Zeina Latif vê melhoras em 2027, mas adverte que baixa produtividade e demanda reprimida trava desempenho da economia brasileira
Economista falou para empresários pernambucanos a convite do LIDE em evento em que a Neoenergia anunciou R$ 10 bilhões em investimentos.
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Na conversa que teve nesta sexta-feira(3) por ocasião da apresentação dos investimentos do grupo Neoenergia em Pernambuco, na reunião do LIDE, a economista Zeina Latif - que já chefiou a área de estudo da XP - chamou a atenção para um aspecto pouco destacado nos cenários que seus colegas fazem sobre o cenário do Brasil pós-eleições, afirmando que o quadro que espera o presidente eleito não é tão negro como muita gente pinta.
Ela concorda que o problema é fiscal, já que o governo não consegue deixar de aumentar os gastos. Mas revelou que a equipe econômica já emite sinais de que é preciso moderação. Para ela, a questão é que não existe apenas o desafio de cortar gastos, mas fazer uma reforma estrutural porque depois que o OGU ficou mais de 90% comprometido, não há muito que fazer.
Lista de tarefas
Zeina Latif relaciona à lista de tarefas a questão da produtividade no trabalho - onde o Brasil simplesmente não consegue avançar devido à taxa de investimento baixa (17% do PIB) - o ambiente de negócios difícil, uma enorme insegurança jurídica - que se soma à carga tributária elevada - e uma base de educação falha como coisas por fazer.
O problema, advertiu Zeina Latif, é que chegou a cobrança do não aproveitamento do bônus demográfico. “A população brasileira começará a encolher em 2042, segundo o IBGE. Mas o que precisamos nos preparar é para a redução da População Economicamente Ativa ali em 2026.” E isso vai impactar na oferta de mão de obra antes desses 10 anos.
Forte indexação
Ela chamou a atenção para a questão da indexação da economia ao salário mínimo, que se tornou o problema a ser enfrentado pelo próximo governo. “Em 2026, disse a economista, chegaremos a 50% das nossas despesas previdenciárias indexadas ao salário mínimo. A Previdência não agüenta isso por muito tempo, disse.
Faz sentido. Uma década é muito pouco tempo para organizar a preparação de gente qualificada dentro do cenário na economia ancorada em IA. Esse é um problema que os estados do Sul, por exemplo, já começam a enfrentar e do qual Pernambuco precisa atuar rapidamente.
Baixa remuneração
Ela chamou a atenção para isso como limitador de crescimento pela baixa remuneração da população não qualificada para ocupar empregos de maior remuneração.
O Brasil vive um quadro do que chamamos de demanda reprimida. Existem o mercado e a população; há o desejo de consumo, mas falta a renda para aproveitar esse potencial. Zeina Latif apresentou um dado pouco divulgado pelo varejo, que é o de uma renda mediana (2024) de apenas 1.321,00 que contempla os benefícios sociais.
Pontencial de compras
Isso, na opinião da economista, trava o crescimento. Na prática, o que chama a atenção é que, quando se exclui desse valor o que essa população recebe dos programas do governo a preços de 2026, o potencial de compra é metade do salário mínimo (R$ 1.621,00). O que, convenhamos, não é algo expressivo.
Ela encerrou sua conversa com o que definiu como otimismo cauteloso, lembrando que o Brasil ainda assim vem elevando o seu potencial de crescimento e disse que o quadro externo, pela ampliação das exportações, nos confere maior resiliência. Mas o grande desafio é o aumento da produtividade, além do ajuste fiscal - que é um consenso entre todos os analistas. Não estamos tão mal, mas temos um grande conjunto de desafios pela frente, conclui Zeina Latif.
Noronha verde
No pacote de investimentos da Neoenergia duas coisas chamam a atenção. Investimentos superiores a R$ 350 milhões para ampliar a utilização de fontes renováveis em Fernando de Noronha, com a conclusão da implantação de sistema de armazenamento de energia em baterias e geração solar e as obras de expansão da infraestrutura elétrica em redes inteligentes onde a Neoenergia Pernambuco investirá R$ 560 milhões com instalação de equipamentos automatizados capazes de reduzir o tempo de interrupção do fornecimento, aumentar a resiliência do sistema de modo a tornar a operação mais eficiente em áreas estratégicas do Estado.
Sem pagar o Ecad
Conhecido como “O Maior São João do Mundo”. Campina Grande agora é conhecida pela inadimplência no pagamento de direitos autorais de acordo com a Ecad. A Prefeitura de Campina Grande (PB) apenas na edição de 2025 deixou de pagar os direitos de mais de 1.600 músicas executadas. Compositores e artistas como Rita de Cássia, Gonzagão, Dorgival Dantas, Cecéu e Petrúcio Amorim não receberam nada. E em 2026 também não recolheu o que deve.
Gastos de junho
As tradicionais festas juninas encerram o mês de junho movimentando a economia pernambucana. Segundo levantamento do Itaú Unibanco, segmentos diretamente relacionados às comemorações festivas registraram crescimento expressivo entre sexta, 26, e domingo, 28 de junho de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior (27 a 29 de junho).
Funding imobiliário
A Ademi-PE promove, nesta próxima terça-feira (7), almoço focado na atração do mercado de capitais para grandes projetos em Pernambuco com Marcus Anselmo (Terracotta Ventures), André Portela (Portela Soluções Jurídicas) e Bruno de Paula (Emeris Investimentos), convidados do presidente da associação, Leonardo Queiroz.
Queda do Bitcoin
Depois de registrar sua maior queda mensal desde 2022, o Bitcoin voltou a negociar abaixo dos US$ 60 mil, patamar que não era visto desde setembro de 2024. Embora o movimento tenha aumentado a cautela dos investidores no curto prazo, especialistas avaliam que a atual faixa de preço pode representar uma das principais oportunidades de entrada dos últimos anos para quem investe com horizonte de longo prazo. Apesar da queda, o Bitcoin voltou para um preço que, historicamente, coincide com médias móveis de longo prazo utilizadas como referência por investidores institucionais.
Fogo em Portugal
O calor vivido pela Europa chegou sob a forma de incêndios em Portugal. No distrito de Vouzela já consumiu mais de 12 mil hectares, há dois feridos graves. Hoje, ao menos 13 distritos em Portugal continental encontram-se em risco máximo de incêndio, com a persistência de temperaturas elevadas, de dia e de noite, o que levou o Governo a decretar situação de alerta.
Mas também há incidentes relevantes em Cinfães, no mesmo distrito, em Barcelos (Braga), em Arouca (Aveiro) e na freguesia de São Sebastião, concelho de Setúbal. A existência de plantações de eucalipto potencializa os incêndios especialmente em propriedades abandonadas pelos proprietários.