Datafolha mantém o primeiro turno ao alcance de Raquel na reta final
Governadora chega a 50% dos votos válidos com vantagem menor sobre João; pesquisas de sábado ainda poderão mostrar mudanças no fim da campanha.
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Raquel Lyra (PSD) chegou aos últimos dias da campanha sobre a linha que concentra a principal dúvida da eleição pernambucana. Com 50% dos votos válidos no Datafolha divulgado nesta quinta (1º), contra 47% de João Campos (PSB), a governadora mantém aberta a possibilidade de resolver a disputa neste domingo. Está muito próxima e exatamente no limite. Para vencer no primeiro turno, precisa de mais da metade dos votos válidos. Com margem de erro de três pontos e empate técnico entre os adversários, o levantamento oferece razões para Raquel acreditar na vitória e para João insistir que ainda pode mudar esse desfecho. Sem propaganda até o domingo, a estrutura se torna crucial nos próximos dias.
Usamos aqui nesta coluna já os votos válidos porque é essa conta que define se a eleição termina no primeiro turno. Na pesquisa, ficam de fora os que declaram voto branco, nulo ou ainda estão indecisos, considerando apenas as intenções de voto nos candidatos. É uma forma de aproximar a leitura do levantamento ao critério da apuração, quando brancos e nulos não entram no cálculo do vencedor. Por isso, às vésperas da urna, esse percentual ganha mais importância.
Válidos
Assim, os 46% de Raquel nos votos totais correspondem aos 50% dos válidos divulgados pelo Datafolha, enquanto os 44% de João passam a 47%. Ninguém ganhou eleitores entre uma conta e outra. Mudou o universo considerado, com os arredondamentos próprios da divulgação.
Politicamente, porém, essa leitura coloca a governadora perto do percentual necessário para encerrar a eleição. Perto o suficiente para alimentar a expectativa de vitória. Mas ainda sem a folga necessária para tratá-la como encaminhada.
Distância
A comparação com a Quaest ajuda a entender essa tensão, desde que cada instituto seja observado dentro da própria série. Na Quaest, Raquel passou de 41% para 42%, enquanto João saiu de 39% para 42%. No Datafolha, a distância nos votos válidos diminuiu de cinco para três pontos. A governadora tinha 51% e agora tem 50%; o ex-prefeito passou de 46% para 47%. São oscilações que exigem cautela, mas deixam a disputa numericamente mais apertada nos dois levantamentos.
Também é preciso olhar como essa aproximação ocorreu. Nos votos totais do Datafolha, João permaneceu com 44%, enquanto Raquel passou de 48% para 46%. Portanto, seria exagerado descrever o resultado como uma arrancada do candidato do PSB. O que há é uma vantagem menor da governadora. João não cresceu.
Metodologias e períodos de entrevistas diferentes impedem emendar Quaest e Datafolha como se fossem uma pesquisa só. Ainda assim, o cenário apresentado pelo Datafolha é mais favorável a Raquel.
Campanha
Ocorre que a pesquisa Datafolha desta quinta-feira ainda não conta o encerramento inteiro dessa história. O instituto ouviu os eleitores entre 28 de setembro e 1º de outubro. Terminou, portanto, no dia do último debate, no Sistema Jornal do Commercio, e do fim da propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Boa parte das respostas já estava registrada antes desses momentos finais. A repercussão do debate e dos últimos programas, inclusive nas conversas e nos recortes que circulam depois, ainda precisa de tempo para chegar ao eleitor.
Nessa mesma reta final surgiu a denúncia envolvendo Carlos Costa (Republicanos), vice de João, e Daniel Vorcaro. Mensagens atribuídas ao banqueiro mencionam a manutenção de pagamentos de R$ 100 mil mensais à RI Consulting, empresa da qual Costa foi sócio. A empresa e seu pai, o ex-deputado Silvio Costa, sustentam que o contrato remunerava serviços regulares de acompanhamento da reforma tributária e de projetos legislativos.
O episódio acrescenta uma cobrança de explicações à campanha de João. Seu eventual efeito sobre o voto, porém, não pode ser deduzido deste Datafolha ainda.
Sábado
É nesse espaço entre as entrevistas e os últimos acontecimentos que ganham importância as rodadas finais de Datafolha e Quaest, previstas para sábado (3), véspera do pleito. Elas poderão indicar se Raquel sustentou sua posição na casa dos 50% dos válidos e se a aproximação entre os adversários continuou dentro de cada série. Terão condições de captar melhor o encerramento da campanha, embora não possam separar com precisão quanto de uma eventual mudança veio do debate, de uma denúncia ou de uma decisão que o eleitor já vinha amadurecendo.
Será possível também descobrir se as denúncias envolvendo o vice do candidato socialista terão impacto no voto. E como a estrutura das duas campanhas, já sem poder fazer propaganda e impulsionamentos financeiros na internet, conseguirão acrescentar votos.
Raquel chega a esse último intervalo com uma possibilidade concreta de vencer no domingo. João chega com uma distância menor para tentar impedir isso. Esperemos as últimas pesquisas agora.