Após protesto, estudantes de Medicina da UPE suspendem greve e GT é criado para discutir o financiamento da alimentação dos internos
A alimentação gratuita no Cisam foi retomada, mas estudantes cobram garantia do fornecimento para todos os estagiários dos três hospitais da UPE
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Após realizarem um protesto em frente à sede do Governo do Estado, na tarde da última segunda-feira (3), estudantes da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade de Pernambuco (UPE) decidiram suspender a greve.
Os internos do Centro Universitário Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (CISAM/UPE) tiveram o direito à alimentação gratuita suspenso na unidade, em cumprimento a orientações da Secretaria da Controladoria-Geral do Estado (SCGE). A determinação, adotada como medida de “controle de despesas”, estabelecia que discentes de graduação em atividades práticas e estágios não têm direito à alimentação nos refeitórios dos hospitais universitários.
Mesmo após a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco (Secti) ter informado, na última sexta-feira (30) — mesma data em que a greve foi anunciada —, sobre a retomada do fornecimento de alimentação no Cisam, os estudantes decidiram manter a mobilização.
Segundo a categoria, a principal demanda ainda não foi atendida: a garantia formal, por parte do Governo do Estado e da UPE, do fornecimento de alimentação em todo o complexo hospitalar. Além disso, a pauta também está inserida em um contexto de reivindicações históricas que exigem soluções efetivas e permanentes, como a criação de um Restaurante Universitário na UPE.
A universidade estadual possui três complexos hospitalares: o Cisam, localizado no bairro da Encruzilhada, na Zona Norte do Recife; o Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc); e o Pronto-Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco Professor Luiz Tavares (Procape), ambos situados no bairro de Santo Amaro. Nas duas últimas unidades, os estudantes já não contavam com o fornecimento gratuito de alimentação.
O ato de rua contou ainda com a presença de alunos de outros cursos da UPE, como Direito e Enfermagem, além de estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Representantes de entidades estudantis, como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União dos Estudantes de Pernambuco (UEP) Cândido Pinto, também participaram da mobilização.
Estudantes se reuniram na Secti
Diante da mobilização, a Secti se reuniu com estudantes do internato. Participaram do encontro Arthur Godê, Mateus Veras e Clara Santos, coordenadores do Diretório Acadêmico Josué de Castro; Felipe Bessone, advogado do movimento; Mariana Lessa, 2ª vice-presidente da UNE; e Mayara Barbosa, coordenadora do Diretório Acadêmico de Enfermagem.
Representando a gestão estadual e a universidade, estiveram presentes a secretária da Secti, Mauricélia Bezerra; o secretário executivo Kenys Bonatti; a reitora da UPE, professora Maria do Socorro de Mendonça Cavalcanti; o pró-reitor de Graduação da instituição, professor Ernani Martins dos Santos; e o secretário executivo de Criança e Juventude de Pernambuco, Carlos Diego Souza.
“Desde o início da reunião, a Secti alegou que existe autonomia universitária e que o corte teria sido realizado pelo hospital, como se o Governo do Estado não tivesse qualquer responsabilidade sobre a decisão. Eu contra-argumentei, afirmando que se trata de uma determinação da SCGE e que, além disso, a UPE é subfinanciada e recebe poucos investimentos". explicou o diretor-geral do Diretório Acadêmico Josué de Castro, Arthur Godê, em conversa com a coluna Enem e Educação.
"Nós compreendemos que isso perpassa por outras gestões. As gestões do PSB também trataram a UPE muito aquém do que deveria, mas isso se repete na gestão presente, que, inclusive, teve como promessa da eleição a construção de um Restaurante Universitário", criticou o estudante.
Ainda durante a reunião, foi destacado em diversos momentos que a pasta não teria orçamento para custear a alimentação dos estudantes dos três complexos hospitalares da UPE. Outro argumento apresentado pelos secretários, segundo os estudantes, é de que o fornecimento da alimentação deveria ser custeado apenas para aqueles que atendessem ao critério de renda per capita, nos moldes adotados pela política de assistência estudantil.
O que foi definido
Diante da pressão dos estudantes por medidas concretas, ficou definida a criação de um Grupo de Trabalho (GT), formado por representantes da UPE e do Governo de Pernambuco, para tratar especificamente do financiamento da alimentação dos estudantes e da viabilidade da medida dentro do orçamento da universidade estadual.
Um projeto será elaborado com os cálculos necessários para o custeio da alimentação. Também foi agendada uma reunião para o dia 25 de fevereiro, às 9h, quando a proposta será apresentada e discutida.
Arthur Godê afirmou que os estudantes só aceitaram encerrar a reunião após a secretária sinalizar, de forma explícita, a possibilidade de financiamento da alimentação. Ele ressaltou que a greve não foi encerrada, mas apenas suspensa. A decisão foi tomada em assembleia extraordinária com a participação de 130 estudantes, considerando a necessidade de cumprimento da carga horária dos formandos.
Segundo o diretor-geral do Diretório Acadêmico Josué de Castro, a mobilização resultou em uma forte articulação entre estudantes de Medicina, internos e alunos do ciclo básico, que passaram a compreender o impacto imediato das decisões sobre o futuro da formação.
A coluna Enem e Educação procurou a Secti e a UPE para solicitar esclarecimentos sobre as medidas que serão adotadas diante das demandas apresentadas. Em nota, a Universidade de Pernambuco informou que estão mantidas as condições de acesso dos estudantes internos ao refeitório do Cisam.
“A UPE irá levantar as informações necessárias para a construção de um plano de assistência alimentar para estudantes em estágio obrigatório na área de saúde, com carga mínima de oito horas de serviço, para diálogo com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e o Governo de Pernambuco.”