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Recusa de Messias vira aviso duplo a Lula e a ministros do STF

Senado rompe tradição centenária de aprovar indicados, reage à soberba do Planalto e sinaliza incômodo com atuação política de integrantes do Supremo.

Por Igor Maciel Publicado em 29/04/2026 às 21:33

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Jorge Messias não é o problema. O titular da AGU, que terminou sendo o primeiro recusado da história dessa Nova República para o STF e o único nos últimos 132 anos, é um sujeito extremamente cordial, inteligente e pode até não ter o notório saber jurídico que uma corte suprema deveria exigir. Convenhamos, que a qualidade do que já está lá não ajuda muito nesse argumento.

Em resumo, Messias apenas teve a sorte de ser indicado num arroubo de soberba do presidente Lula e o azar de ser recusado num recado que o Legislativo precisou dar ao governo petista e, principalmente, ao Supremo Tribunal Federal.

Mensagem aos...

E o recado aos ministros do Supremo diz mais ou menos assim: "temos votos para o impeachment de vocês". É isso, bem simples e direto.

Quer dizer que se pode esperar algo do tipo num futuro próximo? Não seja tão ansioso. Não precisa ser assim.

Mas o aviso chega numa hora em que ministros atuais do Supremo Tribunal Federal parecem agir para interferir no equilíbrio das eleições, chegando ao ponto de ameaçar o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) com inelegibilidade por abuso de poder político depois que ele apontou para o STF na CPI do Crime Organizado.

...companheiros

Para Lula (PT) o recado tem mais a ver com respeito institucional. O principal motivo de nenhum indicado ao STF ter sido recusado nos últimos 132 anos é que antes de fazer a indicação os nomes são apresentados às lideranças do Senado e a escolha é maturada entre eles. Mesmo que haja alguma resistência, isso ia sendo quebrado com diálogo, emendas, cargos e outros afagos públicos ou privados.

Havia uma ativação dentro da coalizão governamental. Isso é política, faz parte do jogo em qualquer país do mundo. É claro que para isso é necessário haver uma coalizão governamental, coisa que esse governo não foi capaz de criar com efetividade nos últimos três anos e quatro meses. A verdade é que bastava fazer política.

Cansaço

Mas o presidente está cansado. Não fisicamente, porque ele posta fotos no Instagram fazendo exercícios que doem na alma de um preguiçoso só de olhar. O cansaço é uma fadiga de material mesmo.

Depois de ter sido presidente duas vezes, já ter eleito uma sucessora, ter sido preso, solto, celebrado, e vencido uma terceira eleição contra um presidente extremamente popular sentado na cadeira e com a caneta na mão, imagine ter que sentar para discutir miolo de pote fisiológico com um sujeito como Davi Alcolumbre (União).

Isso justifica? Não. Justificaria se ele não tivesse se candidatado em 2022 de livre e espontânea vontade.

Quis ser presidente outra vez para provar um ponto aos que o acusaram e o prenderam. Provou. E depois não sabia mais o que fazer com o cargo, porque não tem paciência para exercê-lo.

Desrespeito

Messias foi indicado por soberba. Lula queria mostrar que podia atropelar Alcolumbre e apoiava-se no histórico de o Senado nunca ter recusado uma indicação, desde que Floriano Peixoto teve cinco nomes para STF derrubados lá no início da República Velha. A ideia era pegar o resultado mais esperado de hoje, a aprovação, e esfregar na cara do presidente do Senado mostrando que Lula ainda faz o que bem entende quando o assunto é política. Foi desrespeitoso e deu tudo errado.

Pra completar, colocar o trio José Guimarães, Guilherme Boulos e Teresa Leitão como articuladores da campanha de Messias, quase soa como novo desrespeito ao Legislativo. Dessa vez à inteligência dos parlamentares. Guimarães foi líder derrotado de Dilma no impeachment, Boulos tem natural rejeição entre políticos de centro, que são maioria no Senado, e Teresa Leitão chegou à Casa nem faz quatro anos. Naquele meio, a senadora pernambucana é considerada novata. 

Saldo

O saldo da noite é o de um governo Lula que termina enfraquecido, em pleno ano eleitoral, pensando em reeleição mas entrando para a História com uma recusa para o STF cujo último episódio ocorreu há mais de um século e teve como alvo um sujeito que nem era jurista, era médico e foi recusado por isso na época.

Ficou também para os ministros do STF o amargor de um aviso duro sobre freios e contrapesos. E sobre a disposição desta legislatura atual para ativá-los, caso os nobres magistrados não consigam se conter. O recado aconteceu agora para que fique claro aos ministros do Supremo que não adianta tentar interferir na eleição para garantir maioria simpática ao Judiciário em 2027. Esta atual formação já está pronta para agir.

E a Messias resta lamber as feridas, apoiar-se em algum tipo de alívio transcendental do tipo "Deus quis assim", e seguir a vida.

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