Cena Política | Análise

Este governo Lula acabou, mas ele ainda é favorito para o próximo governo

Um governo não é uma pessoa, nem um grupo apenas. As derrotas maltratam a imagem, mas não existe essa de o presidente já ter perdido a eleição.

Por Igor Maciel Publicado em 30/04/2026 às 20:00

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O atual governo Lula (PT) vai até o dia 5 de janeiro de 2027, quando está marcada a posse para um novo governo. A data mudou e a transição não acontecerá mais no dia 1° de janeiro como era hábito. Pode ser que ele ainda permaneça com a faixa, tendo sido reeleito em outubro ou novembro. Mesmo com todas as derrotas e recados duros que o Legislativo deu ao petista nos últimos dias, o atual presidente ainda é favorito nessa eleição que se aproxima e, sentado na cadeira, com a caneta nas mãos, a única derrota política que realmente conta é a das urnas, porque é definitiva. De todo o resto é possível se recuperar.

Dito isto, é preciso afirmar que este atual governo Lula acabou, como disse cheio de alegria o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), após a votação de Messias. Mas é preciso entender o que é um governo e o que foi que acabou, nesse caso.

Governo

Um governo não é uma pessoa, nem um grupo apenas. Um governo é formado por um conjunto de pessoas, grupos e diretrizes que se relacionam e formam coalizões com objetivos em comum que se encaixam, tal qual uma estrada de tijolinhos sendo construída, pedra depois de pedra, com cimento para fixar.

Foi isto que acabou na noite da terça-feira (29). Alguns tijolos ficam no armazém do Executivo, outros no Legislativo, partidos contribuem para o estoque. E o que aconteceu quando o nome de Jorge Messias foi recusado para o STF pelo Senado foi um rompimento dessa contínua construção, com o Legislativo dizendo que não vai mais fornecer material ou mão de obra. É o fim do governo Lula no que diz respeito à articulação política, ao menos.

Ou talvez seja o fim do fingimento, apenas. Porque o governo Lula 3 nunca conseguiu uma coalizão de verdade. O presidente fingia que articulava, os parlamentares fingiam que atendiam. A estrada de tijolinhos de 2023 até aqui é um perigo para quem tem o tornozelo frágil, cheia de buracos para tropeçar. A recusa marcou o fim da encenação e a derrubada do veto sobre o PL da dosimetria pode ser a tampa do baú que encerra a articulação política desastrada dessa gestão.

E a reeleição?

Lula pode ser reeleito e o seu quarto governo ainda está no horizonte. Uma campanha vitoriosa só é reflexo absoluto da articulação política da gestão até um certo ponto. As derrotas maltratam a imagem, mas não existe essa de o presidente já ter perdido a eleição por causa das perdas recentes no Congresso. Valem muito mais a capilaridade da presença eleitoral, a estrutura por trás das ações, o poder do argumento e seu encaixe na necessidade das pessoas que vão votar. Quem tem o controle do governo não pode ser ignorado.

Além disso, toda ação gera uma reação. O término do fingimento de Alcolumbre fará o governo Lula se apoiar bastante em Hugo Motta (Republicanos). O presidente da Câmara é eleitoralmente dependente do lulismo porque na Paraíba o Presidente da República é um "grande eleitor". As ações do Senado vão gerar reações em diversas frentes do governo, vão mexer com eleições nos estados, colocar novos inimigos no centro do alvo. E, talvez, acordar Lula para a necessidade de assumir a articulação de sua gestão.

Se vai funcionar, é outra questão.

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