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Por que os Estados Unidos estão taxando seus parceiros comerciais e apoiadores apenas para enfrentar a competitividade da China

Economia americana tentar reagir ao poderio competitivo do país para onde transferiu sua manufatura e que já é a segunda não mais rica do mundo

Por Fernando Castilho Publicado em 03/06/2026 às 12:40 | Atualizado em 03/06/2026 às 12:58

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A história ensina que os Estados Unidos ultrapassaram o Reino Unido como maior potência industrial mundial por volta de 1900. Impulsionados por inovações tecnológicas, infraestrutura ferroviária e o crescimento da produção de aço e petróleo. Alguns estudos chegam a precisar que foi em 1906 que o PIB americano superou o de todo o Império Britânico.

Também registra que o dólar substituiu oficialmente a libra esterlina como principal padrão monetário internacional em 1914, embora a transição formal tenha sido sacramentada nos Acordos de Bretton Woods, em 1944.

Foi quando os Estados Unidos emergiram como o maior credor global por terem financiado a II Guerra Mundial. Isso hoje é disciplina ensinada nas escolas de economia no primeiro período dos cursos de graduação. Os ingleses, naturalmente, não entregaram essa condição pacificamente. Reagiram muito, criaram centenas de leis e barreiras até se renderem ao mundo real.

Esse dado serve para explicar por que os Estados Unidos na era Donald Trump 2.0 enveredaram por um caminho de taxar o que parecia uma dificuldade competitiva independentemente de ser razoável ou não. De ser defensável ou não. De ser efetivo ou não.

E ao menos até 20 de fevereiro de 2028, quando ele deve passar o cargo ao 48º presidente, o jogo a ser jogado será esse, ainda que os Estados Unidos precisem usar toda sua força política, econômica e militar para se manter como a nação mais poderosa do mundo.

Esse cenário ajuda entender os movimento do tarifaço do começo do 2025, os embates com a Suprema Corte, o confronto com a China e a tolerância com o governo da Rússia e o choque que o presidente causou aos líderes da União Europeia quando lhe disse diretamente que não seria mais seu protetor e nem bancária mais sozinho a conta de ser a Polícia do Mundo.

E esse novo comportamento dos Estados Unidos está presente no comunicado desta terça-feira (2) do Representante Comercial dos Estados Unidos determinando, nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que os atos, políticas e práticas de 60 economias relacionados à falha em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado são razoáveis e oneram ou restringem o comércio dos EUA.

E está sendo mesmo muito curiosa a reação do Canadá; do Equador; da Indonésia; do México; do Paquistão e especialmente da União Europeia, acusados de não terem conseguido aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado.

E desse grupo, certamente, os que estão mais chocados são os 27 países da União Europeia. Depois do avanço social e de toda a legislação que escreveram, os seus dirigentes devem ter se sentido inexplicavelmente injustiçados.

Essa classificação, que provoca reações fortes do Brasil, certamente provoca reações muito mais críticas de países como a Austrália, Japão, Rússia, Cingapura, Suíça e até o Reino Unido, listados num grupo de outras 46 nações que estão a quilômetros delas em termos de avanços nas relações de trabalho.

Afinal, como compará-los a países como El Salvador, Honduras, Nicarágua, Nigéria e Venezuela. O que nos leva a perceber que os países desse grupo apenas justificam o objetivo central que é a República Popular da China.

Esse parece ser o objetivo do documento intitulado "Atos, Políticas e Práticas de Diversas Economias Relacionadas à Falha em Impor e Aplicar Efetivamente uma Proibição à Importação de Bens Produzidos com Trabalho Forçado." O que não invalida o objetivo de ampliar mesmo o alcance do objetivo do governo de cobrar taxas onde for possível. Ou até quando a Suprema Corte Americana proibir.

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Presidente Lula com Donald Trump - DIVULGAÇÃO

O texto assinado pelo embaixador Jamieson Greer é duro com os maiores parceiros de sete décadas dos Estados Unidos: “A falha dos nossos parceiros comerciais mais importantes em abordar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado é inaceitável. Isso cria uma dinâmica em que os trabalhadores americanos são forçados a competir globalmente em condições desiguais.”

Imagine o impacto dessas palavras em presidentes e primeiros-ministros dessas nações terem que responder à acusação americana de que “Não toleraremos mais essa disparidade. Alguns parceiros comerciais já tomaram medidas iniciais para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado, inclusive por meio do USMCA e de compromissos em acordos sobre comércio recíproco?”

E, de precisarem contra-argumentar a acusação de, ao serem investigadas, “não terem imposto efetivamente uma proibição de importação de trabalho forçado, o que é injustificável porque prejudica o objetivo universal de eliminar o trabalho forçado, que empresas que se valem de trabalho forçado produzam bens a um custo menor e que contribui para a burla das proibições de importação de trabalho forçado existentes?”

Toda essa acusação cabe como uma luva na China e até mesmo em vários países da lista. Mas na União Europeia, no Canadá e no Reino Unido, nações que nos últimos anos praticamente escreveram a legislação de ponta contra o trabalho degradante.

Mas o que parece claro é que o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) mira as vendas da China para esses países independentemente da condição de aliados e apoiadores do governo Trump. Afinal, estão na lista Argentina, Israel, Japão e Arábia Saudita.

Portanto, ao Brasil não cabe achar que isso decorre das posições do Governo Lula ou de alguma articulação dos filhos de Jair Bolsonaro. Assim como em relação à questão do mesmo USTR ao Brasil na questão da aplicação de medidas anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal, o que interessa é criar barreira contra a China e o que ela é capaz de entregar a cada um desses países. Eles não estão interessados em ouvir as nossas razões.

Talvez a única coisa que nos faça sentir melhor seja que estamos no grupo das maiores e das mais avançadas economias do mundo. Sabendo que o problema agora não é mais vender aos Estados Unidos. A nova ordem é cobrar taxa até de países para os quais a gente vende ou compra.

Naturalmente se esse país for a China. O verdadeiro destino do “Acts, Policies, and Practices of Various Economies Related to the Failure to Impose and Effectively Enforce a Prohibition on the Importation of Goods Produced with Forced Labor.”

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