem ser atualizadas para o contexto das fake news, que são mentiras distribuídas com naturalidade e sem responsabilidade, por tanta gente.
"As fake news provocam uma certa patologia da linguagem", defende Lourival Holanda.
"Se a cultura é um conjunto de sistemas simbólicos, amarrado num consenso social, a mentira, as fake news embaralham o jogo, sabotam o mecanismo da linguagem que permite a transmissão de uma confiança que compartilhamos com tantos em tantos lugares".
Então vamos combinar que a mentira viralizada provavelmente não é inocente. Embora a inocência de quem a passa para frente seja um instrumento de sabotagem, de erosão da confiança social recheada de consequências nas relações afetivas, familiares e até na política, sobretudo em épocas de eleições.
Montaigne tinha aversão à mentira. Certamente lamentaria a realidade forjada por quem mente ou alastra a mentira.

 

Divulgação
Escritoras em lançamento no Rio - Divulgação


Encontro na livraria

A Livraria da Travessa de Botafogo, no Rio de Janeiro, foi o local de lançamento de “Você leu os comentários?”, de Diana de Hollanda, em publicação do Teatro da Mente. Os poemas do livro foram escritos “a partir de comentários, mensagens diretas, transcrições, tutoriais e outros materiais retirados da internet”, levantando a questão de “como a linguagem digital organiza formas de atenção, violência, poder e pertencimento”. Na foto, a autora com Talita Tibola, uma das convidadas para a conversa antes da sessão de autógrafos.


Somos sol vivo

Na mesma Travessa, no Rio de Janeiro, a Harper Collins promove o lançamento de Aza Njeri, “Somos sol vivo: ensaios radicais sobre experiências da Vida”, na quarta, 1º de julho. Para a autora e pesquisadora, “o retorno às origens é um movimento fundamental para a recuperação da humanidade, da identidade e da profundidade crítica das diferentes visões africanas sobre quem somos e o que podemos realizar”. No evento, ela irá conversar com Maju Coutinho, Eliana Alves Cruz e Thula Pires, a partir das 7 da noite.


Periferia de letras

A Biblioteca Pública de Pernambuco recebe o Encontro Estadual da Periferia Brasileira de Letras (PBL), nesta quinta, 2 de julho, das 8h da manhã às 4 e meia da tarde. Organizada pela Biblioteca Comunitária Caranguejo Tabaiares, o evento tem na programação a apresentação da Pesquisa Nacional da PBL, rodas de conversa, e bate-papo com coletivos e organizações. Mais informações no Instagram @biblioteca.cct.


Caligrafias

A Maralto publicou edição comemorativa do livro de Adriana Lisboa, duas décadas depois da publicação original, em 2006. A nova edição, revista e ampliada com textos inéditos, traz poemas e narrativas curtas, com ilustrações de Gianguido Bonfanti. “Muita coisa mudou na minha sensibilidade, mas foi preciso respeitar a escritora que eu era naquele momento”, diz Adriana Lisboa, que possui obras traduzidas em mais de vinte países. Saiba mais no Instagram @maraltoedicoes.


Por onde começar?

Silvana Tavano e Isabela Noronha realizam aula online aberta e gratuita no próximo sábado, 4 de julho, sobre os modos de fisgar o leitor de um livro desde a primeira linha. No encontro, serão abordados “aspectos fundamentais que inauguram um diálogo permanente entre quem escreve e quem lê”. Será de 10h ao meio-dia. Mais informações no Instagram @cursoparaescrever.


Sesc na Flip

Foi divulgada a programação do Sesc na Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, de 22 a 26 de julho na cidade histórica do Rio de Janeiro. Entre os convidados, o pernambucano Marcelino Freire, a sergipana Thainá Carvalho e os baianos Anderson Shon e Abáz (Prêmio Sesc de Literatura 2025). Do Pará, irão Emiliana Marajoara e Daniel Munduruku. De Roraima, Jama Wapichana. E ainda, Eliana Alves Cruz e Fausto Fawcett, do Rio de Janeiro, e Luiza Romão, de São Paulo. Se depender de diversidade, as conversas vão ser ótimas!

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