Prêmio Educador Transformador destaca iniciativas inovadoras em escolas públicas pernambucanas

A iniciativa, realizada pelo Sebrae em parceria com a Bett Brasil e o Instituto Significare, irá premiar nove projetos educacionais de Pernambuco

Por Mirella Araújo Publicado em 09/02/2026 às 16:15 | Atualizado em 12/02/2026 às 10:27

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Nove projetos educacionais inovadores e de impacto social, desenvolvidos em escolas públicas de Pernambuco, serão reconhecidos na cerimônia de premiação que marca a disputa estadual da terceira edição do Prêmio Educador Transformador.

A iniciativa, que reconhece experiências pedagógicas desenvolvidas em diferentes etapas e modalidades de ensino, é realizada pelo Sebrae, em parceria com a Bett Brasil e o Instituto Significare.

A entrega dos troféus e certificados aos finalalistas ocorrerá na sede do Sebrae/PE, nessa quarta-feira (11), localizada na Rua Tabaiares, nº 360, no bairro da Ilha do Retiro, e será transmitida ao vivo, a partir das 10h, pelo canal do Sebrae/PE no YouTube.

Neste ano, os projetos foram selecionados em três categorias: Inovação Pedagógica e Metodologias Ativas; Gestão Educacional Transformadora; e Inclusão e Sustentabilidade na Educação.

A jornada iniciada em 2025 e concluída em 2026 foi diferente das edições anteriores. Segundo Danilo Lopez, gestor estadual de Educação Empreendedora do Sebrae/PE, o foco deixou de ser apenas o reconhecimento e a premiação de bons projetos e passou a priorizar um processo de construção e cocriação das iniciativas.

“O Sebrae junto com o Instituto Ideias de Futuro, organizaram uma capacitação dentro da plataforma strateegia.digital, que conectou todos os professores da mesma regional, para que um ajudasse o outro no desenvolvimento do projeto”, explicou Danilo Lopez, gestor estadual de Educação Empreendedora do Sebrae/PE, em entrevista à coluna Enem e Educação.

Os primeiros colocados de cada categoria avançam para a etapa nacional do Prêmio Educador Transformador e participarão de uma missão nacional entre os dias 5 e 8 de maio, durante a Bett Brasil — um dos maiores eventos de educação do país, realizado em São Paulo. Na ocasião, serão anunciados os vencedores nacionais. Já os finalistas dessa etapa integrarão uma missão internacional prevista para janeiro de 2027, com destino à Bett UK, em Londres.

“O grande fundamento do evento é poder dar visibilidade e palco às boas práticas inovadoras de educação, com viés de educação empreendedora na escola. Queremos dar vitrine a essas boas ações para que possam ser replicadas em outras instituições e por outros professores que se sintam inspirados. Acho que essa é a grande luta”, destacou Danilo Lopez.

Inovação Pedagógica e Metodologias Ativas

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) define a cultura digital como uma competência geral a ser desenvolvida ao longo do processo de ensino-aprendizagem e estabelece que os estudantes devem compreender as implicações éticas, sociais e culturais do uso das tecnologias.

A partir de um desafio maker e tendo como ponto de partida a BNCC Computação, estudantes do 5º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Jaime Gonçalves Bold, localizada na comunidade Alto do Bigode, em Paulista, confeccionaram robôs e casas inteligentes de brinquedo com materiais recicláveis.

A experiência deu origem ao projeto “Clube STEAM Mentoria: aprendizagem criativa e inovação sustentável na escola”, desenvolvido pelo professor e pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Sebastião Vieira, vencedor do primeiro lugar na categoria Inovação Pedagógica e Metodologias Ativas.

O Clube STEAM é formado por dez alunos do 5º e do 7º ano e tem como objetivo incentivar que outras escolas adotem esse mesmo modelo para desenvolverem projetos de tecnologia e inovação.

“No Clube STEAM, montamos uma cidade sustentável, na qual programamos um sensor anti-incêndio. Trabalhamos com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), e os alunos foram até a comunidade para observar e investigar o que estava faltando e o que poderia ser criado a partir de um protótipo com uso de tecnologia para a construção de uma cidade ideal”, explicou o professor Sebastião Vieira, em entrevista à coluna Enem e Educação.

A iniciativa tem engajado não apenas os estudantes da Escola Municipal Jaime Gonçalves Bold, mas também pais e moradores da comunidade. “Esse projeto consegue conquistar o aluno ao mostrar que a escola é fruto do conhecimento científico, que ela não se resume a quadro, giz e livros. A inovação na escola pública, especialmente em contextos onde muitas vezes há investimentos mal planejados, demonstra que esse é um caminho possível”, destacou o docente. 

Cortesia
Cidade inteligente criada a partir do Clube STEAM - Cortesia

 

Ciência Aura: educação criativa para os desafios do território 

No município de Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, estudantes da Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Aura Sampaio P. Muniz estão tendo a oportunidade de vivenciar o bioma da região, identificar problemas locais e desenvolver soluções por meio do projeto “Ciência Aura: educação criativa para os desafios do território”.

A iniciativa teve início como uma feira de ciências, na qual os alunos apresentavam temas diversos de interesse. Com o apoio da plataforma strateegia.digital, a gestão escolar e os professores passaram a estruturar melhor o projeto, aprimorando as propostas e organizando um calendário de ações a serem desenvolvidas a partir das demandas do território.

