A nova era do chão de fábrica: como a IA redesenha a indústria
Em entrevista, Felipe Furtado, head do SENAI Futuro, projeta o impacto dos "gêmeos digitais" e defende urgência em letramento digital para operários
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A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser exclusividade dos escritórios de tecnologia e das produções de texto para se tornar o motor de uma transformação profunda no ambiente fabril. No entanto, longe das previsões apocalípticas de desemprego em massa, o avanço dos algoritmos exige, na verdade, uma reformulação radical nas competências de quem comanda e de quem opera as máquinas.
É o que aponta Felipe Furtado, head do projeto SENAI Futuro, em entrevista aos jornalistas Fernando Castilho e Laurindo Ferreira, no segundo episódio do JC Negócios Entrevista.
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De acordo com o especialista, o papel das instituições de ensino técnico agora é atuar como um farol estratégico para o mercado. "Falta para esse ecossistema um projeto de nação focado no desenvolvimento das novas competências.
O SENAI Futuro surge exatamente para antecipar o que virá e preparar os profissionais para as tecnologias que já estão batendo à porta", destaca Furtado.
O impacto dos Gêmeos Digitais
Uma das principais apostas dessa nova fase da automação industrial é o uso de simuladores avançados, conhecidos como "gêmeos digitais" (Digital Twins). No laboratório do SENAI em Santo Amaro, Recife, essa tecnologia já permite replicar o funcionamento de uma planta industrial inteira dentro de um ambiente virtual.
Na prática, a inovação permite que engenheiros e operários testem processos, calibrem parâmetros de pressão e temperatura, e corrijam erros operacionais em tempo real no computador, antes mesmo de tocar na estrutura física da fábrica.
O resultado é uma redução drástica nos custos de experimentação e um aumento expressivo na segurança e na produtividade do chão de fábrica.
Vanguarda automotiva e transição energética
O cenário pernambucano revela que a corrida tecnológica não avança de forma homogênea, mas alguns setores já despontam na liderança. Impulsionada pelas exigências severas e pela alta competitividade do mercado internacional, a indústria automobilística lidera a implementação de ferramentas de IA no Estado.
Logo atrás, o setor de energias renováveis e eficiência energética aparece como a segunda maior força nessa transformação.
Projetos voltados para o desenvolvimento de baterias de lítio e o hidrogênio verde — como os conduzidos no SENAI Park, em Suape — consolidam a transição para uma matriz industrial de baixo carbono fortemente ancorada em dados preditivos.
A pergunta que os humanos devem fazer
Embora a automação avance sobre atividades repetitivas, o fator humano permanece insubstituível na camada estratégica. Para Furtado, o grande divisor de águas entre o operário do passado e o profissional do futuro será a capacidade de exercer o pensamento crítico e a curadoria ética sobre os dados gerados pelas máquinas.
Diante do avanço das IAs generativas e dos sistemas preditivos, a lógica do trabalho se inverte. "A Inteligência Artificial trabalha com probabilidades e repetições, mas cabe ao ser humano validar e contestar as respostas oferecidas. Nessa nova dinâmica, saber formular a pergunta certa passou a ser muito mais importante do que simplesmente entregar a resposta", conclui o head do SENAI Futuro.
Confira o primeiro episódio
Cláudio Marinho, cofundador do Porto Digital, faz um resgate histórico da Inteligência Artificial e explica de forma geral como ele já está impactando o mercado de trabalho e os negócios.