Cena Política | Análise

O Senado ainda tem quase uma eleição inteira pela frente em Pernambuco

Com dois votos para definir e 58% sem citar espontaneamente um candidato a campanha entra na reta final com espaço para mudar o resultado.

Por Igor Maciel Publicado em 26/09/2026 às 8:00

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Pernambuco passou meses discutindo quem será governador. A uma semana da votação, boa parte do eleitorado ainda não consegue dizer espontaneamente em quem votará para o Senado. E desta vez será preciso escolher dois nomes. É nessa distância entre reconhecer um candidato e chegar à urna com duas escolhas feitas que a disputa pelas vagas pode ganhar seus contornos decisivos.

Indefinição

No Datafolha divulgado na quinta-feira, 58% dos entrevistados não souberam citar espontaneamente um candidato ao Senado. Quando os nomes foram apresentados, Marília Arraes apareceu com 19% das intenções de voto, Humberto Costa com 17%, Mendonça Filho com 13% e Eduardo da Fonte com 10%. Outros 19% indicaram voto branco ou nulo, e 10% permaneceram indecisos. A Quaest divulgada na quarta-feira também encontrou um contingente expressivo sem escolha definida ou disposto a não votar em candidato.

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Esses números não significam que todos mudarão de opinião nos próximos dias. Parte do eleitorado pode reconhecer um nome ao vê-lo na lista e votar nele sem hesitar. Mas a dificuldade de citar espontaneamente um candidato mostra quanto a eleição para o Senado ainda depende de lembrança, orientação e campanha. Se encontrar um nome já exige esforço, chegar à urna com dois exige mais.

Segundo

O primeiro voto pode nascer da identificação com um candidato conhecido, da indicação de um prefeito ou da preferência por uma chapa. O segundo abre outras possibilidades. Pode repetir uma aliança política, cruzar palanques ou surgir apenas quando o eleitor percebe que a urna lhe pedirá mais um nome. Os candidatos precisam, portanto, conquistar tanto a preferência principal quanto um lugar aceitável ao lado de outra preferência.

Há um precedente que recomenda atenção. Em 2018, última eleição com duas vagas para o Senado, 38,3% dos votos possíveis para o cargo em Pernambuco foram brancos ou nulos. Foi o maior percentual registrado entre os estados. O número não revela quantas pessoas desconheciam a existência do segundo voto. Alguns eleitores podem ter decidido, conscientemente, usar apenas um. Revela, porém, que uma parcela enorme das escolhas disponíveis não chegou a candidato algum.

Combinações

Marília e Humberto tentam converter o palanque de João Campos em dois votos para a mesma aliança. Eduardo da Fonte e Túlio Gadêlha buscam fazer o mesmo a partir da campanha de Raquel Lyra. Mendonça Filho pode entrar em combinações que atravessam essas chapas. A disputa, portanto, não se limita a saber quem é o nome mais lembrado. Importa descobrir com quem cada candidato consegue dividir a preferência do eleitor.

Essa é uma definição que pode avançar somente agora, quando a votação deixa de parecer distante e o eleitor começa a organizar os números que levará à urna. Para o governo, a última semana testará uma vantagem já construída. Para o Senado, ela pode decidir quais candidatos ocuparão os espaços que continuam vazios, sobretudo na segunda escolha. Quem conseguir explicar ao eleitor por que merece um dos dois votos terá feito mais do que aparecer na pesquisa. Terá aumentado a chance de ser lembrado quando a urna pedir outro nome.

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Igor Maciel

imaciel@sjcc.com.br

Jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco. Atua há 19 anos em Rádio, TV, Impresso e Internet. Editor-chefe e apresentador da TV Jornal/SBT por 10 anos. Comunicador na Rádio Jornal por 8 anos. Atualmente é colunista de política do Sistem