Cena Política | Análise

O risco da guinada radical diante do medo de perder

Episódios passados e atuais da política mostram como o clima de "barata-voa" eleitoral pode desmontar candidaturas claramente competitivas.

Por Igor Maciel Publicado em 01/05/2026 às 20:00

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Há um movimento em alguns setores de aliados lulistas para que, rompendo de vez como rompeu com Alcolumbre (União), o governo petista escancare sua posição e parta para a eleição com pautas alinhadas totalmente à esquerda, alguns falando até em ruptura de alianças tradicionais e "revolução social e econômica". É uma demanda de núcleos mais radicais do partido, que vão ganhando uma certa voz a cada nova derrota da gestão no legislativo e a cada nova pesquisa mostrando a dificuldade de recuperação de popularidade. Em campanhas eleitorais, quando tudo começa a dar errado, instala-se esse clima de "barata-voa" nos comitês. É assim que nasce muita estupidez. Porque o passional assume o controle e descontrola tudo.

Não deve acontecer essa guinada à esquerda radical no governo Lula, porque seria um erro colossal de matemática básica. E sem matemática, ao menos básica, não se vence eleição. E Lula gosta gosta mais de vencer eleição do que de discutir ideologia. Mas chama atenção como o risco de perder ativa a maluquice. Isso acontece em outras disputas também.

Ceará

Um exemplo é que saiu a pesquisa Quaest do Ceará. O instituto fez dois cenários para o PT: um com o atual governador Elmano de Freitas (PT) disputando e outro com o ex-governador Camilo Santana (PT), ambos contra Ciro Gomes (PSDB). Elmano de Freitas aparece atrás de Ciro e Camilo Santana aparece à frente. Foi o suficiente para uma avalanche de certezas sobre a necessidade de trocar o candidato, impedir o atual governador de disputar a reeleição e habilitar Santana como salvador do PT cearense. Uma sandice, porque os analistas de lá fecharam os olhos para todos os outros números que mostram boa aprovação do incumbente e baixa adesão da população à ideia de mudança. Ciro Gomes, mesmo liderando, é quem deveria estar preocupado.

Bahia

Na Bahia acontece algo parecido. ACM Neto (União) lidera a disputa com uma margem apertada, de apenas 4 pontos percentuais. Significa um empate técnico com o atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT). E já há conversas sobre a possibilidade de substituir o petista até agosto, caso ele corra o risco de não vencer. Não faz nenhum sentido. Jerônimo é bem avaliado e está numa tendência de subida. Na Bahia, ACM Neto é quem deveria estar preocupado.

Lembrando

Esse clima de "barata-voa" e a "brilhante" ideia de trocar o incumbente por um candidato que "seja mais forte" está na lembrança de muitos recifenses. Em 2012, por desavenças internas e a preocupação com a rejeição do então prefeito João da Costa (PT) os petistas entraram em uma operação maluca para impedir sua candidatura. Lançaram Humberto Costa (PT) para o cargo. O PT perdeu aquela eleição para Geraldo Julio (PSB) e nunca mais recuperou o comando da capital. Já se vão 14 anos.

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