Adolescência: ficção e realidade
Casos reais inspiraram a série de streaming que virou debate mundial sobre a vida virtual dos jovens e o estímulo à violência despercebida pelos pais

Foram notícias publicadas na imprensa, de crimes cometidos por adolescentes, que despertaram o interesse do ator e criador da série que vem sacudindo o debate sobre educação e cultura digital no mundo inteiro. “Adolescência” choca por ser intencionalmente realista, filmada em plano sequência, sem cortes, para dar ao espectador a sensação crua de ver o que estaria se passando na realidade. Em entrevista ao Globo, Stephen Graham diz que “como pais, tentamos dar aos nossos filhos o máximo de amor e orientação possível. Mas, no fim das contas, não temos controle sobre as escolhas deles. Há um sentimento de impotência nisso”.
O roteiro mostra a surpresa dos pais diante da acusação contra o filho de 13 anos acusado de assassinato. Uma história pesada que vem da realidade, não da fantasia. “O poder de uma boa ficção começa com a inquietação do criador, ao observar situações cotidianas que perturbam e fazem parar para refletir”, comenta em sua newsletter (www.lucianadegnone.substack.com) no Substack a escritora Luciana de Gnone. “Desde que comecei a escrever ficção policial, tenho convicção de que o gênero vai muito além de descobrir "quem matou". O crime é apenas um gatilho narrativo. O que me interessa de verdade é explorar o que há por trás: a violência silenciosa, a injustiça institucional, o preconceito estrutural”.
A violência silenciosa de um cotidiano encoberto pelo tempo nas telas é um dos tópicos mais discutidos e polêmicos levantados pela séria em cartaz na Netflix. Se os pais e responsáveis não têm controle sobre as escolhas de adolescentes, as escolhas dos pais e responsáveis – inclusive no ambiente escolar – precisam servir de orientação e exemplo para os jovens. De outra forma, as escolhas podem ser precipitadas e sem fundamentos nos quais se embasar. A série possui camadas que podem suscitar diversas análises, como a misoginia espalhada desde cedo entre os meninos, num ambiente social sem carências materiais. Para Luciana de Gnone, essa e outras histórias são “transformadas em narrativas com o objetivo de tocar. A ficção que brilha é aquela que escancara a realidade com a força da arte”.
Literatura na educação
Realizada pelo governo do Estado desde a sexta, 4, até o domingo, 13, a Bienal do Livro do Ceará conta com integração de políticas públicas entre a cultura e a educação. Somando os recursos do estado e do município de Fortaleza, os professores da rede pública de ensino estão recebendo, no total, R$ 5 milhões em vales para comprar livros no evento, em qualquer um dos quase 200 estandes que expõem mais de 100 mil títulos. Na capital, são duzentos reais para cada professor, em investimento acima de R$ 3 milhões.
Blogs literários
Participo neste domingo, 6, de bate-papo sobre “Os blogs literários e o jornalismo: um periódico moderno?”, na Bienal do Livro do Ceará, em Fortaleza. Estarei com a jornalista e escritora Mirelle Costa, do Não precisa ser fake!, e Kelly Garcia da Sopa de Livros. A conversa faz parte do Encontro de periódicos e revistas literárias. Na sala 7 do 1º Mezanino Oeste, às 11h da manhã.
Negritude e masculinidade
Escritores em evidência pelos padrões que desafiam, Airton Souza e Jeferson Tenório conversam sobre “Negritude e masculinidade: ficção brasileira”, com a mediação de Rômulo Silva. Neste domingo, 6, às 18h, na Bienal do Livro do Ceará, em Fortaleza.
A palavra que dança
Encontro de mulheres potentes na Bienal do Livro do Ceará, neste domingo, 6. Às 18h, Andrea del Fuego e Aline Bei conversam com Ana Karine Garcia sobre “Mulheres que escrevem, histórias contam” no Pavilhão Térreo Oeste. Em seguida, Aline Bei, Geni Nuñez e Luiza Romão debatem “Às margens do cânone: a palavra que dança”, com a mediação de Sara Síntique, a partir das 7 da noite, na Arena Henriqueta Galeno.
Quem manda é o fio
A Livraria Martins Fontes, em São Paulo, recebe o lançamento do escritor e cartunista Roberto Pinto (Topin) pela Cajuína, neste domingo, 6, a partir das 3 da tarde. A obra “Quem manda é o fio” mostra às crianças como funciona a instalação elétrica de suas casas.
