Alunos da Univasf decodificam imagens do espaço e recebem prêmio ARISS SSTV
Os participantes recebem certificado ARISS por decodificar imagens da ISS usando tecnologia de Televisão de Varredura Lenta (SSTV)
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A Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) divulgou, nessa segunda-feira (29), que estudantes da instituição obtiveram reconhecimento internacional ao serem certificados pelo ARISS SSTV Award, iniciativa ligada ao programa Amateur Radio on the International Space Station (ARISS).
A certificação é concedida a participantes que conseguem receber e decodificar imagens transmitidas pela Estação Espacial Internacional (ISS) por meio da tecnologia de Televisão de Varredura Lenta (SSTV).
Segundo a Univasf, o resultado foi alcançado durante o desafio ARISS SSTV, realizado entre os dias 5 e 13 de dezembro. No período, radioamadores e entusiastas da área científica de diferentes países acompanharam transmissões especiais que disponibilizaram 12 imagens enviadas diretamente do espaço.
Os estudantes da universidade conseguiram captar e decodificar uma dessas imagens, atendendo aos critérios exigidos pelo programa.
Estudantes participantes do desafio
A atividade contou com a participação dos alunos de Engenharia da Computação Vinícius Reis de Lemos, do 10º período, e Rafael Hernanni Medeiros Silva, do 9º período, além do mestrando Roberto Vítor Lima Gomes Rodrigues, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde e Biológicas.
Embora o trabalho de recepção dos sinais tenha sido realizado de forma coletiva, a validação ocorre individualmente. Nesta edição, Lemos e Rodrigues obtiveram sucesso na captação e receberam o certificado. Lemos já havia conquistado o mesmo reconhecimento anteriormente, no início do ano, em outro evento do ARISS.
Acompanhamento do satélite Vizard-Meteo RS-38S
Para localizar e acompanhar o satélite Vizard-Meteo RS-38S, escolhido nesta edição do desafio, a equipe utilizou softwares gratuitos e de código aberto voltados ao rastreamento de satélites, como Gpredict, Look4Sat e Spot The Station.
As ferramentas permitem prever o momento exato da passagem do satélite, considerando fatores como órbita, velocidade e ângulo de visada, informações essenciais para a recepção do sinal.
Os estudantes explicam que o processo exige rapidez e alto grau de precisão, já que o satélite se desloca a cerca de 27,6 mil quilômetros por hora. Com isso, a janela de recepção dura apenas alguns minutos, tempo suficiente para captar uma imagem completa em aproximadamente um minuto e meio.
“Houve muito planejamento, testes e expectativa até conseguir o sinal. Quando ele aparecia, era preciso agir rápido, porque em poucos instantes tudo se encerrava”, relatou Vinícius Reis de Lemos.
Após a recepção, as imagens são submetidas à plataforma oficial do ARISS, onde passam por uma checagem técnica que cruza dados de localização e horário com os registros da transmissão. Somente após essa validação o certificado é emitido, com identificação exclusiva do participante.
O programa ARISS permite a participação do público em geral, inclusive de pessoas sem licença de radioamador, classificadas como SWL (Shortwave Listening). No Brasil, no entanto, a operação de equipamentos de rádio VHF ou UHF depende de autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Lemos obteve essa habilitação após aprovação em exame específico, o que o possibilitou a atuar plenamente nos desafios.
Para o estudante, a experiência representa um ganho acadêmico e pessoal. Ele destaca que iniciativas como essa aproximam teoria e prática e despertam o interesse por ciência e tecnologia.
“Muitas das soluções que usamos diariamente dependem de comunicações via rádio. Participar desse tipo de desafio ajuda a entender, na prática, como essas tecnologias funcionam”, afirmou.
*Com informações da Assesoria de Comunicação da Univasf