Cena Política | Análise

O Senado virou a ação mais disputada da eleição em Pernambuco

A campanha de Raquel Lyra calcula qual ativo rende mais votos. No fim da negociação, porém, a confiança pessoal também entra na conta.

Por Igor Maciel Publicado em 07/07/2026 às 12:21 | Atualizado em 07/07/2026 às 12:21

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A vaga ao Senado na chapa de Raquel Lyra (PSD) virou o ativo mais valioso da eleição pernambucana. Como acontece na bolsa de valores, seu preço varia de acordo com o mercado. Miguel Coelho (União) e Eduardo da Fonte (PP) disputam a mesma indicação, mas o valor de cada um depende daquilo que a campanha considera mais necessário para vencer neste momento.

A decisão será menos influenciada pela trajetória política dos dois do que pelo retorno eleitoral que cada candidatura pode oferecer. Em resumo, se um entrega concentração regional e o outro entrega amplitude de influência, a escolha não depende da quantidade de votos e sim da necessidade que a própria governadora prevê que terá. Será preciso ter mais presença no Sertão ou mais ramificação com deputados, prefeitos e vereadores espalhados pelo estado? Esta é a parte racional da novela, ao menos.

Tem também a questão mais subjetiva, da preferência pessoal, que a coluna apurou com alguns interlocutores no Palácio. Explico adiante.

Mercado

Toda campanha majoritária trabalha com ativos. Alguns rendem tempo de televisão. Outros ampliam alianças, fortalecem regiões ou colocam estruturas partidárias em movimento. A vaga ao Senado concentra boa parte desse patrimônio porque é o principal espaço de negociação que ainda resta antes da campanha ganhar as ruas. A vice deve ser Priscila Krause (PSD), uma vaga para o Senado está definida com Túlio Gadêlha (PSD). O espaço que tem é essa vaga da federação.

Raquel Lyra chegou ao momento em que precisa transformar esse ativo em votos. O cálculo que orienta a escolha passa pela capacidade de cada nome ampliar o alcance da chapa.

Ativos

Miguel Coelho leva para essa negociação um patrimônio regional difícil de reproduzir. Seu grupo político exerce influência sobre o Sertão do São Francisco, uma área estratégica para qualquer candidato ao Governo de Pernambuco. Caso a campanha esteja identificando espaço para ampliar vantagem naquela região, sua cotação naturalmente sobe, principalmente para anular alguma vantagem que um apoio de Lula possa ter na Região Metropolitana para João Campos (PSB).

Eduardo da Fonte apresenta um ativo de outra natureza. Depois de sucessivas eleições, consolidou uma rede formada por prefeitos, deputados, vereadores e lideranças espalhadas por praticamente todo o estado. Essa capilaridade pesa mais quando a prioridade é mobilizar bases e dar velocidade à campanha em diferentes regiões. A questão objetiva é que isso já foi feito pelo Palácio ao longo dos anos, com uma gestão que é assumidamente municipalista.

A escolha depende da leitura que a equipe fará sobre onde ainda existem votos disponíveis e onde é necessário buscá-los.

Subjetivo

Esse ambiente ajuda a explicar por que a definição demora. A campanha administra um dos poucos ativos capazes de alterar a correlação de forças durante a eleição. Cada movimento produz ganhos, mas também redistribui espaços, influência e expectativas entre grupos que continuarão convivendo depois da convenção. Essa porém é a explicação racional. Tem outro fator.

No Palácio já há quem diga que há preferência por Miguel Coelho devido a algumas questões menos pragmáticas e mais subjetivas. Dentro de um parâmetro de lealdade, uma divisão de classificação é colocada entre os dois pré-candidatos. Os dois, em algum momento, quando Raquel não aparecia bem nas pesquisas, negociaram apoio e aliança com o ex-prefeito do Recife João Campos e com PSB. A diferença fundamental é que Miguel fez isso abertamente, com discurso em palco, e Eduardo o fez em reuniões reservadas, sem conhecimento de ninguém, enquanto postergava a definição sobre apoiar a governadora.

Por outro lado, há quem garanta que a preferência da governadora é por Eduardo da Fonte, exatamente porque ele nunca fez, publicamente, discursos criticando a gestão estadual e preservou o Palácio nos momentos mais difíceis de pesquisas apontando baixa intenção de voto. 

A visão sobre o papel dos dois está correta. São dois fatos. Mas só há uma vaga e ninguém sabe qual "subjetividade" pesará mais.

Há ainda um terceiro fato, que é o mais importante. É que, no fim, quem decide é a governadora e narrativa nenhuma vai alterar isso. Principalmente se ela continuar liderando as pesquisas e precisando, cada vez menos, apertar as contas para se reeleger.

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