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Liquidação do Will Bank mostra como Vorcaro esteve perto de vender seu banco para o BRB e o risco disso para o Sistema Financeiro Nacional

Investigações revelam que banco estatal do DF comprou parte do Master antes da proposta de aquisição do controle acionário vetada pelo Banco Central

Por Fernando Castilho Publicado em 22/01/2026 às 0:05

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Em 2019, meses antes da pandemia do covid-19 e quando o Banco Central acelerou a política de estímulos à ampliação da oferta de serviços financeiros em plataformas digitais com a implantação das fintechs, uma delas, a Meu Pag!, mudou de nome para Will Bank e seu modelo de negócios evoluiu de operadora de pagamentos para um banco digital.

No ano seguinte, quando já tinha ganhado musculatura com receita de R$ 500 milhões, o Will Bank era um exemplo do modelo divulgado por Roberto Campo Neto como um caminho para a saída do domínio dos megabancos. Em 2021 o Will Bank recebeu um aporte da XP e da Atmos de R$ 250 milhões e chegou a uma receita bruta de R$ 800 milhões.

Super fintech

Em 2022, quando transacionou quase R$ 13 bilhões via cartão de crédito, o Will Bank anunciou a meta de superar os R$ 20 bilhões, em 2023 e cravou o número, foi quando em 2024 depois de uma reestruturação societária com aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central, o controle da Will Instituição de Pagamentos foi para o Grupo Reag, enquanto a Will Financeira foi para o Grupo Master.

Nesta quarta-feira (21), o BC determinou sua liquidação extrajudicial após concluir que a ele se tornou inviável depois de um período de administração especial temporária iniciado em novembro, quando a autoridade monetária ainda avaliava a possibilidade de venda da operação.

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No TikTok o Will Bank era dos influenciadores como MC Loma, Gracyane Barbosa, Danny Bond e Whindersson Nunes. - Divulgação

Influenciadores

O que separa a vida da Meu Pag! - que foi fundado em 2026 - do Will Bank é a sua relação com o banco de Daniel Vorcaro e um acréscimo de pelo menos R$ 6 bilhões que o Fundo Garantidor de Credito terá que pagar ao correntista da instituição em sua maioria do Nordeste onde ele se consolidou com uma performance nas redes sociais com sua publicidade feita no TikTok por influenciadores como MC Loma, Gracyane Barbosa, Danny Bond e Whindersson Nunes que o mercado financeiro sequer sabe de quem se trata.

Mas revela também como esse sucesso se aproximou do Banco Regional de Brasília que esteve perto de adquirir todo o conjunto de instituições do Daniel Vorcaro como informou, em junho de 2025, aos seus acionistas a aquisição de 58,04% do Banco Master, incluindo 49% das ações com direito a voto e 100% das preferenciais como meta para posicionar o BRB entre os 10 maiores bancos do país em volume de crédito.

Liquidação

Os desdobramentos que levaram à liquidação extrajudicial estão revelando detalhes interessantes. Como a constatação de que ao executar as garantias que tinham sido dadas pelo grupo Master para participar do seu arranjo de pagamentos, a bandeira americana Mastercard acabou ficando com 6,93% do capital do Banco de Brasília (BRB). Ou seja, o movimento da Mastercard acabou comprovando que Daniel Vorcaro já era dono de ao menos parte das ações do BRB a quem desejava vender seu banco.

A participação do Banco Master no BRB com parte do Will Bank - que a Mastercard executou as garantias - prova que o Banco Master participou do aumento de capital do BRB que deseja expandir seu patrimônio e estar entre os maiores bancos do Brasil. Até porque o forte do Will Bank era sua carteira de cartões de crédito que chegava a emitir mais de 200 mil unidades por mês.

Risco sistêmico

Mas também mostra o risco que o banco do Distrito Federal correu até que o Banco Central não autorizasse a compra do Banco Master e onde já se sabe que ficou devendo pelo menos R$ 2 bilhões, como confessou o ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, que liderava a operação de aquisição em depoimento no STF.