“Nós estamos inseridos no bioma da caatinga e percebemos que muitos estudantes não tinham essa vivência nem valorizavam o ambiente em que vivem. Então, levamos esses alunos a investigar a própria comunidade, identificar problemas e desenvolver soluções por meio da ciência”, explicou a coordenadora da EREM Aura Sampaio P. Muniz, Uanne Freire Bezerra Araújo.

Entre as iniciativas desenvolvidas, estudantes do ensino médio elaboraram projetos voltados ao enfrentamento do alto índice do mosquito Aedes aegypti na região, diante do aumento dos casos registrados. O grupo realizou um levantamento etnobotânico para compreender como a comunidade utilizava determinadas plantas e, a partir desse estudo, mapeou a área e selecionou dez espécies com respaldo bibliográfico.

Em parceria com moradores e agentes de saúde, os alunos coletaram larvas de mosquitos e passaram a testar larvicidas produzidos com extratos de plantas da caatinga. Outra ação foi a criação de um protetor solar, também desenvolvido a partir de espécies vegetais da região.

“Nós desenvolvemos esse trabalho há alguns anos e já obtivemos resultados importantes, mas representar Pernambuco na etapa nacional do Prêmio Educador Transformador é muito gratificante. Toda a escola está muito feliz, porque o projeto envolveu muitos professores e estudantes. O grande diferencial é que conseguimos identificar verdadeiros talentos para a pesquisa científica”, afirmou Uanne Freire.

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Estudantes da EREM Aura Sampaio P. Muniz, em Salgueiro, já desenvolveram larvicidas e protetor solar com projetos promovidos pela Feira Ciência Aura - Cortesia

Inclusão e Sustentabilidade na Educação

Em Caruaru, no Agreste do Estado, estudantes participaram do projeto Feira da GROSSLANCA Solidária, iniciativa que faz alusão ao nome da unidade de ensino — a Escola de Tempo Integral (ETI) Irmã Ceciliana Gross — e à tradicional Feira da Sulanca.

Segundo a professora Laila Larissa Teles Sousa, idealizadora do projeto, a proposta surgiu da necessidade de tornar a aprendizagem mais significativa, humana e conectada à realidade dos alunos.

“Na minha escola, o maior desafio é a desigualdade socioeconômica. Enquanto alguns estudantes têm estabilidade familiar e acesso a recursos, outros têm na merenda escolar a única refeição do dia, além de vivenciarem situações de abandono e violência. Essa desigualdade impactava diretamente a aprendizagem e a permanência na escola”, relatou, em entrevista à coluna Enem e Educação.

O projeto envolveu estudantes do 6º ao 9º ano e promoveu mudanças significativas no cotidiano da escola. “O impacto foi profundo. Os alunos passaram a ocupar espaços de liderança, gestão e tomada de decisão, vivenciando, na prática, conceitos de educação financeira, trabalho em equipe e empatia”, destacou a professora.

Ao todo, mais de 700 estudantes participaram da iniciativa, arrecadando mais de 5 mil itens para doação e beneficiando cerca de 400 famílias. De acordo com Laila Sousa, em apenas três meses o projeto contribuiu para zerar os índices de evasão escolar e impulsionou o desempenho acadêmico, com melhora de 82% em Língua Portuguesa e 86% em Matemática.

“Executar um projeto na categoria de inclusão e sustentabilidade é reconhecer que educar vai muito além do conteúdo. A GROSSLANCA garante inclusão porque todos participam, independentemente da condição financeira ou do desempenho escolar. Vencer com esse projeto mostra que a educação pública pode inovar, incluir e transformar realidades de forma concreta e replicável”, celebrou.

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A GROSSLANCA nasceu como uma proposta de educação financeira, protagonismo juvenil e solidariedade - Cortesia

Veja quem são os vencedores da etapa estadual em Pernambuco:

Categoria 1 – Inovação Pedagógica e Metodologias Ativas

1º lugar: Sebastião da Silva Vieira – Clube STEAM Mentoria: aprendizagem criativa e inovação sustentável na escola (Paulista)

2º lugar: Wanessa Menezes de Moura – Naturalização da violência e desigualdade de gênero: desafios para uma educação inclusiva e socialmente sustentável (Recife)

3º lugar: Omar Rangel Cortás – Ecotech Challenge: a batalha por um futuro sustentável (Paulista)

Categoria 2 – Gestão Educacional Transformadora

1º lugar: Uanne Freire Bezerra Araújo – Ciência Aura: educação criativa para os desafios do território (Salgueiro)

2º lugar: Maria do Carmo Bazante – Diversão com graded readers: o prazer de ler, brincar e aprender em família — um encontro entre inovação e afeto na educação bilíngue (Recife)

3º lugar: Iná do Carmo Almeida Nascimento – O resultado é nosso: compartilhando responsabilidades e construindo sucessos (Floresta)

Categoria 3 – Inclusão e Sustentabilidade na Educação

1º lugar: Laila Larissa Teles Sousa – Feira da Grosslanca (Caruaru)

2º lugar: Natalie Silva dos Santos Araújo – Futuro em Rede: trilhas colaborativas para a sustentabilidade profissional (Recife)

3º lugar: Maria Aparecida Soares – A escola que (não) me vê: voz ativa e autonomia na deficiência visual (Petrolina)

 

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