O problema não é a polarização, é o populismo no comando
Luiz Felipe d’Avila aponta que o conflito político é natural, mas alerta: o domínio do populismo transforma o eleitor em torcedor e esvazia o debate
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Em entrevista ao programa Passando a Limpo, nesta quarta-feira (06), na Rádio Jornal, o cientista político e empresário Luiz Felipe d’Avila propôs uma distinção relevante para o debate público brasileiro no qual se critica tanto a polarização. Segundo ele, a polarização não representa, por si só, um problema. Trata-se de um elemento estrutural das democracias, responsável por organizar o confronto entre governo e oposição. É algo saudável até. Ela só se torna nociva quando os polos são, por natureza, populistas. E é o que acontece com Lula (PT) e Bolsonaro (PL).
Dinâmica
Nesse ambiente, explica Felipe D'Avila que já foi candidato a presidência da República, o debate de propostas perde espaço para disputas orientadas por oportunismo de poder, sem compromisso claro com o desenvolvimento nacional. O resultado é um cenário de conflito permanente, no qual o eleitor reage apenas emocionalmente, ignorando propostas alternativas em nome de uma "vitória contra o inimigo". A consequência direta é a transformação do cidadão em torcedor.
Sinais
D’Avila observa que esse fenômeno não é exclusivo do Brasil e menciona os Estados Unidos como exemplo semelhante. No cenário nacional, ele aponta ainda sinais de moderação em atores políticos como Flávio Bolsonaro (PL), que busca reduzir o nível de confronto porque percebeu exatamente essa questão.