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Construtoras comemoram lançamento de R$ 10 bilhões em novos projetos, puxados por vendas no Entrada Garantida e no MCMV de maior valor

Mudança na legislação permitindo que imóveis de até R$ 255 mil construídos no Recife pudessem ser enquadrados no MCMV mudou o padrão do setor na RMR

Por JC Publicado em 25/02/2026 às 12:20 | Atualizado em 25/02/2026 às 12:25

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No final de 2024, através do Decreto Nº 57.933, o governo de Pernambuco modificou as regras de benefícios fiscais para operações com leite e seus derivados, garantindo incentivos fiscais contínuos para a indústria local.

O decreto garante um subsídio de 95% do ICMS para indústrias de laticínios, desde que estas comprem, no mínimo, 90% do leite produzido em Pernambuco. O setor de produção de leite e derivados de Pernambuco — que se espalha por 70 municípios do Agreste Meridional a partir de Garanhuns — explodiu e passou a produzir 3,5 milhões de litros por dia.

Em junho do ano passado, o governo do estado ampliou o teto de preço de um imóvel elegível aos subsídios do programa Minha Casa, Minha Vida, para R$ 255 mil, de modo que o mercado imobiliário pudesse desenvolver projetos igualmente elegíveis ao programa Entrada Garantida, em que o Estado paga R$ 20 mil para a entrada do financiamento junto à Caixa Econômica Federal de empreendimentos no município do Recife.

Os resultados vieram em apenas seis meses, com o setor da construção imobiliária lançando 2.728 unidades na capital e vendendo 2.488 unidades, parte delas em estoque, que as construtoras enquadraram nos novos parâmetros de encaixe do MCMV.

A modificação da legislação permitindo que imóveis de até R$ 255 mil construídos na capital estivessem no MCMV mudou o padrão do setor, que sempre se queixou dos preços dos terrenos que travavam projetos possíveis de serem enquadrados.

 

Mas foi a oferta de R$ 20 mil pelo governo do Estado para serem usados como pagamento da entrada no programa Entrada Garantida que fez o setor voltar a cotar terrenos na capital.

Nesta quarta-feira, o relatório da Consultoria Brian feito para a Ademi-PE mostra como o setor explodiu suas vendas, retirou dezenas de projetos das gavetas e chegou à marca de 76 empreendimentos lançados em 2025 e cravou vendas de R$ 10.133 bilhões depois de lançar 12.032 unidades no Recife e RMR.

Claro que as novas condições de negociação do MCMV para imóveis no Recife fizeram as construtoras passarem a lançar empreendimentos de grande porte nos bairros de Imbiribeira (17,9%), Várzea (14,9%), Vasco da Gama (9,6%), Dois Unidos (8,8%) e Passarinho (7,0%) que sequer faziam parte do core business das construtoras.

O padrão construtivo, o tamanho dos empreendimentos e a localização em vias com transporte público por ônibus na porta também foram incorporados.

No mercado acima da Faixa 1 - onde a prefeitura dá o imóvel às populações em situação de vulnerabilidade - o prédio caixão (terreno mais 3 pavimentos) foi substituído por projetos de 300, 400 e 50 unidades verticais construídos com paredes de concreto com apelo de boas áreas de lazer nos condomínios.

E, naturalmente, o governo do estado está comemorando a marca de R$ 200 milhões gastos em 10 mil contratos do Entrada Garantida, mas o setor viu perspectivas de ampliar sua base de negócios.
É verdade que a oferta final do padrão MCMV subiu de 30,9% para 32,9% no quarto trimestre de 2024 e 2025. Mas o crescimento se deu também no médio padrão (26,6%), Compacto (13,3%) e Luxo (27,2%), nos quais no Recife existe claramente uma insuficiência de imóveis na planta.

Na venda final, as construtoras não estão apenas vendendo mais porque no programa Morar Bem cobram R$ 3.715 pelo metro quadrado de seus imóveis no MCMV. Elas estão vendendo muito bem no segmento que está no MCMV, mas estão acima do Morar Bem, cobrando preços de R$ 5.958 o metro quadrado.

É uma realidade bem interessante e que dá precisão para os próximos anos, graças a um aumento de 33% no volume de unidades lançadas em 2025, em Recife, em relação a 2024; recorde histórico de unidades lançadas: 12.032 nos últimos 12 meses em Recife e RMR, e onde 65,4% dos lançamentos de Recife e RMR são de MCMV, e ter que gerenciar um estoque de apenas seis meses do mercado.

Segundo o presidente da Ademi, Rafael Simões, esse cenário reforça a proposta de que uma nova legislação para a cidade pode ser um instrumento de impulso necessário. É que quando se tem legislação urbanística estimulando a oferta, o mercado imobiliário reage rápido.

Segundo ele, no próximo trimestre é possível que Recife passe pela primeira vez na história a Região Metropolitana em unidades lançadas pela Minha Casa Minha Vida.

E provam que pequenos ajustes podem fazer a diferença. No ano passado, a Paulista aprovou a legislação de vaga livre, na qual o empreendimento não precisa ter uma vaga de garagem para cada apartamento construído. Esta semana foi a vez de Jaboatão dos Guararapes. Se essa legislação virar o padrão na RMR, os preços dos imóveis terão condições de se enquadrar melhor.

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