Por Fernando Castilho da Coluna JC Negócios
A paralisação do Sindicato dos Rodoviários é uma dessas manifestações sindicais de uma categoria que tem poder para subjugar uma outra que não tem como se defender.
O trabalhador que é expulso do ônibus quando o motorista decide parar num cruzamento atendendo a uma “ordem” do sindicato não tem sequer o direito de ter sua passagem devolvida uma vez que o serviço não foi prestado.
É um violência travestida de reivindicação não contra a empresa, mas contra o cliente. Além disso perpetrada sem aviso. O passageiro não tem opção. Dependendo do lugar aonde deseje ir ou do lugar aonde trabalhe não tem a oportunidade de procurar uma alternativa. Terá que ir andando para seu destino.
O mais grave disso tudo é o Governo do Estado fazer cara de paisagem como se o assunto não lhe dissesse respeito. O Consórcio Grande Recife e a CTTU se limitam a observar o caos enviando mais uma dessas notas em apenas referendam suam incapacidade de atuação.
A manifestação dessa terça-feira (13) foi pela aprovação de um projeto na Câmara Municipal que não terá validade. O Recife é signatário do Consórcio Grande Recife que é quem decide as funções e obrigações dos prestadores de serviço. Não há, portanto, qualquer resultado pratico sobre a categoria. O município não pode legislar nessa questão.
O mesmo comportamento é observado pelas empresas que se limitam a recomendar ao seus motoristas que não se afastem do patrimônio. E assim o Recife viveu hoje mais um dia de caos sem que os passageiros ao menos fossem informados.
O sindicalismo brasileiro passa por um de seus piores momentos. E atitudes como a dos rodoviários apenas demonstram como as suas lideranças está desconectadas da realidade.
Quando uma entidade de trabalhadores age para prejudicar outros trabalhadores acaba se alinhando aos patrões. Seu protesto só reforça os argumentos das empresas por mais condições de financiamento do serviço que estão prestando.
No fundo, uma atitude de afirmação diante da categoria apenas revela que os dirigentes sindicais tentam apenas demonstrar a seus associados uma força que possuem embora isso seja contra outras categorias.
Exatamente aquelas mais frágeis que não tem condições de se defender. Não há por que ser solidário com tamanha violência. Mas não devemos esperar resultados. O governo, que é o poder concedente, vai continuar fazendo o que fez. Olhando o caos pelas telas de TV do centro de Controle.
Olhando a paisagem.
Comentários