É que antes de ter a operação desautorizada, o BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras do Master, mas encontrou problemas de documentação e trocou cerca de R$ 10 bilhões desses ativos, o que resultou num saldo a descoberto de R$ 2 bilhões confessado por Paulo Henrique Costa, que, como se sabe, foi afastado da presidência da BRB no dia da liquidação do Banco Master.

Mastercard.

Para se entender o risco do BRB que está tentando verdear algumas de suas carteiras para recompor seu caixa, é importante entender o agravamento da crise do Will Bank que ficou evidente na última segunda-feira (19) quando ele deixou de cumprir sua grade de pagamentos junto à Mastercard.

A empresa de cartões então bloqueou a participação da instituição financeira no arranjo de pagamentos, suspendeu as transações realizadas com cartões emitidos, o que inviabilizou a continuidade das operações.

Assim, o Will Bank que estava desde 18 de novembro de 2025 sob intervenção do BC foi liquidado extrajudicialmente.

Dívida pendente

O problema é que além dos R$ 2 bilhões que não devolverá ao BRB, o Banco Master tinha outra dívida de quase R$ 1,8 bilhão do Will Bank com o BRB, o que confirmou a informação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de que o governo do DF precisava fazer um aporte de R$ 4 bilhões de saldo a descoberto na instituição.

Com isso está se fechando cada vez mais o cerco contra Daniel Vorcaro que tentou vender um banco que estava falido a uma instituição que já tinham ativos podres e que correu sério risco de ao assumir o controle do Máster vir a sofrer uma intervenção do Banco Central, o que de certa forma já existe uma vez que com a expulsão do presidente escolhido pelo governador Ibanês Rocha, obrigou o chefe do executivo do DF a nomear outro presidente.

Salvos pelo BC

Ainda não se sabe o que pode acontecer com o BRB depois das novas revelações do caso Máster. Com ativos de 74,5 bilhões, quase 10 milhões de clientes e uma carteira de crédito de 59,4 bilhões, guardião de R$ 17 bilhões em depósitos judiciais de vários tribunais regionais, o BRB tem condições de suportar o impacto.

Mas ele será sempre um bom exemplo do risco que instituições com sua característica podem correr quando tentam apressar o crescimento no mercado financeiro brasileiro. Até porque vai custar quase R$ 50 bilhões do FGC cuja contribuição do Master foi mínima.

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UBS tem cenário positivo para 2026 e 2027 na economia internacional do Brasil. - Divulgação

Para investidores locais, UBS traça cenário político do Brasil

Na conversa que tiveram na manhã desta quarta-feira para investidores pernambucanos o CIO do UBS WM, Luciano Telo e a diretora de macroeconomia do UBS EM para o Brasil, Solange Srour traçaram um cenário positivo da performance da economia global em 2026 e também do Brasil, a despeito das eleições de outubro avaliando que as manchetes políticas continuarão em destaque em 2026, mas a história sugere que seu impacto nos mercados financeiros costuma ser de curta duração.

Segundo Telo, embora a política comercial, a política interna e a geopolítica tenham contribuído para a volatilidade em 2025, os investidores voltaram a se concentrar em fundamentos econômicos sólidos, na queda das taxas de juros e em tendências de crescimento estrutural, como a IA e a economia seguiram sua trajetória sem se contaminar inteiramente.

Governo Trump

Ele reconheceu que um evento é fechado para os clientes e eles vão falar sobre macroeconomia e estratégias de investimentos para 2026 que os primeiros meses de Donald Trump, de fato, assustaram o mercado pela chegada de taxações numa nova postura dos Estados Unidos, mas que ao final do ano mostraram que as taxações não foram aplicadas em todo seu potencial e os países conseguiram se adaptar seguindo-se as ações de busca de novos mercados.

Aos investidores, Solange Srour recomendou as ações que, como se viu em 2025, tiveram uma excelente performance na B3, reservando os papéis de renda fixa como proteção.

Presidente do FED

Luciano Telo lembrou que a FED terá um novo presidente em 2026, com desafios pela frente, dados a alta inflação e a dívida, mas esperamos que a política monetária continue sendo amplamente favorável aos mercados, mas que as políticas de redução de juros estão se fortalecendo.

