Projeto de alunas pernambucanas vence feira científica e vai representar o Brasil no Paraguai

Alunas do Centro de Educação Integral Fernando Henrique Lucena, elas desenvolveram a pesquisa "Gestão Sustentável dos Manguezais de Igarassu"

Por Mirella Araújo Publicado em 07/04/2026 às 11:58 | Atualizado em 07/04/2026 às 12:17

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Um projeto desenvolvido por alunas de uma escola pública de Igarassu, na Região Metropolitana do Recife, utiliza sensores e microcontroladores Arduino para monitorar a qualidade da água. A iniciativa alia tecnologia e investigação científica ao território onde as estudantes vivem.

As estudantes Maria Giulia Batista Flores e Willyane Jessia Santos Lima, ambas de 14 anos, decidiram transformar curiosidade em ciência. Alunas do 9º ano do Centro de Educação Integral Fernando Henrique Lucena, elas desenvolveram a pesquisa “Gestão Sustentável dos Manguezais de Igarassu”, que utiliza dispositivos eletrônicos para monitorar indicadores ambientais, especialmente a qualidade da água.

O estudo conquistou o primeiro lugar na Feira Brasiliense de Tecnologia, Engenharia e Ciências e garantiu às jovens cientistas o credenciamento para apresentar o trabalho na Feira Departamental/Internacional de Ciência e Tecnologia, no Paraguai, evento internacional voltado à pesquisa estudantil realizado em outubro.

Como o projeto funciona

As estudantes instalaram sensores conectados a placas arduino capazes de registrar dados ambientais diretamente no ecossistema, com foco na análise do pH da água, indicador que pode revelar sinais de poluição ou desequilíbrios ambientais. A ideia é conseguir acompanhar de forma continua as condições da água nos manguezais. 

“Quando começamos a estudar o manguezal, percebemos que pequenas mudanças na água podem afetar todo o ecossistema”, explica Maria Giulia. “A tecnologia ajudou a transformar nossa curiosidade em dados que podem contribuir para proteger esse ambiente.”

 Pernambuco possui cerca de 250 km² de manguezais distribuídos ao longo do litoral, presentes em áreas como Itamaracá, Goiana, Recife, Sirinhaém e outros estuários costeiros. Com o avanço urbano sobre áreas costeiras, ocupações irregulares, poluição dos rios e alterações no regime das marés têm provocado a perda de habitat e afetado espécies que dependem diretamente desses ambientes.

Para Willyane Jessica, compreender esses desafios tornou a pesquisa ainda mais significativa. “A gente percebeu que o manguezal é muito importante para a vida das pessoas e dos animais que vivem ali. Se a água muda ou se o ambiente é poluído, tudo pode ser afetado.”

 

Divulgação
Maria Giulia Batista Flores e Willyane Jessica Santos Lima criaram um projeto que alia tecnologia, educação ambiental e participação comunitária para cuidar do mangue - Divulgação

Metodologia e monitoramento

O projeto adotou uma metodologia mista, combinando levantamento bibliográfico, coleta de dados em campo e participação da comunidade escolar. Durante as atividades, as estudantes realizaram medições ambientais, registraram imagens das áreas analisadas e mapearam pontos que podem demandar maior atenção ambiental.

Segundo a monitora do Sistema de Ensino Dulino responsável pelo acompanhamento do projeto na escola, Aline Guedes, iniciativas como essa demonstram o potencial transformador da educação tecnológica.

“Quando os estudantes têm acesso a ferramentas como sensores e microcontroladores, eles deixam de ser apenas usuários de tecnologia e passam a produzir conhecimento”, afirma. “Esse projeto mostra que a escola pública pode formar jovens pesquisadores capazes de propor soluções reais para desafios ambientais.”

Os dados coletados contribuem para identificar áreas sensíveis, apoiar ações de recuperação e fortalecer a consciência ambiental na comunidade.

*Com informações da Assessoria de Imprensa do Sistema de Ensino Dulino

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