EJA: plataforma do MEC reforça a busca ativa no país; Pernambuco intensifica ações para ampliar o acesso à educação
O CadEJA reúne informações sobre a oferta e a demanda por matrículas na EJA em todo o país. Qualquer cidadão com 15 anos ou mais pode acessar
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A busca ativa na Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma estratégia importante para ampliar o número de matrículas na modalidade, mas deve ser compreendida como uma ação intersetorial voltada a identificar, localizar e rematricular jovens, adultos e idosos que não concluíram a educação básica.
Também é necessário que cada rede de ensino elabore estratégias de busca desses estudantes, considerando as especificidades de seus territórios.
Para reforçar essa iniciativa, o Ministério da Educação (MEC) apresentou, no último dia 28, o CadEJA, uma plataforma do governo federal que reúne informações sobre a oferta e a demanda por matrículas na EJA em todo o país.
Por meio da ferramenta, qualquer cidadão com 15 anos ou mais, sem escolaridade completa, pode registrar o interesse em voltar a estudar de forma prática e acessível, facilitando o encaminhamento para matrícula nas redes públicas de ensino.
Como funciona o CadEJA
Para se cadastrar, basta acessar a plataforma pelo site https://cadeja.mec.gov.br/ e registrar, de forma direta ou com apoio, o interesse em voltar a estudar. O questionário é simples, rápido e conta com recurso de áudio.
Após essa etapa, o gestor da rede de ensino passa a visualizar a demanda por meio de um painel exclusivo do CadEJA, que reúne dados sobre procura e oferta, incluindo a visualização georreferenciada de turmas.
Com base nessas informações, é possível identificar a opção mais adequada às preferências do estudante, como turno e localização. Em seguida, a rede entra em contato com o interessado para orientá-lo sobre o processo de matrícula.
Busca ativa impulsiona matrículas na EJA em Pernambuco
Em Pernambuco, a busca ativa escolar voltada a jovens e adultos que não concluíram a educação básica na idade regular vem sendo fortalecida com o apoio das 16 Gerências Regionais de Educação (GREs).
Atualmente, a rede estadual conta com 71.485 estudantes matriculados na EJA. Para o ano letivo de 2026, foram ofertadas 18.908 vagas para novos alunos, sendo 2.546 destinadas ao Ensino Fundamental (a partir de 15 anos) e 16.362 ao Ensino Médio (para maiores de 18 anos com o Fundamental concluído).
Em março, após a campanha de mobilização, foram registradas 16.207 novas matrículas. A iniciativa incluiu ações externas em feiras livres, terminais integrados de ônibus e outros pontos estratégicos de grande circulação em todas as regiões do estado.
“Um dos pontos centrais das discussões internas sobre a EJA em Pernambuco tem sido a atração dos estudantes. Além de um trabalho intenso de mobilização, inclusive com campanhas midiáticas, consideramos um avanço importante a presença de um profissional de busca ativa específico para a EJA em cada escola que oferta a modalidade, já que o trabalho é diferente do ensino regular", destacou Danilo Santos, secretário executivo de Desenvolvimento da Educação da Secretaria de Educação de Pernambuco (SEE-PE), em entrevista a coluna Enem e Educação.
O secretário-executivo acrescentou que também houve avanços voltados à permanência dos estudantes, como a garantia de kit escolar e fardamento, além do reforço no quadro de professores, especialmente no turno da noite, onde há maior concentração de turmas. Segundo Danilo Santos, essas medidas estruturais estão contribuindo para a redução da evasão e assegurando que os alunos não apenas ingressem, mas concluam a trajetória escolar.
Escola precisa fazer sentido para incentivar permanência
Diferentemente do ensino regular, grande parte dos alunos da EJA concilia estudo e trabalho, entre outras demandas do cotidiano, enfrentando cansaço e dificuldades de deslocamento.
Esse cenário exige maior flexibilidade das redes de ensino, com práticas pedagógicas adaptadas e um ambiente acolhedor, capaz de dar sentido ao processo de aprendizagem e estimular a permanência dos estudantes.
Na Escola de Referência em Ensino Fundamental (EREF) Cândido Duarte, no bairro da Várzea, a EJA tem representado uma oportunidade de recomeço para quem passou anos longe da sala de aula. Aos 52 anos, Ingrid da Silva retomou os estudos após mais de três décadas e destaca o acolhimento como fator decisivo para seguir. “Voltei a estudar porque acredito na educação, em um futuro melhor. Aqui encontrei apoio dos professores, da direção, de todos. Fiz novas amizades e não quero desistir porque a educação é o nosso futuro”, relatou.
A mesma percepção é compartilhada por Carlos Alfredo da Silva, 69 anos, que voltou a estudar após 50 anos afastado da sala de aula. “O que me motivou a voltar a estudar foi a tentativa de melhorar meu grau de instrução, já que estudei há muitos anos. Minha intenção é melhorar cada vez mais com o apoio dessa comunidade da escola. Pretendo fazer uma formação na área de História e, com a ajuda do meu professor, que é exemplo disso, certamente vou ter uma melhora significativa nos meus conhecimentos”, afirmou.
Além da formação básica, a EJA também oferece oportunidades de qualificação profissional no Ensino Médio, por meio de iniciativas como Ejatec, Proeja e Trilhatec. Estudantes de 19 a 24 anos matriculados no Ensino Médio da EJA que cumprirem os critérios de assiduidade e desempenho poderão ser contemplados com o incentivo financeiro-educacional do programa federal Pé-de-Meia.
A rede estadual conta, ainda, com quatro Centros de Educação de Jovens e Adultos (CEJAs), com oferta nos três turnos, localizados nos municípios de Petrolina, Arcoverde e Recife. Além das unidades regulares, também são oferecidas as modalidades EJA Campo e EJA Quilombola.