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Literatura plural na Bienal do Livro do Ceará

Evento começa nesta sexta com participantes de todo o Brasil, oferecendo feira, lançamentos, debates e atividades que reforçam a cultura nordestina

Por Fábio Lucas Publicado em 03/04/2025 às 17:58

A décima quinta edição da Bienal Internacional do Livro do Ceará tem início nesta sexta, 4, e segue até o domingo, 13, em Fortaleza. Iniciativa do Governo do Estado, em parceria com o Instituto Dragão do Mar e apoio do Ministério da Cultura, o evento é um dos maiores do Nordeste. O tema geral deste ano é “Das fogueiras ao fogo das palavras: mulheres, resistência e literatura”.

Edmar Soares
Maura Isidório é a coordenadora do evento - Edmar Soares

Coordenadora de Formação, Livro e Leitura e orientadora da Célula de Livro, Leitura e Literatura (CeLiv) da Secretaria de Cultura do Estado, Maura Isidório é a coordenadora geral da XV Bienal Internacional do Livro do Ceará. “É um desafio gigante. É preciso aliar os elos criativo, produtivo, mediador, trabalhar com as bibliotecas comunitárias e públicas municipais, e o grande público. Compreender a tessitura social e, a partir daí, juntamente com as políticas culturais, construir esse grande evento”, relata Maura Isidório. O público aproveita a programação inteiramente gratuita, ressalta a coordenadora. “Uma programação diversa, plural, atualizada com as demandas da sociedade. A Bienal do Livro do Ceará é sobretudo uma entrega política, porque está alinhada com as demandas sociais. A política pública precisa representar as necessidades sociais”, define.

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Sarah Diva é uma das curadoras - Divulgação

Programação plural - A escritora Sarah Diva Ipiranga é uma das curadoras do evento, num time de mulheres que conta ainda com Nina Rizzi, Amara Moira e Truduá Dorrico. A Bienal do Livro do Ceará é um evento de grande porte com uma programação diversificada que atende a múltiplos públicos. “Justamente por essa amplidão, a curadoria procura montar uma programação diversificada e plural, que busque alcançar os vários públicos que visitam a Bienal. Aliás, sua própria estrutura, dividida em eixos, já tem esse norte: juventudes, infâncias, oralidades, leituras etc”, diz Sarah. Segundo ela, o tema da Bienal 2025 ressalta o papel da mulher na construção da história e da literatura brasileiras. “Quem somos nós, quem fomos e o que queremos ser! Assim, as autoras convidadas têm destaque especial no cenário literário e cultural do país, com vozes de todas as regiões do Brasil, em gêneros e perspectivas as mais plurais”, aponta a curadora.

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Mileide Flores traz debate sobre o mercado - Divulgação

O livro e seus mercados - Coordenadora de um dos eixos temáticos da Bienal cearense, Maria do Socorro Sampaio Flores, conhecida como Mileide Flores, participou por quase 20 anos da organização do evento, e foi sua coordenadora geral em 2017. O encontro “O livro e seus mercados” é realizado desde a edição de 2019, e este ano retorna com a proposta de discutir o acesso à leitura e os desafios do mercado editorial no Brasil, entre outros enfoques. “A Bienal Internacional do Livro do Ceará é parte da política pública para a cadeia do livro da Secult/CE. O eixo sobre o Mercado faz parte do pensamento macro dessa política debatida na Bienal”, diz, recordando que “O Livro e seus Mercados” está em sua 3ª edição. “Na primeira, deu-se ênfase sobre as reflexões das políticas que envolvem a cadeia do livro. Na segunda, girou em torno das fragilidades, amadorismo e tendências e, na terceira, o foco é a leitura”. De acordo com Mileide Flores, a relação com o tema deste ano se dá no âmbito da política como referência para a construção/avaliação de um plano estadual para o segmento.
O evento é uma mostra de como o mercado nordestino participa do cenário nacional. “Milito nessa área há mais de 25 anos e percebo o Nordeste menos frágil. Na última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, a região aponta como a 2ª que mais compra livros e que mais lê, ficando o Ceará com média (54%) de leitura acima da média nacional (47%). Outro dado é que a região possui o menor percentual de não consumidores e a maior preferência por compras online (61%), refletindo um problema de ausência de livrarias”, avalia.

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O escritor Mailson Furtado - Divulgação

Espaço de debates - Vencedor do Prêmio Jabuti com publicação independente em 2018, o escritor Mailson Furtado é um entusiasta dos encontros proporcionados pelo evento. “É o espaço-mor do encontro da literatura feita no e do Ceará. Há três décadas a Bienal se mantém firme e viva, consolidando-se como um dos maiores eventos do país, fundamental para o fortalecimento do campo do livro nas suas diversas frentes. Além disso, como um espaço de debates, suas discussões acabam por ecoar e desenhar ações ao longo dos meses e anos seguintes para o seu entorno de abrangência”.
Mailson Furtado analisa a interação entre os eventos literários e a divulgação nos meios digitais. “Hoje, mais que nunca, a divulgação digital é parte inerente do mercado do livro no Brasil. O que antes era função da imprensa e parte da crítica literária, em divulgar a literatura, hoje passa de maneira inconteste pelas mídias eletrônicas. Dessa forma, um evento com a Bienal do Ceará faz-se necessário espaço para debates sobre tal temática, vislumbrando suas demandas e potencialidades”, acredita.

A expectativa para a Bienal - Entre o esperado pela tradição e as surpresas de cada edição, Sarah Diva Ipiranga conta que há uma “expectativa maravilhosa em relação à Bienal no nosso estado. Ela envolve a população com os livros, as sessões de leitura, os lançamentos, os autógrafos, os cordéis, o café literário, os seminários, oficinas... É aquele momento muito esperado que enfim se concretiza de portas abertas (o evento é totalmente gratuito)”. Para Mileide Flores, a Bienal cearense “sempre nos surpreende. Desde sua origem, em 1994, ela é pautada por uma programação intensa para todas as idades. Desde 2004/06 a Bienal Fora da Bienal, hoje Bienal adentro, cumpre um papel democrático e includente ao ir ao encontro do outro, que por motivos vários não se deslocam até o Centro de Eventos, como: asilos, prisões, tribos indígenas, bairros periféricos, cidades do interior etc. Por isso, a população do Estado se sente coautora”.
A coordenadora Maura Isidório concorda que o evento traz sempre grande expectativa. “E também um profundo encantamento. Os cearenses abraçam a Bienal. A gente percebe a alegria no olhar das pessoas. É muito bom ver o brilho nos olhos dos alunos e alunas quando chegam para a visitação escolar. É muito bom presenciar isso a cada Bienal, esse grande evento do livro, leitura, literatura e bibliotecas”.

Confira a programação completa no site www.bienaldolivro.cultura.ce.gov.br.