O falso discurso de energia verde para datacenters no Brasil sem energia firme
Governo cria programa incentivando instalação de equipamentos com energia renovável quando usa térmicas para atender mercado na hora de pico no país
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Era uma vez o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, um programa criado pelo governo Lula , suspendendo a cobrança de tributos federais para a compra de máquinas e equipamentos destinados a centros de processamento de dados, cuja MP 1.318/2025, vencida no último dia 25 de fevereiro, perdeu validade por não ter sido apreciada por uma comissão mista que faria sua análise antes dos plenários da Câmara e do Senado e não chegou a ser instalada.
Sem uma lei que o ampare, o Redata agora depende de uma nova rodada de negociações no projeto de PL 278/2026 aprovado na terça-feira (24) pela Câmara dos Deputados, graças à articulação do líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), que agora depende da aprovação do Senado.
Ocupar espaço
O Redata foi criado pelo governo Lula, tentando ocupar espaço no mercado global de datacenters, no qual estão envolvidos vários países, especialmente os Estados Unidos, numa ação de instalar-se no Brasil, com o compromisso de atender a 10% do mercado interno, para que o país pudesse se beneficiar de uma nova indústria de armazenamento de dados, especialmente voltada para uso no desenvolvimento de processos de Inteligência Artificial.
Ele garante isenção de PIS/Pasep, Cofins e IPI na aquisição de equipamentos de TIC, importados ou produzidos no Brasil; exige apenas uma contrapartida de 2% do valor dos produtos adquiridos no mercado interno ou importados em investimentos em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Norte e Nordeste
E no caso de empreendimentos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a política prevê a redução de 20% dessas duas obrigatoriedades. Confiante na sua aprovação via MP, o governo Lula reservou R$ 5,2 bilhões para o Redata. E a partir de 2027, o programa contará também com os benefícios da Reforma Tributária.
O problema é que faltou combinar com Davi Alcolumbre, que não sentiu o Senado como ator num projeto dessa importância e fez cara de paisagem na hora de votá-lo depois de 118 dias de análise na Câmara Federal.
Uso da água
Com isso, o Redata, que vem tendo questionamento sobre a falta de políticas claras de uso de água, especialmente no Nordeste, para o funcionamento dos equipamentos, e de fragilidades legais sobre as condições de instalação em cidades que sofrem com falta d'água para consumo humano, ganhou mais tempo para ajustes, o que não agradou o setor.
Em nota conjunta, a Associação Brasileira das Empresas de Software e ABRIA (Associação Brasileira de Inteligência Artificial) e a Brasscom sustentam que o resultado é um retrocesso. "A ausência de incentivos adequados não penaliza apenas empresas e investidores. A recém-criada Associação Brasileira de Data Center (ABCD) adverte que a caducidade coloca em risco um ciclo de investimentos estimado em até R$ 1 trilhão até 2030.
Investimentos
Apesar das reclamações e dado o interesse do governo, ninguém acredita que Redata, com a aprovação de um projeto de lei, não seja aprovado. Até porque o governo faz uma renúncia fiscal estimada em R$ 7 bilhões, com o discurso de consolidar o país como líder em infraestrutura digital sustentável.
Mas ele tem algumas premissas defendidas pelo governo que vão precisar ser melhor escritas, especialmente as relacionadas ao uso de energia limpa, quando condiciona isenções fiscais à utilização de 100% de energia renovável ou limpa e de alta eficiência no uso da água.
Energia limpa
Tudo muito bom, tudo muito bem, mas o que o Redata não aborda é que, apesar de ter uma capacidade de produção de energia limpa (geração distribuída solar, solar e eólica), não dá para condicionar os benefícios fiscais ao uso integral de energia limpa.
Isso porque, ainda que durante o dia use apenas energia de fontes solares e eólicas, e à noite parte de energia eólica, toda data center precisa de energia firme 24 horas para funcionar.
Fornecedor
Assim, mesmo que o seu fornecedor garanta que entrega energia totalmente renovável, ele não tem condições de garantir isso, salvo se não tiver energia de hidrelétrica, de PCHs ou tiver um sistema de armazenamento (BESS).
No mercado esse discurso é aceito de divulgado como ação de marketing, mas quando uma empresa afirma que comprou um pacote de energia verdade para suprir 100% de suas necessidades todo mundo no setor sabe que isso depende e outras fontes não raro de térmicas já que no Brasil não existe folga de energia produzida por hidrelétrica.
Comprando tudo
Até porque o ONS compra o que tiver disponível de modo a reduzir as necessidades de energia térmica, que é muito mais cara. Na operação real, essa troca de energia entre diferentes regiões e fontes chama-se grid. Que considera da rede elétrica à malha de distribuição e transmissão de energia que interliga os geradores (usinas) aos consumidores finais (residências, indústrias, comércios).
Não é nada errado, mas expõe a verdade contrapondo o discurso de marketing das empresas querendo se apresentar como ambientalmente corretas, induzindo o consumidor a acreditar que usa energia apenas de uma planta solar ou eólica.
Muita energia
O problema do Redata é que ele vai consumir muita energia. Em 2024, os data centers consumiram cerca de 8,2 TWh, representando aproximadamente 1,3% a 1,7% de toda a energia elétrica consumida no país.
