Enem 2026 terá novo papel na avaliação da aprendizagem; ministro explica mudanças e próximos passos
Nesta edição, o Enem passa a ser integrado ao Saeb para contribuir com a avaliação da qualidade do ensino dos estudantes do 3º ano do Ensino Médio
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O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, que será aplicado em todo o país nos dias 8 e 15 de novembro, passará, nesta edição, a ser integrado ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) para contribuir com a avaliação da qualidade do ensino dos estudantes do 3º ano do Ensino Médio.
Mas o que muda, concretamente, na estrutura, na matriz e nos objetivos do Enem com essa integração?
Durante sua passagem pelo Recife, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, concedeu entrevista exclusiva à coluna Enem e Educação, na sede do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC), nesta quarta-feira (26), e falou sobre o futuro da avaliação, considerada a principal porta de entrada para o ensino superior no país.
“Para o estudante não muda. Este é o primeiro ano, é um ano-piloto, em que todos os concluintes da rede pública foram inscritos automaticamente no Enem", disse.
"A gente espera uma alta participação desses concluintes para que o Enem, que é uma prova em um ambiente controlado, uma prova que não só avalia Português e Matemática, mas avalia as questões de Ciências da Natureza, questões sociais, as questões de Ciências Humanas, agora possa avaliar a trajetória desse estudante”, explicou o ministro.
A transição para as edições do Enem de 2027 e 2028 será regulamentada pelo Ministério da Educação (MEC) por meio de uma portaria, que também deverá estabelecer como os resultados do Saeb 2025 serão utilizados no cálculo dos indicadores educacionais.
Segundo o MEC, a medida busca manter a comparabilidade dos dados históricos e também assegurar o acompanhamento das metas educacionais ao longo do período.
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Exame alinhado com o Novo Ensino Médio
Sobre possíveis mudanças na estrutura do Enem, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 3.227/2026, apresentado pela Frente Parlamentar Mista de Educação. A proposta prevê a adequação do exame à atual organização do Ensino Médio, com a inclusão tanto da formação geral básica quanto dos diferentes itinerários formativos, incluindo a educação técnica e profissionalizante.
O texto busca aproximar a avaliação das diretrizes curriculares em vigor e permitir que as diferentes trajetórias formativas dos estudantes também sejam consideradas no acompanhamento da qualidade do ensino.
O ministro da Educação afirmou que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) já trabalha com a possibilidade de adaptar o exame às mudanças implementadas no Ensino Médio, mas isso ocorrerá de forma gradual.
“Obviamente, o Enem tem que expressar aquilo que você aprende no Ensino Médio. Se houve mudança com o Novo Ensino Médio que nós reformulamos em 2023, a gente também tem que gradativamente mudar a prova do Enem”, disse à coluna Enem e Educação.
O ministro, no entanto, avaliou que o exame atual já apresenta características que permitem contemplar a diversidade dos estudantes brasileiros. Ele destacou a abrangência nacional da prova e a necessidade de considerar diferenças regionais e socioeconômicas na elaboração da avaliação.
“Imagine o desafio de você fazer uma prova só para todos os estudantes do Brasil, com as especificidades regionais, com as especificidades socioeconômicas de cada estudante, de cada escola, de cada rede. Então, o Enem procura ser esse exame universal, um exame muito democrático, que dá oportunidades a todos”, disse.
Segurança do Enem 2026
Na última edição, o Enem foi envolvido em uma polêmica após a identificação de similaridades entre questões da prova e conteúdos divulgados anteriormente nas redes sociais.
O caso ganhou repercussão depois que Edcley Teixeira, que oferecia mentora on-line preparatória para o exame, apresentou cinco questões semelhantes em uma transmissão ao vivo no YouTube, em 11 de novembro. Três delas foram posteriormente anuladas pelo Inep.
Teixeira havia participado do Prêmio CAPES Talento Universitário, no qual algumas questões servem como pré-teste do Enem. O MEC e o Inep acionaram a Polícia Federal (PF) para investigar o caso.
Questionado sobre a segurança da edição de 2026, Leonardo Barchini reforçou que o governo mantém investimentos contínuos para aperfeiçoar os mecanismos de proteção da prova
“É claro que, no Enem, nós continuamos investindo todo ano em melhoria da segurança. É uma corrida. Você imagina que são centenas de milhares de salas de aula em que aplicamos essa prova. São mais de 1.800 cidades no Brasil todo, são 500 mil pessoas envolvidas. Então, o sistema que envolve o Enem é um esquema de altíssima segurança”, declarou.
O ministro da Educação também defendeu a importância do Enem como instrumento de democratização do acesso ao ensino superior. Segundo Barchini, antes da criação do exame, cerca de 900 mil CPFs participavam de diveros vestibulares no país.
“É um patrimônio do estudante. Antigamente, para você concorrer a duas universidades federais, você tinha que fazer dois vestibulares e pagar uma passagem e viajar. Pouquíssimas pessoas tinham condições de fazer isso no Brasil”, disse.
A edição do Enem 2026 tem 5.055.818 inscrições confirmadas, segundo o MEC.