Sudene aponta desafios para mulheres nordestinas no mercado de trabalho, apesar de maior qualificação
Superitendência apresentou o boletim temático "Mulheres do Nordeste", que traça o perfil econômico e social das mulheres nordestinas
Na região Nordeste, as mulheres têm, em média, maior grau de escolaridade do que os homens: 8,9 anos de estudo contra 8,1 anos. No entanto, esse avanço educacional não se traduz em igualdade no mercado de trabalho, pois elas enfrentam jornadas diárias mais longas, dividindo-se entre atividades profissionais, responsabilidades de cuidado e tarefas domésticas.
Essa realidade é evidenciada no boletim temático "Mulheres do Nordeste", lançado nesta sexta-feira (7) pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
O estudo inédito, que traça o perfil econômico e social das mulheres nordestinas, mostra ainda que a taxa de alfabetização feminina (92,7%) é ligeiramente superior à masculina (91,0%). Além disso, o percentual de mulheres com ensino médio completo (34,9%) e ensino superior completo (14,1%) supera o dos homens nas mesmas etapas de ensino.
Apesar da maior qualificação educacional, essa vantagem não se reflete diretamente nos salários. No Nordeste, as mulheres têm um rendimento médio mensal de R$ 1.699,00, valor 15% inferior ao recebido pelos homens na região.
“As mulheres nordestinas exercem papel fundamental para o progresso da região. Elas possuem um nível educacional superior ao dos homens, mas enfrentam desafios como desigualdade de renda, dupla jornada e subrepresentação política. Por isso, na Sudene, temos empreendido ações que visam não apenas reduzir desigualdades, mas também ampliar as oportunidades e o reconhecimento das mulheres nordestinas como agentes transformadoras da região”, comentou a doutora em Estatística e servidora da Sudene, Gabriela Nascimento.
Áreas de formação
O boletim temático "Mulheres do Nordeste" também revela, com base nos dados acumulados pelo CNPq entre 2019 e 2023 na região, que 18,87% das mulheres estão matriculadas em cursos de ciências da saúde (áreas de estudo que relacionam a vida, a saúde e a doença), enquanto entre os homens esse percentual é de 9,36%.
Já nas áreas de ciências exatas, da terra e engenharias, o público masculino representa cerca de 25% das matrículas, enquanto o feminino corresponde a aproximadamente 10%.
"Historicamente, as mulheres têm se concentrado em áreas como saúde e ciências humanas, que, muitas vezes, recebem menor valorização no mercado de trabalho em termos de remuneração e status. Em contrapartida, as ciências exatas, da terra e engenharias seguem sendo predominantemente masculinas. Esses dados evidenciam desafios como estereótipos de gênero, a falta de referências femininas e ambientes de trabalho pouco acolhedores", pontua o documento.
A Sudene enfatiza que compreender essa disparidade é fundamental para a formulação de políticas que promovam o ingresso e a permanência de mulheres nessas áreas, impulsionando o desenvolvimento econômico e social e assegurando igualdade de oportunidades para que todos possam alcançar seu pleno potencial.
Especialização
O levantamento mostra que o cenário da pós-graduação é semelhante ao da educação básica. Em 2023, dentre os títulos de pós-graduação concedidos no Nordeste, 56,98% foram obtidos pelo público feminino.
"As mulheres nordestinas buscam a qualificação educacional por meio do ingresso e da conclusão de cursos em maior percentual que os homens. No entanto, enfrentam desafios adicionais, como o acúmulo das atividades formativas com responsabilidades da vida reprodutiva, incluindo a maternidade e os cuidados domésticos, que historicamente permanecem sob sua responsabilidade", destaca o estudo.