Crônicas eternas do futebol
Mesa redonda e roda de samba fazem o lançamento, nesta segunda, 7, da coleção “Crônicas eternas do futebol”, no Rio de Janeiro. A coleção que é um clube de assinatura reunirá textos de mestres da crônica considerados “craques das letras”. Juca Kfouri, Geraldo Mainenti, Martha Esteves e Sérgio Pugliese participam do debate “A crônica esportiva como gênero literário”. Mainenti é o curador da coleção. O primeiro livro é de Mário Filho, irmão de Nelson Rodrigues. No restaurante Sat’s, em Botafogo, a partir das 18h30. Para assinar e adquirir, acesse www.cronicasdofutebol.com.
Proteu & Eu
A Benvinda Editora lança o romance do escritor e historiador Luiz Fernandes de Assis, na terça, 8, em Belo Horizonte. “Proteu & Eu” faz um “um jogo entre o passado histórico, real, e o momento presente, ficcional”, de acordo com a divulgação. O protagonista é um escritor em processe de criação do terceiro romance. A noite de autógrafos está marcada para iniciar às 18h30 no Café Mellita do Minas I, na capital mineira.
FLITI
A segunda fase da 5ª edição da Feira Literária Internacional de Tiradentes, na cidade histórica em Minas Gerais, começa nesta quarta, 9, e segue até o domingo, 13. Entre os participantes confirmados, figuram Mona Vilardo, Micheliny Verunschk, Mary Del Priore, Heloisa Perissé, Ondjaki, Milton Hatoum e Guto Lins. Saiba mais no site www.fliti.org.br.
Franceses no Brasil
A Livraria da Travessa de Botafogo, no Rio de Janeiro, terá na quarta, 9, o lançamento da segunda edição de “Franceses no Brasil – Séculos XIX-XX”. Organizado por Laurent Vidal e Tania Regina de Luca, a obra publicada pela Unesp traz um mapeamento da presença francesa em todas as regiões do país. O evento começa às 7 da noite.
Prêmio Hermilo
Na quinta, 10, o governo de Pernambuco abre as inscrições para o 11º Prêmio Hermilo Borba Filho de Literatura, que contempla obras de autores de todas as regiões do estado. Os interessados podem se inscrever até 20 de maio. Outras informações no site www.cultura.pe.gov.br.
Virginia
A Caixa Cultural traz ao Recife a peça “Virginia”, com Cláudia Abreu, de quinta, 10, a sábado, 12. A peça, dirigida por Amir Haddad, é inspirada na vida da escritora britânica Virginia Woolf. Mais informações no Instagram @caixaculturalrecife.
Daniela Arrais
A jornalista e escritora Daniela Arrais mata saudades dos ares pernambucanos nesta quinta, 10. No lançamento de seu livro “Para todas as mulheres que não têm coragem”, publicação da Best Seller. Haverá bate-papo com Clarice Freire e Fernanda Pessoa. Na Livraria do Jardim, no Recife, a partir das 7 da noite.
Tour das Bienais
A influenciadora pernambucana Larissa Viana, do perfil literário Aldeia de Livros, participa da Bienal do Livro do Ceará, em Fortaleza. Com o projeto Tour das Bienais, Larissa percorre os eventos no Brasil, em conversas sobre os desafios e oportunidades para criadores de conteúdo literário. “É a minha primeira vez no Ceará e na Bienal e não vejo a hora de conhecer novos leitores, compartilhar experiências com meus seguidores que não puderam vir, mas se sentem fazendo parte dessa aventura”, conta a influenciadora. Conheça o @aldeiadelivros no Instagram.
Montanhas de Diana
A editora Quelônio lançou o romance da escritora e pesquisadora Anna Maria Mello, que aborda uma jornada contra o câncer. Um “relato ficcional com inspiração autobiográfica”, segundo a divulgação. A protagonista de 45 anos é mãe de duas filhas adolescentes, e recebe o diagnóstico de câncer de mama. A autora é pós-graduada em Escrita Literária pelo Instituto Vera Cruz, e mestre em Crítica Literária pela PUC-SP. No Instagram: @anna.escritora.
Abraço entre livros
Um casal de jovens olha para uma pilha de ideias, fantasias e letras na Bienal do Livro do Ceará. A imagem é uma das cenas fisgadas na multidão que acompanha um evento literário como o cearense. Cena que deveria ser mais comum, em todo o país, e mais frequente, em cada cidade. Quanto mais próximos nossos jovens se sentirem dos livros – da diversidade, do acolhimento e do estranhamento dos livros – mais distantes podem ficar de riscos reais escondidos nos grupos, jogos e redes virtuais.
No Livronews
Como incentivar leitura de poesia para crianças e adolescentes, a Casa de Fernando Pessoa no Roteiro, o livro "A ciência das boas decisões", uma nova exposição no Museu da Língua Portuguesa, e a resenha sobre Gilberto Freyre e o judaísmo, em texto de Jacques Ribemboim. Leia no site www.livronews.com.br.