E disse que as eleições de meio de mandato nos EUA, em novembro, aumentarão o risco das manchetes, com todas as cadeiras da Câmara e um terço das cadeiras do Senado em disputa. Embora a retórica política possa se intensificar, a história sugere que os mercados normalmente ignoram os ciclos eleitorais.

Eleições de 2026

Ao falar sobre as eleições brasileiras, o CEO do UBS disse aos investidores que no primeiro semestre elas não terão impacto decisivo em termos de mudanças da condução da economia, embora no segundo com os novos eleitos seja possível que as expectativas para 2027 sejam impactadas.

Ele encerrou sua fala com uma mensagem otimista sobre o crescimento da economia brasileira em 2027 e previu que em 2026 os números positivos tendem a se repetir porque também aqui os mercados não se contaminam com as manchetes da mídia e traçam seus investimentos pensando em vários anos.

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Paulo Câmara conseguiu Capag B e fez em 2022 operação de crédito de R$ 300 milhões e o prefeito João Câmara também tomou R$ 300 milhões. - Divulgação


O BRB aqui

O Banco Regional de Brasília está vendendo sua carteira de empréstimos a estados e municípios estimada em quase R$ 1 bilhão. É um ativo bom porque tem garantia do Tesouro Nacional. O governo Paulo Câmara, quando conseguiu o Capag B, fez em 2022 uma operação de R$300 milhões e meses depois o prefeito João Câmara também fez um empréstimo de R$300 milhões quando também conquistou o Capag B. Os empréstimos do governo Raquel Lyra foram com a Caixa Econômica, Banco do Brasil e BNDES e Banco do Nordeste.

Carnaval 2026

A pesquisa estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) para o Carnaval de 2026, divulgada nesta quinta-feira (21), aponta para uma movimentação financeira recorde estimada em R$ 14,48 bilhões. Caso confirmado, esse volume de receitas representa um crescimento real de 3,8% em comparação ao mesmo período do ano passado, já descontada a inflação.

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Carnaval gera negócios com a venda de fantasias e adereços. - Divulgação

Renda no Carnaval

Estimativa da Prefeitura do Recife prevê que o Carnaval deve movimentar cerca de R$ 2,7 bilhões durante as festividades. E sabendo disso, o Senac Recife está com inscrições abertas para o curso "Maquiagem e Tranças: uma combinação perfeita para o Carnaval", que acontece na próxima segunda-feira (26), das 8h às 17h.

Também a Agência de Fomento de Pernambuco abriu linha de crédito para comerciantes que desejam empreender no período com R$ 3 mil para pagar em até 12 meses.

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BNDES abriu nova linha de crédito para caminhoneiros. - Divulgação

Frota de caminhões

O BNDES iniciou a operação de um programa de R$ 10 bilhões destinado à renovação da frota de caminhões no Brasil, oferecendo condições mais acessíveis para motoristas autônomos, frotistas e cooperativas.

Com taxas de juros estabelecidas entre 13% e 14% ao ano, a iniciativa permite o financiamento de veículos novos e seminovos fabricados a partir de 2012, com prazos de pagamento que chegam a 60 meses e carência de até meio ano para o início das parcelas.

A medida foca na modernização do transporte rodoviário, mas em anos anteriores os autônomos participaram pouco desse financiamento devido à falta de capacidade de pagamento. O que fez o dinheiro ir para as empresas.

Convenção de Vendas

A Tambaú Alimentos, líder na categoria Catchup no Nordeste, reúne seus representantes comerciais do Norte e Nordeste durante a convenção de vendas da empresa, nos dias 23 e 24 de janeiro, no Beach Class Convention, em Boa Viagem. O encontro vai apresentar o planejamento de ações para o ano e o lançamento de novos produtos.

Moradia

A MRV lança terceiro empreendimento na região do Fragoso, em Paulista, chegando ao Valor Geral de Vendas de R$ 300 milhões e mais de 2,3 mil unidades nesse complexo. O Pontal do Maracaípe chega com unidades de dois quartos e área de lazer completa.

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