Mas segundo o ONS, pode chegar a 13,2 GW até 2035. Ano passado, o Ministério de Minas e Energia (MME) registrou um salto de 330% nos pedidos de conexão de novos data centers entre 2024 e 2025, com 52 pedidos registrados.
Sem garantias
Os números falam por si, especialmente em relação ao que o setor vai precisar comprar de energia firme para complementar o discurso de 100% de energia renovável.
Porque quando se junta o que o Brasil já concede de subsídios para as fontes renováveis e que são cobrados na conta de energia de todo consumidor, mais a compra de energia firme de que as empresas do Redata vão precisar, não dá para dizer que isso vai chegar ao preço da tarifa de alguma forma.
Consumidor
No fundo, o celebrado mercado do Redata pode até mesmo consumir parte da energia firme que a Aneel pretende comprar no próximo leilão de capacidade previsto para este ano. Um risco que não precisa de nenhum agente de Inteligência Artificial para se prever que pode se tornar real.
Conversa sobre açúcar e álcool
Nos dias 11 e 12 de março, em Ribeirão Preto, tem a 10ª edição da DATAGRO Abertura Safra Cana, Açúcar e Etanol, encontro que inaugura a agenda estratégica do setor sucroenergético no país e marca o início do planejamento da safra 2026/27, reunindo executivos de usinas, tradings, produtores, representantes do setor automotivo, especialistas em energia, autoridades e investidores, que participam dos debates.
A agenda inclui ainda temas como integração e diversificação na América Latina, implementação de biocombustíveis no transporte marítimo e perspectivas para o plantio de beterraba na Europa, além de atualizações sobre o acordo Mercosul-União Europeia, mas a preocupação é mesmo a queda dos preços internacionais do açúcar e do etanol que desorganizou o caixa das empresas mais uma vez.
Consumidor corujão
Uma pesquisa CX Trends 2026, realizada pela Octadesk, plataforma de atendimento da LWSA, em parceria com o Opinion Box, revela que 54% afirmam realizar compras à noite ou na madrugada, perfil definido como o “consumidor corujão". É que 67% dos entrevistados afirmaram ter desistido de uma compra pelo frete alto, mas 56% desistiram com medo de golpe/empresa não confiável.
Perito em tatuagem
A 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina negou, em decisão unânime, um recurso do Ministério Público e manteve a absolvição de um homem acusado de furto qualificado e de corrupção de menores ao recusar o reconhecimento de um suspeito por tatuagem, definindo que para isso seria necessário suporte técnico-pericial para ter validade penal.
Os juízes decidiram que a análise puramente visual e leiga das tatuagens, por meio de vídeos de segurança, não tem rigor científico para atestar a autoria de um crime.
Fertilizante da Petrobras
Agora vai. A Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-3), em Três Lagoas (MS), finalmente ganhou um cronograma oficial de conclusão. Ela foi incluída no Plano Estratégico da Petrobras para o quinquênio 2025-2029.
Atualmente, a obra está com cerca de 80% de conclusão, mas, devido ao longo período de paralisação, é necessária uma atualização rigorosa dos custos e da integridade da estrutura. Caso a passe nessa avaliação, a previsão é que a fábrica entre em operação total em 2028.
Meu banco digital
A maioria dos brasileiros com conta principal em bancos digitais e fintechs afirma estar satisfeitos com o serviço. O índice de satisfação chega a 88% e supera o registrado pela população com conta principal em bancos tradicionais, que é de 84%.
Mas uma pesquisa do Instituto Locomotiva, a pedido da 99Pay, conta digital da 99, revelou que 7 a cada 10 brasileiros bancarizados que têm bancos digitais ou fintechs como principal instituição financeira afirmam estar muito satisfeitos com a usabilidade dos aplicativos, a praticidade no dia a dia e a qualidade do atendimento .
Mulheres no comando
Nesta terça-feira (3), Brasília recebe o WEForum 2026, que acontecerá no Royal Tulip Brasília Alvorada, reunindo lideranças empresariais, representantes governamentais e organizações internacionais em uma agenda estratégica voltada ao fortalecimento da presença feminina na economia global.
O evento, com o tema “Mulheres que criam, inovam e fazem”, é organizado pelo CMEC (Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura), em conjunto com a CACB, o SEBRAE e a CNI e integra a programação oficial do Movimento 2026, iniciativa coordenada pelo SEBRAE-DF.
A propósito...
De acordo com dados do LinkedIn, divulgados em 2025, as mulheres ocupam 31,8% dos cargos de liderança no Brasil, sendo que 43,4% da força de trabalho do país é feminina. Os números classificam o território como o 29º país com maior representação, tendo posições de gerência ocupadas por mulheres.
Asfora & Advogados
O escritório jurídico Asfora & Advogados Associados comemora nesta quinta-feira (5) 20 anos de mercado com comemoração especial no próximo dia 5 de março. O advogado Rodrigo Asfora reúne clientes e convidados às 19h, no Espaço Dom, no Pina. O escritório tem uma das maiores carteiras de condomínios do Estado de Pernambuco, representando mais de 70 clientes do segmento, e atua em situações ligadas a vícios construtivos, já tendo realizado dezenas de leilões em favor de seus clientes.