Sintepe e Adufepe acionam MPPE contra Silas Malafaia após declarações sobre professores

Malafaia afirmou que professores estariam manipulando estudantes de escolas e universidades com o que chamou de "marxismo cultural" e "agenda woke"

Por Mirella Araújo Publicado em 12/02/2026 às 12:27

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O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) e a Associação dos Docentes da UFPE (Adufepe) acionaram o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para que sejam investigadas declarações do pastor Silas Malafaia durante o festival gospel The Send 2026, realizado em 31 de janeiro, na Arena de Pernambuco.

As entidades protocolaram uma Notícia de Fato apontando que o líder religioso fez ataques à educação pública e aos professores. Em reunião realizada na terça-feira (10), na 22ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital, o promotor Salomão Abdo Aziz Ismail Filho classificou a denúncia como “séria” e informou que analisará as providências cabíveis.

No evento, que também ocorreu simultaneamente em outras capitais e reuniu milhares de pessoas presencialmente e pela internet, Malafaia afirmou que professores estariam manipulando estudantes de escolas e universidades com o que chamou de “marxismo cultural” e “agenda woke”. 

 “Existe hoje uma coisa que é séria, é o chamado controle do pensamento pelo marxismo cultural. Se você pensar diferente, você é banido. Se você for contra ‘ideologia de gênero’, se você for contra o aborto, se você for contra práticas homossexuais, se você for contra essa cultura, você é ridicularizado, debochado. Vocês têm que estar preparados para esse enfrentamento", afirmou o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo na ocasião. 

Afronta à liberdade de cátedra

Para o Sintepe, as falas configuram ofensa coletiva à categoria e afronta à liberdade de cátedra. "O que vimos na Arena Pernambuco pode ter sido a utilização de um espaço público para desmoralizar e incitar o ódio contra professores. O MPPE compreendeu a gravidade de chamar educadores de ‘enganadores’ e estimular jovens ao confronto nas escolas", afirmou a presidenta do Sintepe, Ivete Caetano.

Além da análise sobre possível dano moral coletivo, o Sintepe pediu que o MPPE apure se houve desvio de finalidade no uso da Arena de Pernambuco e eventual utilização de recursos públicos, com possível comunicação ao Tribunal de Contas do Estado (TCE).

O presidente da Adufepe, Ricardo Oliveira, também criticou o teor das declarações. “O que nós vimos vai além do aceitável. Ele atacou os professores naquilo que temos de mais nobre, que é a competência e ética profissional. Falas dessa natureza não podem sair sem uma responsabilização”, disse.

A Adufepe também acionou o Ministério Público Federal (MPF) e aguarda posicionamento. As entidades defendem que a apuração estabeleça limites para ataques à educação pública e aos profissionais do ensino.

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