Sisu 2026: inscrições seguem abertas até 23 de janeiro; especialista orienta candidatos

Após o encerramento das inscrições, o sistema divulga a nota de corte definitiva da chamada regular, que reflete a classificação final

Por Mirella Araújo Publicado em 19/01/2026 às 15:31

Clique aqui e escute a matéria

 As inscrições para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2026 estão abertas e seguem até o dia 23 de janeiro. Nesta edição, o processo contará com apenas uma etapa de inscrição para as vagas oferecidas pelas instituições participantes.

Assim, os candidatos disputarão, em um único processo seletivo, as vagas disponíveis para todo o ano letivo. O resultado da chamada regular será divulgado no dia 29 de janeiro de 2026. Os estudantes selecionados, seja na chamada regular ou por meio da lista de espera, deverão efetuar a matrícula no período previsto no edital da instituição de ensino.

 O professor e instrutor do curso preparatório para vestibular do Instituto João Carlos Paes Mendonça de Compromisso Social (IJCPM), Paulo Lourenço, afirma que é comum que este seja um período de grande ansiedade para os estudantes, mas ressalta a importância de atenção no momento da inscrição.

“Muitos jovens sentem que precisam provar para si mesmos, para a família e para os outros que agora conseguem passar. Nesse contexto, é fundamental destacar que esta é uma oportunidade, e não a única. O processo seletivo não define, necessariamente, o futuro de ninguém”, explicou o docente, em entrevista à coluna Enem e Educação.

Ele também reforçou que as famílias devem atuar como um ponto de apoio durante esse período."Para que os estudantes se sintam confortáveis em fazer escolhas honestas consigo mesmos, sem a pressão de atender expectativas externas", completou. 

Preenchimento do cadastro socioeconômico

Os candidatos que vão concorrer tanto às vagas de ampla concorrência quanto às modalidades de reserva previstas na Lei de Cotas e às ações afirmativas próprias das instituições devem estar atentos ao preenchimento obrigatório do cadastro socioeconômico e indicar, se for o caso, as modalidades de reserva de vagas desejadas, além de escolher, por ordem de preferência, cursos, turnos, locais de oferta e instituições.

Conforme o edital, será permitida a opção por, no máximo, uma ação afirmativa do tipo bônus e uma do tipo reserva de vagas. "É a partir dele que o sistema identifica se o candidato tem direito às cotas. Por exemplo: quem cursou todo o ensino médio em escola pública tem direito às cotas; quem estudou parte em escola pública e parte em escola privada já não se enquadra", destacou Paulo Lourenço

Dentro da cota destinada a estudantes de escola pública, existem subdivisões, como a de escola pública com recorte de renda, a de escola pública por raça — voltada a candidatos pretos, pardos e indígenas — e a de escola pública para pessoas com deficiência.

Segundo o instrututor do IJCPM, no caso da cota por renda, é fundamental que as informações declaradas sejam compatíveis com a realidade, uma vez que será exigida a comprovação dos dados no momento da matrícula. Ressaltou ainda que a renda per capita deve estar dentro do limite estabelecido, que é de até 1,5 salário mínimo, para que a cota seja validada.

O professor acrescentou que candidatos pretos, pardos ou indígenas deverão preencher uma autodeclaração e gravar um vídeo, que será posteriormente avaliado por uma banca de heteroidentificação. Já para as pessoas com deficiência, destacou que é indispensável a apresentação de um laudo médico atualizado, documento que também será solicitado no ato da matrícula.

 

Cortesia
Paulo Lourenço, professor e instrutor do curso preparatório para vestibular do Instituto JCPM - Cortesia

Escolha dos cursos

A nota de corte do Sisu é calculada a partir da relação entre o número de vagas disponíveis e as notas dos candidatos inscritos em cada opção de curso e modalidade de concorrência.

De forma prática, ela corresponde à menor pontuação entre os candidatos que, naquele momento, estariam dentro do número de vagas ofertadas. Ou seja, é a nota do candidato que ocupa a última vaga disponível em determinado curso, considerando instituição, campus, turno, grau e modalidade de concorrência (ampla concorrência ou cotas).

