Novas profissões: economia de baixo carbono e sustentabilidade vai criar novas profissões em ao menos 16 novas ocupações
Confederação acredita que os novos profissionais devem ganhar relevância até 2035, no chão de fábrica na indústria e em outros setores
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O que leva uma pessoa que quer entrar no mercado de trabalho a ser uma especialista em economia circular? Ou um gestor de riscos climáticos? Ou então se tornar especialista em finanças verdes? Ser um engenheiro de armazenamento de energia ou se tornar um facilitador para a cultura da sustentabilidade?
Acredite: muitas dessas novas ocupações ainda nem foram oficializadas pelas empresas na hora de contratar funcionários voltados para sua atuação em sustentabilidade. Mas nos meios de formação de pessoal para a indústria, muita gente já sonha com novas carreiras. Porque a transição para uma economia de baixo carbono vai ampliar a demanda por profissionais com novas competências na indústria.
A expectativa é tão grande que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) encomendou um estudo ao Observatório Nacional da Indústria, que identificou 16 perfis profissionais que devem ganhar relevância até 2035 e apresenta propostas para aproximar a qualificação às necessidades do setor.
O levantamento será apresentado pela CNI nesta segunda-feira (3), por ocasião da São Paulo Climate Week, no High-Level Roundtable on Green Skills and Jobs, evento que reúne especialistas para discutir transição justa e qualificação profissional para a economia de baixo carbono.
O documento mostra que a transformação da indústria vai além da implementação de novas tecnologias. O cenário demanda profissionais com conhecimentos técnicos atualizados, competências focadas em inovação, gestão da sustentabilidade e capacidade para desenvolver soluções relacionadas à descarbonização, à economia circular, à digitalização e à adaptação às mudanças climáticas.
E segundo o especialista em Política e Indústria da CNI, Marcello Pio, “embora a oferta de cursos no país tenha avançado em áreas como energias renováveis e gestão ESG, identificamos lacunas em áreas emergentes, mas fundamentais para a economia verde”.
E é claro que entre as novas ocupações está a questão da inteligência artificial aplicada à sustentabilidade, rastreabilidade ambiental, gestão de riscos climáticos, armazenamento de energia, hidrogênio de baixo carbono, mercados de carbono e economia circular.
O mapeamento reúne novas ocupações e competências que passam a integrar funções já existentes, acompanhando a evolução tecnológica da indústria.
A CNI participa da programação da São Paulo Climate Week entre os dias 3 e 5 de agosto, com debates sobre transição justa, mercado de carbono, combustíveis sustentáveis, descarbonização da indústria e a preparação do setor privado para a COP31, que será realizada em Antalya, na Turquia.
O Observatório Nacional da Indústria (ONI) identificou 16 perfis profissionais alinhados às demandas da transição para uma economia de baixo carbono, que permitirão ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) atualizar seu portfólio de cursos para atendimento às necessidades deste setor.
Veja aqui os perfis dos profissionais da indústria até 2035
1. Gestor de descarbonização corporativa: responsável por inventários de emissões e estratégias de neutralidade de carbono (Net Zero);
2. Especialista em economia circular e valorização de recursos: atua em logística reversa e otimização dos fluxos de materiais;
3. Analista de dados para sustentabilidade: desenvolve painéis de indicadores ESG e sistemas de monitoramento ambiental;
4. Especialista em cadeias de suprimentos sustentáveis: avalia fornecedores e implementa sistemas de rastreabilidade digital;
5. Gestor de riscos climáticos e resiliência: coordena análises de cenários climáticos e planos de adaptação.
6. Especialista em tecnologias para transição energética: atua em projetos de eletrificação e integração de fontes renováveis;
7. Gestor de hidrogênio verde e combustíveis de baixo carbono: trabalha na viabilidade econômica e no planejamento de plantas industriais;
8. Especialista em IA para sustentabilidade: desenvolve sistemas preditivos e automatiza o monitoramento ambiental;
9. Arquiteto de sistemas de rastreabilidade ambiental: integra dados ambientais e gerencia certificações digitais com uso de blockchain – livro de registros digital e descentralizado que armazena transações de forma encadeada, tornando os dados imutáveis e à prova de fraudes;
10. Especialista em finanças verdes e investimentos sustentáveis: estrutura green bonds (mecanismos de captação de recursos em que o investidor empresta dinheiro a uma instituição sob a garantia contratual de que o valor financiará apenas projetos sustentáveis) e avalia riscos climáticos financeiros;
11. Gestor de transformação verde organizacional: lidera mudanças organizacionais e incorpora a sustentabilidade aos processos empresariais;
12. Especialista em materiais sustentáveis e química verde: pesquisa novos materiais de baixo carbono e avalia seus impactos ambientais;
13. Especialista em eficiência energética industrial: identifica oportunidades para reduzir consumo de energia, custos e emissões;
14. Engenheiro de soluções de armazenamento de energia: desenvolve sistemas de baterias e tecnologias baseadas em hidrogênio;
15. Consultor ESG e sustentabilidade: apoia a definição de metas, estratégias de compliance e relacionamento com públicos de interesse;
16. Educador e facilitador para a cultura da sustentabilidade: desenvolve ações de educação ambiental e engajamento de equipes.