Cena Política | Análise

Raquel chega à reta final à frente e deixa a pressa com João Campos

As pesquisas mostram uma disputa aberta em Pernambuco mas o pouco tempo de rádio e TV pesa mais para quem ainda precisa mudar o cenário eleitoral.

Por Igor Maciel Publicado em 25/09/2026 às 10:35

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A última semana costuma ser a mais quente de uma eleição. Em Pernambuco, também será curta para quem precisa mudar o resultado. João Campos conseguiu reduzir a distância para Raquel Lyra, mas entra na reta final com uma tarefa maior que a da governadora. Ele precisa transformar a aproximação em votos suficientes para ultrapassá-la ou impedir uma vitória no primeiro turno. Raquel precisa sustentar a posição que ocupa. O tempo pesa de maneira diferente para os dois.

Vantagem

As pesquisas mais recentes mostram uma disputa aberta, embora Raquel apareça numericamente à frente em ambas. Na Quaest, a governadora tem 41% das intenções de voto, contra 39% de João. No Datafolha, divulgado no dia seguinte, são 48% a 44%. A margem de erro recomenda cautela com qualquer previsão. Ainda assim, não apaga a diferença entre chegar à última semana na frente e chegar atrás.

O Datafolha oferece outro elemento para essa leitura. Raquel registra 51% dos votos válidos no levantamento mais recente, mesmo após a repercussão negativa de sua fala sobre laqueadura. Isso não permite dizer que a crise ficou para trás. Mostra que, naquele levantamento, ela preservou uma posição competitiva quando a campanha de João esperava aproveitar o episódio para enfraquecê-la. Há resistência nos números da pesquisa, embora o resultado da urna continue em aberto.

Pressão

João tem um motivo claro para intensificar os ataques. A eleição se aproximou, e a última semana pode oferecer o movimento que faltou à sua campanha. Mas uma denúncia ou crítica só terá valor eleitoral se alcançar quem ainda pode mudar de opinião. Repetir o que seus eleitores já pensam sobre a governadora pode elevar a temperatura sem alterar o placar.

Raquel, por sua vez, terá de responder ao que vier sem passar os últimos dias seguindo a pauta do adversário. Sua vantagem não lhe dá o conforto de ignorar ataques numa disputa apertada. Também não a obriga a tratar cada provocação como o assunto principal da eleição. A medida das respostas pode ser tão importante quanto seu conteúdo.

Relógio

O calendário torna essas escolhas mais delicadas. A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão termina na quinta-feira, 1º de outubro. No mesmo dia, a TV Jornal realizará o debate entre os candidatos ao governo. Uma ofensiva lançada nessa reta final pode chegar à votação ainda viva na memória do eleitor, com pouco tempo para explicações, réplicas e novas respostas.

Por isso, o risco de exagerar cresce junto com a vontade de produzir um fato decisivo. Um ataque pode atingir o adversário, mas também provocar uma reação favorável a ele se o público enxergar oportunismo. Uma resposta pode conter uma crise ou prolongá-la. Nenhuma das campanhas terá muitas oportunidades para descobrir que calculou mal.

A eleição continua disputada. João entra na última semana com espaço para avançar, mas precisa fazer esse avanço aparecer na urna. Raquel enfrenta dias difíceis e chega a eles em condição mais favorável. Depois de resistir à crise sem perder a dianteira no Datafolha, sua tarefa é atravessar a semana sem deixar que João transforme a urgência dele na definição da eleição.

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Igor Maciel

imaciel@sjcc.com.br

Jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco. Atua há 19 anos em Rádio, TV, Impresso e Internet. Editor-chefe e apresentador da TV Jornal/SBT por 10 anos. Comunicador na Rádio Jornal por 8 anos. Atualmente é colunista de política do Sistem