Datafolha evidencia vantagem de João e desafios de Raquel
Datafolha indica retomada de João Campos e alerta para ritmo mais lento de crescimento de Raquel Lyra, que ainda precisa estruturar campanha
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A pesquisa Datafolha divulgada na tarde desta quinta-feira (16) em Pernambuco é boa para Raquel Lyra (PSD) em alguns aspectos, sim. Mas é muito melhor para João Campos (PSB). Existe nela um ambiente apontando para uma largada correta do ex-prefeito, que começou sua pré-campanha exatamente no momento em que o levantamento estava sendo feito nas ruas. Os números também apontam que a governadora precisa acelerar suas tratativas de campanha e começar a entrar efetivamente no jogo, com equipe montada e estratégia definida. Para isso é necessário fechar as articulações de palanque, que também ainda não foram definidas.
Raquel
Para Raquel Lyra, a pesquisa é boa porque mostra a manutenção do crescimento que já vinha apresentando há alguns meses. Esse crescimento continua. Nas últimas pesquisas do Datafolha ela comemorava estar rompendo a barreira dos 30 pontos percentuais e, agora, já se aproxima dos 40. É o que se tira de positivo no levantamento. Apesar disso o ritmo diminuiu, com crescimento de três pontos percentuais, depois de ter crescido cinco em fevereiro. Para quem estava, e continua, em desvantagem nas pesquisas, redução no ritmo de recuperação é sinal de alerta e não pode ser ignorado.
João
Do outro lado, João Campos também cresceu "apenas" três pontos percentuais. E, nesse caso, 3 p.p. é "muito". A novidade, aliás, é que ele cresceu e parou de cair. No último levantamento, em todos os cenários, Campos apresentava queda. Na última do Datafolha ele tinha 47% e estava em queda porque no levantamento anterior, em outubro de 2025, tinha apresentado 52%. Ele caiu cinco pontos em fevereiro, mas agora recuperou três. Interromper a queda mostra que há resiliência maior do que muita gente imaginava e o derretimento foi estancado momentaneamente.
Ainda João
Na pesquisa, há outros números que chamam atenção e são bons para o ex-prefeito do Recife, ruins para Raquel. Numa eleição polarizada, como já dissemos muito sobre a disputa nacional, a rejeição é muito importante e bastante definidora. Nesse aspecto, a governadora tem uma rejeição numericamente maior do que a de Campos. Ela com 29% e ele com 25%.
Outro aspecto importante é a avaliação do governo. Embora a avaliação de "ótimo e bom" tenha crescido dois pontos percentuais, melhorando a avaliação geral do Palácio, a classificação "ruim ou péssima" cresceu 15 pontos percentuais. O governo deveria analisar esse dado para entendê-lo.
Concluindo
Duas avaliações podem derivar dessa pesquisa Datafolha: a primeira é que o ex-prefeito mergulhou na campanha primeiro com muita força e o Palácio pode estar demorando demais para entrar no ritmo de uma pretendida reeleição. A equipe de campanha já deveria estar a todo vapor trabalhando no grupo da governadora. E não parece estar. Já há algumas semanas circulam comentários, entre aliados do governo inclusive, sobre João ter começado a campanha, ter estratégia definida, e o Palácio ainda não ter definido seu rumo.
A segunda é que as questões de articulação política com aliados, como o PP, precisam ser resolvidas com muito mais rapidez do que os governistas têm tratado o assunto até o momento.
A eleição vai ser fácil? Não, nem um pouco, para nenhum dos lados. Mas neste momento quem está mais tranquilo é João Campos. E tem motivos para isso.
A pesquisa ouviu 1.022 pessoas entre 13 e 14 de abril com aplicação de questionário estruturado e abordagem pessoal em pontos de fluxo populacional.