Enem 2026: estudantes contam como encaram as provas, e professores destacam uso de IA e acolhimento na preparação
Principal porta de entrada para o ensino superior, esta edição conta com 5.055.818 inscritos confirmados, segundo dados do Ministério da Educação
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O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 será realizado nos dias 8 e 15 de novembro, em todo o país. Principal porta de entrada para o ensino superior, esta edição conta com 5.055.818 inscritos confirmados, segundo dados do Ministério da Educação (MEC).
A coluna Enem e Educação conversou com estudantes do terceiro ano do ensino médio para saber como eles estão encarando a proximidade das provas e quais os temas que temas gostariam de ver na redação. Os alunos também compartilharam estratégias e dicas que têm adotado na preparação para a maratona de questões.
Os professores, por sua vez, falaram sobre o uso de tecnologias, como a inteligência artificial (IA), como ferramenta de apoio aos estudos e destacaram a importância do acolhimento nesse período, especialmente para ajudar os estudantes a se sentirem mais seguros e preparados para o momento da prova.
No primeiro domingo, os candidatos responderão a 45 questões de Linguagens e Códigos e 45 de Ciências Humanas, além de fazer a Redação. A duração da prova será de cinco horas e meia.
No domingo seguinte, serão aplicadas 45 questões de Ciências da Natureza (Física, Química e Biologia) e 45 de Matemática e suas Tecnologias, com duração de cinco horas.
Para o aluno da Escola Técnica Estadual (ETE) Ginásio Pernambucano, João Miguel, 18 anos, ter feito o Enem como treineiro contribuiu para que ele ganhasse mais experiência com o formato da prova e aprendesse a administrar melhor o tempo destinado à resolução das questões.
“Em questão de familiaridade, eu já tenho desde o primeiro ano contato com os conteúdos e comecei a estudar desde então. É importante porque é uma prova extensa e, quanto antes você se preparar, melhor para saber como dinamizar e concentrar os estudos”, disse.
Para a aluna do Colégio Saber Viver (CSV), Sara Suarez, 17 anos, o Enem deste ano deve manter um nível de dificuldade semelhante ao da edição passada. Para ela, no entanto, a percepção sobre a prova também depende do nível de preparação de cada candidato.
“Eu acho que, em si, cada prova tem o seu nível de dificuldade conforme o aluno tem a sua rede de apoio. Então, quando um aluno está mais preparado ou menos preparado, tanto em questão de conteúdo quanto em questão de saúde mental, a prova pode ter um nível diferente”, disse.
Temas que poderiam ser abordados na redação
A redação é sempre uma das partes mais temidas pelos candidatos. Desde a edição anterior, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo exame, orienta que os estudantes valorizem o repertório autoral, explorando referências genuínas e bem relacionadas ao tema proposto e evitando o uso de referências prontas, decoradas e genéricas — conhecidas como “citações coringas” ou “repertório de bolso”.
Também houve críticas em relação a uma suposta mudança nos critérios de correção da redação do Enem. Segundo relatos de corretores, teriam ocorrido alterações na avaliação dos textos, mas o Inep negou mudanças nos critérios de correção.
Para o estudante da ETE Ginásio Pernambucano, Arthur Miguel, 17 anos, o tema da redação poderá abordar questões relacionadas às mudanças climáticas, à segurança pública ou até mesmo às eleições.
“Acho importante que a gente se prepare e tenha esse conhecimento do que está acontecendo para que, na hora da prova, consiga fazer as questões sabendo do que se trata. Eu acho que algum tema ligado à parte social, alguma coisa relacionada ao endividamento das famílias, segurança pública também, que são temas bem relevantes e fazem muito parte do dia a dia dos brasileiros. É interessante poder debater e colocar esse ponto de vista sobre um tema bem importante”, avaliou.
O aluno do CSV, Luca Felipe, 17 anos, também acredita que as mudanças climáticas podem aparecer na prova, mas gostaria de encontrar um tema relacionado à tecnologia.
“Eu gostaria de inteligência artificial, redes sociais ou impactos no meio digital. Eu acho que seria um bom tema para mim e eu gostaria de abordá-lo. Mas também acho possível o tema do meio ambiente, que não vem caindo nos últimos anos. Acredito que seja possível neste ano, no Enem”, afirmou.
Uso da tecnologia na preparação para o Enem
O professor de Língua Portuguesa da ETE Ginásio Pernambucano, Ígaro D'ávila, defende que a inteligência artificial pode ser utilizada como uma aliada, desde que haja compreensão de que ela é uma das ferramentas de apoio nessa preparação e de que não é possível confiar totalmente nos seus resultados.
"O que eu sou contra — e os alunos também percebem — é: não dá para confiar 100% na IA. Utilizá-la como uma ferramenta, sim, mas como suporte principal para a construção de um texto, para um material de pesquisa, para uma correção, ela não pode funcionar dessa forma", explicou.
"Então, o que eu peço a eles? Produzem, eu sugiro temas, sugiro possibilidades de raciocínio, e que eles configurem esses raciocínios à mão e peçam para que a IA corrija. O resultado, a correção não vai ser 100%, mas já vai dar uma direção, um norte para eles continuarem um melhor rascunho. E aí alguns dos textos eles podem vir trazendo a mim pouco a pouco", completou.
O docente também destacou que, diante das incertezas sobre como será feita a correção da redação neste ano, a estratégia tem sido oferecer aos alunos diferentes ferramentas para a construção de textos argumentativos, com atenção ao repertório e à prática. Segundo ele, o objetivo é ampliar a segurança dos estudantes e prepará-los para as mudanças percebidas na prova.
“A gente não sabe como é que vai ser o processo de correção desse ano. Então, o que eu tenho feito com os meninos aqui na escola e nós, enquanto equipe, é armá-los com o máximo de ferramentas possíveis e ensiná-los como utilizar essas ferramentas para a construção da melhor maneira possível de um texto de certo tipo argumentativo”, afirmou.
Preparação requer acolhimento e escuta
A preparação para a maratona de provas não é feita apenas de revisão de conteúdos e resolução de simulados, é importante que tanto a escola quanto a família dos estudantes acolham os estudantes a partir de suas demandas. A ansiedade e insegurança se potencializam a medida que a data das provas vão se aproximando.
"Através da escuta, a gente consegue entender: 'Ah, minha preocupação maior é com aquele branco que dá na prova.' Então, o que a gente pode fazer para identificar esse branco? É recorrente da falta de preparação ou é decorrente realmente da ansiedade que vem à tona, né, que realmente transborda em alguns momentos? E é comum, e a gente tem sempre trazido para eles que a ansiedade é inata ao ser humano. A gente só precisa tentar conduzir o caminho", explicou a coordenadora do Ensino Médio do Colégio Saber Viver, Hayalla Teixeira.
No planejamento, a escola busca compreender os sonhos e expectativas dos estudantes, estimulando a autonomia e o senso de responsabilidade. A família, nesse processo, passa a oferecer um apoio diferente, acompanhando a rotina, as relações com colegas e professores e o bem-estar do estudante, sem necessariamente cobrar tarefas.
Segundo Hayalla, essa rede de apoio entre escola, família e colegas é fundamental para que os alunos reconheçam seus próprios limites e compreendam que também têm o direito de descansar quando estiverem cansados.