Férias podem impulsionar preparação para o Enem, desde que haja constância nos estudos

O uso de plataformas digitais ampliam o acesso à preparação para o Enem, mas é fundamental que os estudantes mantenham a disciplina e o foco

Por Mirella Araújo Publicado em 15/07/2026 às 12:49 | Atualizado em 15/07/2026 às 12:53

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Com as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 marcadas para os dias 8 e 15 de novembro, muitos estudantes aproveitam o período de férias escolares para intensificar a preparação.

Nesse cenário, a expansão das plataformas digitais de ensino tem ampliado o acesso a videoaulas, simulados, bancos de questões e planos de estudo, sobretudo para candidatos que vivem em cidades do interior ou em regiões com pouca oferta de cursos presenciais.

Apesar da praticidade e da flexibilidade proporcionadas pelo ensino on-line, o bom aproveitamento desses recursos depende de organização, disciplina e foco. "Eu sou muito fiel à ideia de que a grande questão para qualquer tipo de aprovação não está na quantidade de horas de estudo, mas sim na qualidade do estudo, em como se estuda", destacou o professor de História Nilton Vasconcelos.

"Se você mantiver uma boa rotina de estudos, com qualidade, as coisas tendem a fluir. Tanto no curso de férias quanto em outros momentos, o que vale para uma aprovação é a constância", completou o docente.

É justamente nesse ponto que os candidatos ao Enem devem buscar o equilíbrio entre manter a preparação em dia e garantir o descanso necessário. Segundo o professor, o período de férias também representa uma oportunidade para revisar a estratégia de estudos, avançar em conteúdos e corrigir eventuais lacunas.

"Parece contraditório fazer um curso justamente no período de férias, que seria um período para descanso. Mas eu trago isso para os alunos. Inclusive, no meu curso, a gente conversa bastante sobre isso: esse é um momento de descanso, mas também não pode ser um momento em que a gente vai negligenciar a preparação. A gente precisa organizar melhor o tempo para que todas essas coisas possam ser vivenciadas da melhor forma possível", afirmou.

Como escolher os conteúdos

Ao mesmo tempo em que as redes sociais reúnem uma diversidade de conteúdos voltados para a preparação do Enem, o professor de História Nilton Vasconcelos chama atenção para a importância de avaliar quais materiais realmente atendem às necessidades e aos objetivos de cada estudante.

"A gente percebe uma desorientação geral. Tem muita gente nas redes sociais, muitos professores que trabalham com concursos e vestibulares, cada um trazendo um método específico. Esses são caminhos para chegar à aprovação. Existem vários. Mas a gente vê uma coisa muito generalista, muito voltada para vender. Tenho uma preocupação realmente em pensar uma preparação que seja reflexiva para o aluno", afirmou o professor.

O que preocupa os estudantes

Diante das últimas polêmicas envolvendo o Enem — como o suposto vazamento de questões da prova de Ciências Humanas, posteriormente descartado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep); os questionamentos sobre a correção das redações, após apenas 12 participantes alcançarem nota mil na última edição; e mudanças como a utilização do Enem para compor o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) —, o professor afirma que, entre os estudantes com quem tem contato, essas discussões não aparecem como a principal preocupação.

Segundo Nilton Vasconcelos, a principal demanda dos candidatos tem sido compreender melhor o perfil da prova e direcionar os estudos aos conteúdos mais recorrentes.

"A maior preocupação que os alunos têm demonstrado nos últimos tempos é construir realmente uma preparação mais específica para a prova. Então, é saber quais são os conteúdos mais cobrados, saber como esses conteúdos vão ser apresentados dentro das questões. Porque a prova do Enem é uma prova extremamente interpretativa. Ela não vai cobrar somente a memorização do conteúdo", explicou.

"A gente precisa ver também a aplicabilidade. O Enem tem uma matriz muito valiosa de competências e habilidades e deixa bem claro o que ele quer do aluno. Muitas vezes, ele quer que o estudante consiga, a partir da situação apresentada na questão, elaborar uma resposta para o problema colocado e identificar determinadas dinâmicas do dia a dia que vão aparecer ali na prova", concluiu.

 

 

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