Pernambuco decide seu futuro numa eleição com disputas ainda abertas
Pesquisas dão vantagem à governadora e mostram o adversário ainda competitivo; no Senado a estrutura pode ser determinante para definir as duas vagas.
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Raquel Lyra (PSD) chega a este domingo de eleição numericamente à frente nas duas principais pesquisas de Pernambuco. A Quaest mostra a governadora com 52% dos votos válidos, contra 47% de João Campos (PSB). O Datafolha também lhe aponta na frente, mas apresenta uma disputa mais apertada, com 49% para ela e 48% para ele.
Na Quaest, Raquel aparece acima da metade dos votos válidos. No Datafolha, há empate técnico e nenhum dos dois alcança essa marca. A posição é mais favorável à governadora, ainda mais num ambiente em que não é mais possível atuar com propaganda e até as redes sociais ficam limitadas, com os candidatos impedidos de fazer novas postagens no domingo.
Raquel
Há um mérito político dela em chegar nessa condição. No Datafolha divulgado na quinta-feira, 64% aprovavam o trabalho da governadora e 31% desaprovavam. Aprovação não se converte automaticamente em voto, como os próprios números demonstram, mas oferece uma sustentação importante a quem pede mais quatro anos. Em um Estado pobre, com tantas dificuldades e cobranças por bons serviços, conseguir o reconhecimento de quase dois terços do eleitorado é um resultado que merece ser considerado.
Raquel enfrentou uma força política com raízes profundas em Pernambuco. O PSB carrega uma história de poder, alianças e presença nos municípios. E os socialistas apresentaram um adversário com força própria, cuja imagem ultrapassa a do partido. Chegar ao dia da eleição à frente de João nos dois levantamentos indica que o trabalho da governadora encontrou respaldo e que sua candidatura resistiu ao confronto.
Isso não resolve as carências do Estado, mas ajuda a explicar por que uma parcela expressiva dos pernambucanos quer que ela continue.
João
João Campos aceitou um desafio que poderia ter adiado. Disputar contra uma governadora candidata à reeleição e bem avaliada exigia mais do que popularidade no Recife. Ele apostou na própria imagem, na estrutura do PSB e na história política que representa. Essa história, porém, oferece apoio e cobra uma conta. Os oito anos de Paulo Câmara também fazem parte da herança socialista, e João, que foi chefe de gabinete naquele governo, não consegue se apresentar como alguém inteiramente afastado desse passado, por mais que tenha tentado.
Ainda assim, chega competitivo. Os 47% dos votos válidos na Quaest e os 48% no Datafolha mostram um candidato com força para disputar o resultado. A lembrança positiva de sua administração no Recife ajuda a entender essa resistência.
João construiu uma identidade capaz de alcançar eleitores que não necessariamente guardam a mesma simpatia pelo PSB. Seu desempenho merece reconhecimento justamente porque o passivo partidário e a aprovação da adversária tornaram o caminho difícil.
A pergunta mais incômoda para sua campanha, feita pelo eleitor, talvez seja a mais simples: por que mudar se está dando certo? Para quem aprova Raquel, João precisa justificar a troca.
Sua juventude também permite duas leituras: pode representar renovação, mas pode alimentar a ideia de que ele ainda tem tempo, de que terá outras oportunidades e de que pode esperar um pouco mais.
É uma hipótese sobre a escolha do eleitor, não uma conclusão das pesquisas, claro. O que os números demonstram é que ele chega em desvantagem, mas chega disputando e ainda pode vencer.
Senado
Para o Senado, os dois institutos colocam Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) à frente. Nos votos válidos da Quaest, Marília tem 30%, Humberto 27%, Mendonça Filho (PL) 18%, Eduardo da Fonte (PP) 15% e Túlio Gadêlha (PSD) 9%. No Datafolha, os percentuais são, respectivamente, 29%, 29%, 16%, 14% e 6%. Há uma vantagem dos dois primeiros que precisa ser reconhecida. Também há razões para acompanhar essa disputa com atenção até o fim e não acreditar que está resolvido, porque não está.
Na pergunta espontânea do Datafolha, sem a apresentação dos nomes, a indefinição ainda alcança 46%. Esse dado não significa que todos permanecerão indecisos diante da lista de candidatos, mas mostra quanto a escolha ainda depende de estímulo e lembrança. Com duas vagas, conhecer um nome e ter os dois votos firmemente decididos são situações diferentes.
É nesse espaço que a estrutura pode ser determinante no sprint final. Prefeitos, deputados, vereadores e o apoio da própria chapa podem ajudar a consolidar escolhas. Uma mudança na ordem é possível e encontra uma explicação plausível nessa mobilização final.
É possível estar bem posicionado e acabar não sendo eleito. É possível estar atrás e terminar ganhando uma das vagas. Eleição para o Senado, ainda mais com duas vagas, só entrega certeza na incerteza.