Formada em Letras-Libras pela UFPE, jovem de Barreiros vê educação como caminho de transformação

Ruth Arruda é professora de Libras no Instituto Nexus Social, em Barreiros, onde atua na formação de crianças, jovens e adultos

Por Mirella Araújo Publicado em 17/04/2026 às 11:47 | Atualizado em 17/04/2026 às 11:51

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Ao concluir o curso de licenciatura em Letras-Libras pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Ruth Mayra de Arruda Silva, 27 anos, passou a compreender a educação como instrumento de transformação social.

Natural de Barreiros, no Litoral Sul do estado, a 90 quilômetros do Recife, ainda na infância a família percebeu que ela não respondia aos chamados nem reagia aos sons. Com o diagnóstico de deficiência auditiva, a introdução da Língua Brasileira de Sinais (Libras) deixou de ser apenas uma estratégia pedagógica e passou também a representar um caminho para enfrentar situações de bullying na escola e nas ruas da cidade.

“Eu enfrentei muitos momentos difíceis na sala de aula, pela questão de meus colegas ouvintes não compreenderem, talvez, que eu tivesse alguma dificuldade e sensibilidade inclusive ao som. Isso foi um problema durante muito tempo. Muitas vezes tive que suportar jogarem bolinha de papel, os gestos me provocavam, e isso foi difícil porque você se sente humilhado por ser diferente em uma sala de aula", relatou. 

Durante essa trajetória, a família enfrentou outra ruptura. A mãe, Isadora de Arruda, 50 anos, foi abandonada pelo marido, que não aceitava a condição da filha. Sozinha, ela deixou o ambiente familiar e passou a sustentar as três filhas, apostando na educação como caminho de recomeço.

 

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Ruth Mayra de Arruda Silva ao lado da mãe, Isadora de Arruda durante formatura - Divulgação

Sonho de seguir a carreira docente

Hoje, Ruth é professora de Libras no Instituto Nexus Social, em Barreiros, onde atua na formação de crianças, jovens e adultos. A instituição também desenvolve ações de inclusão digital por meio do projeto E-Ducação 4.0.

 Ela também está concluindo uma pós-graduação e planeja ingressar no mestrado, além de prestar concurso público para seguir na carreira docente.

“A minha história já começou a impactar outras pessoas. Há colegas surdos cursando Letras-Libras na UFPE porque viram que é possível. Quero continuar sendo exemplo e contribuir para mudar vidas”, disse.

O Instituto Nexus Social, onde Ruth atua, atende atualmente 254 alunos no curso de Informática e 79 no curso de Libras. A proposta é ampliar o acesso à educação e à comunicação, especialmente entre pessoas com deficiência e estudantes da rede pública, criando caminhos para autonomia e inserção no mercado de trabalho.

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