Cena Política | Análise

Tempo de propaganda equilibrado acirra disputa entre Raquel e João

Sem superioridade no guia, candidatos terão que ter muita habilidade para explorar inserções e conquistar eleitor durante a disputa até outubro.

Por Igor Maciel Publicado em 06/05/2026 às 20:00

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Na disputa eleitoral em Pernambuco, pela primeira vez em muitos anos, o tempo de rádio e televisão, tradicional ativo decisivo de campanha, se apresenta em condição de equilíbrio entre os principais polos. A soma das coligações pelos grupos que declararam apoio até agora indica 188 deputados federais eleitos nacionalmente em 2022 no palanque de Raquel Lyra (PSD) e 198 para João Campos (PSB).

A diferença é estatisticamente irrelevante para efeito de exposição e divisão do tempo de Rádio e TV. O dado rompe um padrão histórico de hegemonia dos socialistas que sempre tinham ao menos o dobro da exposição dos adversários no estado.

Regra

O cálculo do tempo eleitoral segue uma lógica nacional, baseada no desempenho das legendas na eleição anterior para a Câmara dos Deputados. Não importa o tamanho do partido no estado nem sua capacidade de mobilização local. O que define a presença no rádio e na televisão é a quantidade de deputados federais eleitos em 2022.

Partidos frágeis em Pernambuco ganham relevância por sua musculatura nacional, enquanto forças locais consolidadas podem ter peso reduzido. É por isso que o MDB de Pernambuco, mesmo sendo muito pequeno no estado, é disputado pelos palanques. Porque, nacionalmente, elegeu 42 deputados em 2022 e terá bastante tempo de propaganda.

Equilíbrio

Sobre o equilíbrio local, a leitura dos blocos confirma esse cenário. João Campos aparece com uma vantagem numérica de dez deputados, sustentada principalmente pelo peso do PT, MDB e Republicanos. Sua própria sigla, o PSB, elegeu apenas 14 deputados em 2022.

Raquel Lyra, por sua vez, concentra força relevante na federação União Progressista, que somando União Brasil e Progressistas tem mais de 100 deputados. E o seu partido, o PSD, também contribui com mais de 40 parlamentares.

No agregado, a diferença não altera o volume de exposição de forma significativa. Nenhum dos dois candidatos entra na campanha com supremacia comunicacional.

Variável PL

O PL, que hoje representa a família Bolsonaro nacionalmente, permanece como um elemento curioso dessa eleição. Com quase uma centena de deputados federais eleitos em 2022, o partido tem capacidade de mexer muito na distribuição do tempo eleitoral. A julgar apenas pelos números, seria valioso demais.

O problema é que agregar seu palanque ao bolsonarismo, diretamente, teria um custo imenso para qualquer candidato majoritário em Pernambuco. Hoje os membros do partido tendem a apoiar Raquel, mas sem formalizar uma aliança à coligação dela. Por isso as inserções não contam oficialmente para ela. Mas o partido é uma força que não pode ser ignorada.

Inserções

É bom lembrar que o guia eleitoral como se conhecia perdeu muita eficácia. As inserções ao longo da programação é que assumiram o papel central. São curtas, dispersas e atingem o público em momento de consumo espontâneo dos programas de TV e Rádio. A lógica deixa de ser a audiência concentrada e passa a ser a interrupção inesperada. Quem tiver mais inserções terá mais oportunidades de entrar no cotidiano do eleitor. E a distribuição do número de inserções, pela regra, é proporcional ao tempo do guia. Por isso é tão importante agregar partidos.

Disputa

As pesquisas recentes têm mostrado aproximação rápida da governadora Raquel Lyra em relação a João Campos. A eleição tende a ser disputada nos detalhes até a urna. Tempo de TV e Rádio não será detalhe. Vai ser muito importante para os candidatos. E tudo só será oficializado após as convenções que acontecem até agosto. Mas já dá pra ter certeza de que será uma das eleições mais acirradas das últimas décadas.

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