Durante o período de inscrições, o Sisu divulga classificações parciais, nas quais a nota de corte é provisória e serve apenas como referência. Ela pode variar diariamente, à medida que novos candidatos se inscrevem ou que os já inscritos alteram suas opções de curso.

Nesse período, as notas de corte passam a ser calculadas uma vez por dia, a partir do segundo dia de inscrições, para cada curso e modalidade, com base no total de vagas (incluindo vagas ofertadas e remanejadas) e no número de candidatos inscritos.

Após o encerramento das inscrições, o sistema divulga a nota de corte definitiva da chamada regular, que reflete a classificação final. Posteriormente, o Sisu também apresenta notas de referência para a lista de espera, calculadas a partir das convocações realizadas pelas instituições.

Diante desse contexto, o professor Paulo Lourenço afirmou que é comum que, ao perceberem que não alcançam a nota de corte de determinado curso, muitos estudantes passem a considerar outras possibilidades.

“É importante evitar escolher um curso apenas pela nota de corte. Muitos estudantes, ao constatarem que a pontuação não é suficiente para o curso desejado, acabam optando por outro apenas porque a nota permite o ingresso. Isso é arriscado, pois o candidato pode abandonar seu objetivo real em troca de uma aprovação que não faz sentido, correndo o risco de passar anos em uma graduação com a qual não se identifica", disse. 

Uso das notas de edições anteriores

Para esta edição, o Sisu passa a considerar os resultados das três últimas edições do Enem — 2023, 2024 e 2025. O sistema utilizará a nota que apresentar a melhor média ponderada, de acordo com o curso escolhido, as ações afirmativas e os pesos definidos pelas instituições, desde que o candidato tenha obtido nota superior a zero na redação.

Em caso de empate, será considerada a edição em que o participante alcançou a maior nota na disciplina de maior peso para o curso, respeitada a ordem de prioridade estabelecida.

Sobre essa novidade, Paulo Lourenço avaliou de forma positiva, embora muitas críticas tenham sido feitos com relação ao aumento da concorrência."Muitos jovens fazem o Enem uma vez, não conseguem ingressar na universidade e acabam desistindo, seja por falta de tempo, pressão familiar ou necessidade de trabalhar. Com essa mudança, estudantes que fizeram o Enem em anos anteriores e não conseguiram ingressar ganham uma nova oportunidade", afirmou.

"É natural que mudanças em um processo já consolidado causem estranhamento e resistência no primeiro momento, mas, no geral, trata-se de uma medida que amplia o acesso e oferece novas chances a quem, por diferentes razões, não conseguiu entrar anteriormente", declarou o docente.

Vagas em Pernambuco

Pernambuco terá 15,9 mil vagas disponíveis Sisu 2026. De acordo com os dados do MEC, do total de vagas, 14.397 serão ofertadas por universidades federais, 1.503 por institutos federais e 1.900 por universidades estaduais.

Nos institutos federais, o destaque é o Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE), que disponibiliza 1.027 vagas. Os cursos com maior número de oportunidades são engenharia civil, física e química. Já o Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) oferece 476 vagas, com maior concentração em engenharia elétrica e engenharia civil.

Entre as universidades, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) lidera a oferta no estado, com 7.477 vagas. Os cursos de direito e medicina estão entre os que concentram mais oportunidades. Na sequência aparece a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), com 3.500 vagas, especialmente em ciências biológicas e matemática.

A Universidade de Pernambuco (UPE) ocupa a terceira posição, com 1.900 vagas. Os cursos com maior oferta são educação física (área básica de ingresso) e medicina. Já a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) oferece 800 vagas, com destaque para administração. A Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (Ufape) completa a lista, com 720 vagas, distribuídas entre ciência da computação, letras (português e inglês), administração e ciências contábeis.

Leia também

Nenhuma notícia disponível no momento.

Compartilhe

Tags