Com atividades de acolhimento e escuta, escola estadual em Barreiros retoma aulas após ataque
MPPE acompanha investigação e informou que a Promotoria de Barreiros apresentou representação contra adolescente que está internado na Funase
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A Escola de Referência em Ensino Fundamental (EREF) Cristiano Barbosa e Silva, no município de Barreiros, na Mata Sul de Pernambuco, retomou as aulas nesta quarta-feira (18), dois dias após um adolescente de 14 anos esfaquear três colegas dentro da unidade de ensino.
Segundo a Secretaria de Educação de Pernambuco (SEE), foram realizadas atividades de acolhimento, escuta e reconstrução coletiva, com foco no cuidado de estudantes, familiares e profissionais da educação.
Em nota, a pasta informou que as ações são articuladas pela equipe do Núcleo de Atenção Psicossocial às Escolas (Napse), da Gerência Regional de Educação (GRE) Mata Sul, e atenderão todos os 300 estudantes matriculados na unidade em 2026.
"O procedimento segue o Protocolo de Prevenção, Resposta e Reconstrução das Comunidades Escolares estabelecido pelo Programa Escola que Protege, do Ministério da Educação (MEC)", disse a SEE.
A direção da EREF Cristiano Barbosa e Silva havia divulgado um comunicado nessa terça-feira (17), reforçando que as providências necessárias foram tomadas de imediato e que a situação segue sendo acompanhada.
“Os pais dos estudantes do 6º e 7º anos que puderem podem comparecer com os filhos para participar das atividades de acolhimento. Já os responsáveis pelos alunos do 8º e 9º anos participarão na quinta-feira (19). As atividades ocorrerão das 7h às 11h, com foco no diálogo, na escuta e no fortalecimento da confiança entre escola, alunos e famílias”, informou a unidade.
Apurações em andamento
O jovem apreendido irá responder por ato infracional análogo ao crime de tentativa de feminicídio e, após audiência, encaminhado a uma unidade de internação. Uma das três vítimas, todas com 14 anos, segue internada no Hospital da Restauração (HR), no Recife. O quadro de saúde é considerado estável, mas ainda sem previsão de alta.
A defesa e familiares do autor do ataque afirmam que ele vinha sofrendo bullying e que os responsáveis já tinham procurado a escola para relatar os episódios. As três vítimas do ataque negam qualquer tipo de envolvimento com o adolescente, e o caso segue sendo investigado pela polícia.
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) também está acompanhando a investigação. Nesta quarta-feira, o órgão informou que a Promotoria de Justiça de Barreiros ofereceu representação em desfavor do adolescente, que já se encontra sob internação na Funase.
A Promotoria de Justiça também afirmou ter tomado conhecimento das especulações e publicações nas redes sociais sobre "boatos atribuindo às três vítimas a culpabilidade dos ataques, penalizado-as pelos ataques sofridos e promovendo, assim, o linchamento social".
"É dever de toda a comunidade proteger e cuidar das vítimas e não expô-las à situações de constrangimentos ou a qualquer risco às suas integridades físicas e psicológicas, revitimizando-as", declarou o MPPE.
Em conversa com a coluna Enem e Educação, na terça-feira, a chefe da Unidade de Atenção Psicossocial às Escolas, Jéssyca Medeiros, informou que a Gerência Regional de Educação (GRE) não havia sido notificada sobre possíveis casos de bullying na EREF Cristiano Barbosa e Silva. Segundo ela, as circunstâncias estão sendo apuradas para verificar se houve a demanda e, em caso positivo, por que a Secretaria não foi acionada.
A unidade, inclusive, foi contemplada na última convocação do processo seletivo simplificado do governo estadual com uma analista de psicologia educacional. A profissional foi designada na semana passada e iniciou as atividades nessa terça-feira.
Jéssyca também destacou que, desde 2023, há uma parceria consolidada com a Secretaria de Defesa Social, com protocolos definidos e reuniões mensais que envolvem a gestão da rede, a Gerência de Direitos Humanos e a Patrulha Escolar para discutir ocorrências nas escolas.
Desde fevereiro de 2024, o projeto EntreLaços vem sendo executado pela unidade, por meio dos núcleos das 16 GREs, com foco na promoção da saúde mental e na prevenção da violência no ambiente escolar.
Após o ocorrido, segundo a chefe da Unidade de Atenção Psicossocial às Escolas, foram adotadas medidas imediatas, como o acolhimento da comunidade escolar e os encaminhamentos para delegacia e unidades de saúde. A equipe psicossocial permaneceu na escola ao longo do dia, atendendo estudantes, professores e gestores, e retornou no dia seguinte para apresentar o protocolo de resposta e reconstrução.